quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Orixá Exu Mirim (Um novo olhar – Uma possibilidade)

É um tema controverso, são questões ainda pouco conhecidas e pouco trabalhadas na Umbanda.

Exige abertura da mente, de horizontes nessa imensa diversidade Umbandista.

Tudo é uma questão de flexibilidade, deixando o “novo” entrar, uma questão de raciocinar friamente e concluir depois.

Estas são questões novas, são informações novas, esse é um novo conhecimento, é uma nova abordagem dentro da religião de Umbanda e que exige “esvaziar o copo” do conhecimento até aqui adquirido abrindo espaço às novas possibilidades.

Essas informações foram psicografadas e estão presentes num livro chamado “Orixá Exu Mirim”, é um livro pequeno da editora Madras de autoria (psicografia), de Rubens Saraceni.

O conceito de que Exu Mirim possa se identificar como um Orixá é algo novo, inusitado para alguns, porém, vale refletir, assim como sobre Orixá Pomba Gira.

Existe uma divindade regente de um mistério que se manifesta por meio das entidades exu Mirim, entidades, ou seja, aqueles que incorporam no Terreiro e se identificam como Exu Mirim, na Umbanda nós temos uma linha de crianças chamada de Êres, de Ibeji, de Cosmes, de Doun ou simplesmente de criança, como às vezes se fala “as crianças da Direita”.

Exu Mirim seria a criança da Esquerda, crianças arrelientas, irrequietas, crianças de pouca doutrina, crianças que bebem, crianças que fumam, crianças
irreverentes, crianças as quais a gente não entende muito bem como é que uma criança se comporta daquele jeito, muito menos porque é que se manifesta na Umbanda assim, crianças que não revelam muito sobre o que é que elas são, faz parte do mistério Exu Mirim ocultar as coisas.

Essas crianças não explicam muito bem o que elas são, nós carecemos de entender ao ponto de que muitos dirigentes espirituais dizem que Exu Mirim não existe, aí já é uma postura radical. Como é que você vai dizer que não existe aquilo que está manifestado, incorporado, aquilo que se apresenta por meio de um médium. Aquele médium incorpora um Caboclo, incorpora Baiano, incorpora Preto Velho, aquele médium incorpora Exu, Pombagira e aí quando ele incorpora um Exu Mirim, isso não existe?

O que está acontecendo se todas as outras entidades estão dando o aval, a credibilidade dizendo Exu Mirim vem aí. Então, Exu Mirim existir é um fato, Exu Mirim se manifestar é um fato. Quem é Exu Mirim?

O mistério ele é manifesto, irradiado, sustentado, tem por base, por fundamento uma divindade, esta divindade desconhecida que vamos chamar de: Orixá Exu Mirim, simples assim.

A divindade regente daqueles mistérios que se fazem presentes na entidade Exu Mirim que incorpora no Terreiro.

Existe um Orixá chamado Orixá Exu Mirim, ou se preferir nomeado Exu Mirim ou ainda um Orixá, uma divindade a qual nós adotamos o nome Exu Mirim para identificá-lo.

Mesmo que você não saiba quem ele é, ele sabe quem é você e entende que você está adotando esse nome para identificá-lo. Isso para nós deve bastar.

 Por onde começar? Tudo tem início por meio de uma palavra chamada gênese, então falar de Exu Mirim é falar algo que está remetido e relacionado à Esquerda, ali onde está Exu e Pombagira - “Esquerda” na Umbanda, aquilo que é relativo às nossas trevas, as nossas sombras, ao nosso negativo.

Esquerda trabalha com o nosso emocional, com o nosso inconsciente, enquanto a Direita trabalha com a nossa luz, com as nossas virtudes, trabalha com o nosso consciente, com o nosso racional.

Isto não quer dizer que uma entidade de Esquerda seja ruim, não quer dizer que uma entidade de Esquerda é o mal ou que ela é as trevas, mas que ela lida com o nosso negativismo, ela lida com os nossos vícios, com as nossas dificuldades, com a nossa sombra - inclusive, fica aqui a dica para procurar no Youtube (http://www.youtube.com) um vídeo chamado “Efeito Sombra - O filme” procure isso no Youtube e assista a esse vídeo.

Faz parte das questões pertinentes a Esquerda entender o que é a nossa sombra porque as entidades de Esquerda trabalham com a nossa sombra, na gênese, ou seja, na origem de todas as coisas há um momento em que se pontua a presença do Orixá Exu Mirim na Criação de tudo e de todos, esse momento é realmente o primeiro momento da Criação, vamos agora nesse instante voltar à gênese.

No momento em que nada existia, mesmo que nada exista, ainda assim Deus já existe, então, nada existe, a única coisa que existe é Olorum. No entanto, Olorum não é ainda manifesto.

Nesse momento em que nada existe, Olorum não está manifestado. Isso quer dizer que ele ainda não se exteriorizou, Olorum está no lado interno da Criação. Nesse primeiro momento precisamos lembrar: Olorum é Deus, portanto é Criador de tudo e de todos.

O momento antes da Criação, a primeira coisa que surge em Olorum é a intenção de criar, nesse momento surge o Orixá Exu Mirim. Exu Mirim é a divindade regente do mistério do nada e das intenções.

No momento em que você tem a intenção de fazer alguma coisa ai está presente o mistério de Exu Mirim e como isso é apenas uma intenção você ainda não fez nada, você só tem a intenção, este ponto na gênese é o ponto onde se identifica e localiza o Orixá Exu Mirim.

Primeiro Olorum tem a intenção de criar no momento em que nada existe, no momento seguinte por conta dessa intenção de criar os mundos ou o universo, então surge o vazio – o “nada” mistério de Exu Mirim, o “vazio” de Exu – e no vazio o Criador cria o espaço, o infinito, o espaço pleno e a plenitude – mistério de Oxalá.

O Criador começa a se exteriorizar, Ele que está no lado interno da Criação vai se exteriorizar. E no momento que o Criador se exterioriza, ele passa a manifestar a partir de si por meio de seus vórtices, a partir de si Ele exterioriza as divindades e são criados os mundos, as realidades paralelas, os universos, as galáxias, os planetas, a vida, os seres, as criaturas, tudo é criado por meio de uma vontade de Deus, a vontade de Olorum.

Em primeiro lugar vem a intenção e depois a concretização, a realização, a construção, a criação e naquele primeiro momento, da intenção surge Exu Mirim no lado interno da criação, ele está em Deus. Exu Mirim não se exterioriza, por isso ele não é o primeiro Orixá a sair do lado interno para o lado externa da criação. O lado externo da criação é o mundo tal qual nós o conhecemos.

Tudo isso é mitologia, são lendas, não é um fato histórico, mas é uma maneira de explicar, de apresentar a qualidade das divindades perante a criação, perante a gênese, essa é a ideia.

 Exu Mirim é a intenção de Olorum. Como assim? Ele é a intenção de Olorum, exatamente - Xangô é a justiça de Olorum, Ogum é a lei de Olorum, Oxum é o amor de Olorum, Yemanjá é a geração de Olorum - Exu Mirim é a intenção, a intenção de Olorum em criar as coisas.

Exu Mirim não se exteriorizou, permanece no lado interno da criação em Olorum, por isso ele não é o primeiro. Depois da intenção surge o vazio que é a exteriorização de Exu, que é anterior ainda da Criação, por isso Exu é anterior às sete linhas, às sete vibrações, à coroa Planetária, ao assentamento.

Exu é um Orixá a parte, Pombagira é um Orixá a parte porque ela é o lado interno de todas as coisas, Exu Mirim é um Orixá a parte porque ele é a intenção de Olorum.

Quando falamos em Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim estamos falando de outros Orixás além dos quatorze Orixás. Onde estão eles nos sete sentidos da vida? Em todos os sete sentidos da vida, tanto Exu, quanto Pombagira, quanto Exu Mirim.

Enquanto Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim atuam nos sete sentidos da vida: Exu a partir do vazio, da vitalidade e do vigor / Pombagira a partir do estímulo e dos desejos / Exu Mirim a partir das intenções nos sete sentidos da vida, ele rege um mistério chamado: o Mistério do Nada.

Segundo Pai Benedito de Aruanda, segundo Rubens Saraceni, em sua obra Orixá Exu Mirim, nós temos uma afirmação antiga e aceita na religião de Umbanda que é: “Na Umbanda sem Exu não se faz nada”, a nova afirmação é: “Sem Exu Mirim nem o nada é possível fazer”, são jogos de palavras, são trocadilhos, são afirmações apenas pra que a gente possa lembrar da qualidade daquele Orixá, não é pra “Ah você está desafiando a minha inteligência? Que conversa essa de que nem o nada é possível fazer?”, não.

Exu Mirim está relacionado, associado ao nada, Exu Mirim está relacionado, associado às intenções, ele é divindade das intenções, ele é o Trono das Intenções, ele rege uma tela Planetária, vibratória relacionada às intenções. O que é que isso quer dizer? Isso quer dizer que todas as intenções de todas as pessoas vibram na tela de Exu Mirim. Da mesma forma, que o sentido de justiça de todas as pessoas e todas as suas atitudes com relação à justiça refletem na tela de Xangô.

Todas as intenções, todos os sentimentos, todas as palavras, tudo que é relativo à lei de todas as pessoas refletem na tela de Ogum. Todos os sentimentos, todas as vibrações, todas as intenções, todas as atitudes relacionadas à fé refletem na tela de Oxalá. Agora, todas as intenções em todos os sentidos da vida refletem na tela de Exu Mirim: a divindade Exu Mirim, o Orixá Exu Mirim, ele capta todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida.

Quando a gente fala em justiça, Xangô capta os sentimentos, as palavras, as ações, as atitudes no campo da justiça em todos os sentidos da vida, ou seja, a justiça com relação à fé, o amor, o conhecimento, a evolução, a geração.

Yemanjá capta todas as ações de geração, de criação, de criatividade nos sete sentidos da vida. E Exu Mirim capta as intenções: as boas e as más intenções nos sete sentidos da vida.

Aqui entra o papel do Orixá Exu Mirim, aqui entra a função – uma das funções – do Orixá Exu Mirim na criação e aí começamos falando dele na gênese e agora estamos falando dele enquanto mistério, divindade na criação.

Sua função, seus atributos, suas atribuições do mistério do Orixá é: captar todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida, quando as intenções são positivas o mistério Exu Mirim, a divindade Exu Mirim as fortalece, as energiza, as incentiva, estimula – mesmo que o mistério estimulador seja de Pombagira – por meio de Exu Mirim as intenções positivas elas são fortalecidas, estimuladas, vibradas, impulsionadas e etc. E as intenções negativas, elas são desestimuladas, desfortalecidas, as intenções negativas são captadas pela tela do Orixá Exu Mirim e aí entram outras qualidades de Exu Mirim como, por exemplo, a qualidade complicar.

Exu Mirim trabalha a questão, a atribuição complicadora, está complicado? Peça ajuda a Exu Mirim, o mal intencionado se complicou? Tem dedo de Exu Mirim, Exu Mirim também faz regredir, onde entra esse fator “regredidor”, esse verbo regredir, a função de regredir, a atribuição de fazer regredir? Faz regredir o mal intencionado, Exu Mirim faz atrasar, Exu Mirim faz retroceder, Exu Mirim faz ocultar, Exu Mirim faz esconder e Exu Mirim é “Senhor das controvérsias”.
                                                              
Orixá Exu, Pombagira, Exu Mirim são divindades duais, não são nem Universais, nem Cósmicas - a gente só fala de Orixá Universal ou Cósmico, ou seja, que tem uma atitude universal ou uma atitude cósmica, a gente fala dessa forma de atuação quando estamos falando dos Orixás polarizados, daqueles que formam pares dentro das sete linhas de Umbanda.

Na primeira vibração que é da Fé eu tenho Oxalá com Trono Universal da Fé / Logunan como Trono Feminino e Cósmico da Fé, no Amor: Oxum é Trono Feminino e Universal do Amor / Oxumaré Trono Masculino e Cósmico do Amor, Oxóssi Trono Masculino e Universal do Conhecimento / Obá Trono Feminino e Cósmica do Conhecimento, na Justiça: Xangô Trono Masculino e Universal da Justiça / Egunitá Trono Feminino e Cósmica da Justiça, Ogum Trono Universal e Masculino da Lei / Yansã Trono Feminino e ela é Cósmica na Lei, Obaluayê é Universal Masculino da Evolução / Nanã Buroquê é Feminina e é Cósmica na Evolução, Yemanjá é Feminina e é Universal na Geração / Omulu é Masculino e é Cósmico na Geração – quatorze Tronos polarizados que formam pares: um Pai e uma Mãe para cada vibração, um é Universal, o outro é Cósmico.

 O Universal é amparador, o Cósmico é retificador ou reparador. O Universal ampara, o Cósmico conserta. Agora, quando a gente fala de Exu – Orixá Exu, Orixá Pombagira e Orixá Exu Mirim, eles são divindades duais e tripolares. O que isso quer dizer? Eles atuam a partir dos sete sentidos da vida também, tanto no sentido Universal, quanto no sentido Cósmico.

Exu Mirim capta as boas e as más intenções no campo da Fé, no campo do Amor, no campo do Conhecimento, do campo da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração. Exu – Orixá Exu vitaliza as virtudes, desvitaliza os vícios e neutraliza o que é negativo no campo da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução.

No campo Universal da Fé, a fé propriamente dita, o sentido da fé, o Cósmico está mais ligado a religiosidade e Exu atua nos dois campos. No campo do Amor, a gente tem o amor no sentido Universal e no sentido Cósmico e Exu atua nos dois campos.

A mesma coisa Exu Mirim, atua no campo dos quatorze Orixás captando as intenções das pessoas, uma boa intenção no campo da Fé é uma intenção que vai encontrar em Exu Mirim uma força para que seja trabalhada, seja concretizada, para que seja realizada.

No campo do Amor, uma boa intenção encontra em Exu Mirim força para ser realizada, para ser concretizada, agora uma intenção negativa encontra em Exu Mirim uma força pra fazer a pessoas regredirem, uma força que faz paralisar, uma força que vai criar confusão naquele que é mal intencionado.

Exu Mirim pode criar a controvérisa no caminho da pessoa mal intencionada, no entanto Exu Mirim também cria controvérsia em seu mistério, não enquanto entidade – Exu Mirim, a divindade, cria no universo, no nosso universo também para que as pessoas estimulem a sua capacidade de raciocinar, de dialogar, de encontrar alternativas para as situações.


Exu Mirim por meio da sua qualidade, da sua atribuição de ocultar, de esconder, também desenvolve nas pessoas a capacidade de procurar a força, ou seja, até onde você merece encontrar aquilo que você está procurando.

Da mesma forma que eu me relaciono com Orixá Oxalá, com Orixá Oxum, com Orixá Oxóssi, Xangô, eu posso me relacionar com Orixá Exu, posso me relacionar com Orixá Pombagira e posso me relacionar com Orixá Exu Mirim.

Esse é um ponto fundamental: a forma de eu me relacionar dentro da Umbanda com Exu não é apenas a forma tradicional em que eu só me relaciono com a entidade Exu incorporado. Quem são as entidades Exus? São aqueles que incorporam como: Seu Tranca-Rua, Seu Tiriri, Seu Caveira, Seu Quebra-Osso, Seu Sete Covas, Seu Gira Mundo, posso me relacionar com Exu Cascavel, Exu Cobra Coral, posso me relacionar com esses Exus com essas entidades, Seu Capa Preta, com Seu Veludo, estou me relacionando com Exu, mas posso me relacionar com o Orixá Exu na Umbanda.

Podemos nos relacionar com o Orixá Exu por meio de quê?

De uma vela, de uma bebida, de um charuto, de um elemento, de frutas, de farofa. A mesma coisa, eu posso me relacionar com o Orixá Pombagira, se eu conheço e eu trabalho e tenho a oportunidade de dentro do Terreiro me relacionar com Dona Maria Padilha, com Dona Maria Mulambo, com Dona Sete Saias, com Pombagira Menina, com Pombagira da Praia, com Dama da Noite, com Pombagira das Almas, com Pombagira da Sombra, com Pombagira Faceira, com Rosa Caveira, com Pombagira outras posso, mas posso me relacionar direto com o Orixá Pombagira, com a Mãe, com a divindade Pombagira com uma vela, um copo de champanhe e uma cigarrilha e esse é o ponto.

Eu posso me relacionar com o Orixá Exu Mirim, no Terreiro nós conhecemos as entidades Exu Mirim, Exu Mirim: Brasinha, Caveirinha, Pimentinha, Calunguinha, Quebra Ossinhos, Capinha Preta, Exu Mirim outros que na maioria tem os nomes dos Exus no diminutivo, assim são os Exus Mirins. Mas, eu posso me relacionar de forma direta com o Mistério Exu Mirim, com a divindade Exu Mirim.

Por que, como, quando e onde eu me relaciono com o Orixá Exu Mirim?

Em qualquer lugar, em qualquer ponto de força da natureza ou no lado externo da sua casa ou na entrada da casa, eu posso fazer uma firmeza de Exu Mirim para o Orixá e para a entidade Exu Mirim, eu posso fazer uma oferenda para Exu Mirim com o mínimo, qual é o mínimo? Uma vela, a bebida e o fumo para Exu Mirim: vela bicolor, metade vermelha, metade preta.

O que é que a gente serve para Exu Mirim? Bebidas alcóolicas e doce ao mesmo tempo, podem ser alguns licores ou simplesmente o que mais se oferece pra Exu Mirim: pinga com mel, uma vela e um copo de pinga com mel e uma cigarrilha é oferenda para Exu Mirim – oferenda no que diz respeito a um agrado - isso já serve para criar um agrado para o Orixá Exu Mirim, isso já serve pra criar uma ligação pra Exu Mirim e é uma firmeza de Exu Mirim: uma vela, um copinho do lado e uma cigarrilha, já servem de firmeza.

Para quê eu vou me relacionar com o Orixá Exu Mirim?

Nós podemos invocar e evocar os Orixás: evocar sua força - de fora para dentro é principalmente quando eu quero ajuda dos problemas externos a mim, externos ao meu ser. Invocar – de dentro pra fora é quando eu estou precisando de ajuda nas questões internas a mim. E clamar, clamar é a postura do religioso, de clamor, de chamada, de pedido, é a postura de humildade perante a divindade.

Eu posso evocar Exu Mirim, invocar Exu Mirim, eu posso clamar a Exu Mirim em nome de Deus, da Sua Lei Maior e da Sua Justiça Divina, para quê? Para me ajudar, mas em qual campo Exu Mirim vai me ajudar? Quando, meu filho, a vida estiver complicada, a gente diz assim: Complicou? Chama Exu Mirim.

Quando você perceber que as coisas não estão acontecendo, quando você se sentir retrocedendo e parece que tudo atrasa, que sempre surge uma controvérsia, que as coisas estão ocultas, escondidas, quando a vida está complicada, você chama o mistério de Exu Mirim, você evoca, invoca, você clama.

Eu elevo o meu pensamento a Deus Criador de tudo e de todos, Sua Lei Maior e Sua Justiça Divina, em nome de Deus eu clamo a presença do Orixá Exu Mirim, lhe ofereço esta vela, esse copo de pinga com mel, essa cigarrilha, clamo a sua presença e peço que receba esse agrado e me ajude a descomplicar a minha vida.

Uma oferenda, nos casos mais graves, pode ser montada assim: sete copos de pinga com mel, velas e peça a Exu Mirim que lhe ajude com um prato de farinha de mandioca com dendê, peça a ele que lhe ajude, sabendo que – segundo a minha visão, a minha palavra – embora, para Exu Mirim o que interessa é a intenção - a intenção é o que vale isso é uma afirmação de Exu Mirim – há momentos que por mais que o que vale é a intenção, em certos momentos é preciso do elemento para uma manipulação que é magia.

Umbanda é uma religião de magia, de manipulação de elemento, Exu Mirim não come, o Orixá Exu Mirim não come, não bebe, não fuma, mas o mistério, a divindade vai manipular esses elementos em seu favor.

Quem é que incorpora no Terreiro como Exu Mirim? O que é? O que são essas criancinhas que incorporam no Terreiro que se identificam como Exu Mirim?

Primeiro ponto importante: Exu Mirim é infantil, mas não é criança, há uma diferença entre ser criança e ser infantil. O que é ser criança? Criança é uma condição biológica. O que é uma criança? Uma criança é: um espírito que naquele momento está habitando um corpo que biologicamente tem em torno de três, quatro, cinco anos, até se tornar adolescente a gente se considera criança, abaixo disso a gente considera um bebê, ali é uma criança.

Pode ser um espírito velho, o espírito é velho, mas está criança por uma condição biológica, ser criança pra nós é uma condição biológica. Quando uma criança desencarna, no astral ela não tem mais um corpo carnal, então o mental dela vai voltar a uma condição de maturidade que é o normal daquele espírito que é velho, que já encarnou muitas vezes.

 Exu Mirim não é uma criança, ele é infantil. E aí chega num ponto em que nos chocamos com questões espíritas da leitura da obra de Kardec, então é um problema para um Umbandista entender questões que se chocam com a obra de Kardec porque muitos Umbandistas passaram pelo Espiritismo ou recorreram ao Espiritismo pra entender a sua relação com os espíritos.

A questão aqui é: Exu Mirim não é um espírito humano, esse é o ponto e é o ponto em que precisamos entender que não somos Espíritas – Espíritas são aqueles que seguem a doutrina de Kardec, aqueles que seguem a obra codificada por Kardec: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, são lindos, fundamentais, essenciais, importantíssimos, pra gente também; assim como é importante a obra de Chico Xavier, pra gente também, mas não é Umbanda.

Devemos ler com filtro, pra nós é tão importante quanto a bíblia Católica, é tão importante quanto Bhagavad Gita, tão importante quanto o Alcorão, mas tem uma importância maior, um peso maior porque está falando dos espíritos – mas, Exu Mirim não é um espírito humano e aí é o ponto. Ele é um ser na maioria das vezes encantado.

O que é um ser encantado?

Estamos no plano natural, um plano anterior ao natural é o plano encantado. Os seres do plano encantado são seres infantis em relação aqueles que já estão no plano natural, Exu Mirim é infantil, mas não é criança porque nunca encarnou e nunca vai encarnar.

Exu Mirim está numa dimensão paralela a nossa, é de uma realidade paralela, é de outro plano, mas ele consegue autorização pra entrar na nossa realidade por quê?

Porque isso acelera a evolução de Exu Mirim, o contato de Exu Mirim com a gente acelera a sua evolução. Ele vem da sétima dimensão a esquerda da nossa dimensão – informações da obra de Rubens Saraceni, do Orixá Exu Mirim.

 Acredite ou não, não importa. Isso faz sentido para você? Porque se Exu Mirim fosse uma criança humana, por que é que deixariam ele beber, fumar e se comportar da maneira como se comporta? É porque não é um espírito humano.

Mas, tem Exu Mirim que conta historinha de que quando foi encarnado ele era um trombadinha, quando ele era encarnado ele era uma criança de rua, quando ele era encarnado ele usava drogas ele fumava, ele cheirava.

 Não é verdade.

 O que acontece é: médiuns e consulentes que ficam pressionando Exu Mirim pra dizer: Conta-me a sua história? De onde você veio? Quem é você? Onde você morou? Como você viveu? E as pessoas que fazem essas perguntas não têm condição de entender quem ele é, não tem estrutura de cultura, de conhecimento pra entender que aquele “serzinho” não é humano.

Sendo assim, ele inventa uma história, ele conta uma história pra você parar de perguntar, pra você parar de questionar, ele diz: eu fui isso, eu fui aquilo, eu fui aquilo outro e para de me perturbar. Porque na verdade não importa quem é Exu Mirim, você não vai saber em profundidade quem é Exu Mirim porque ele é de outra realidade.

Na clarividência, Exu Mirim pode se apresentar como uma criança normal, como algo parecido com aquele “Smigol” – do Senhor dos Anéis – ele pode se apresentar como algo parecido com aquele “Gorpo” – do He-Man, que tem orelhas enormes, um chapelão - ele pode se apresentar um pouquinho animalizado, ele pode se apresentar como uma criança um pouquinho deformada ou uma criança normal ou ele pode se apresentar como ele quiser: ele é um Exu Mirim. Mas, ele não é humano, ele nunca encarnou e ele não tem os vícios humanos.

O que acontece às vezes é Exu Mirim exteriorizar os vícios, o mau comportamento, a sombra e os desequilíbrios do médium que ele está incorporando, quando Exu Mirim se apresenta muito mal educado, faltando com respeito e com atitude negativa, há de se olhar pra ver se isso é dele mesmo ou ele está exteriorizando algo do seu médium, que também não chega a ser uma mistificação – mistificar é (entenda a palavra), mistificar é você atravessar, é você de forma mal intencionada manipular, fingir ou imitar, ser um farsante em que faz de conta que está incorporado ou usa de uma incorporação pra enganar ou tirar proveito de alguém.

Animismo é a mistura de sentimentos e questões mal resolvidas do médium que de forma inconsciente se mistura na prática da manifestação mediúnica – então, há um animismo natural em que Exu Mirim às vezes exterioriza questões do seu médium que precisam ser trabalhadas, há de se doutrinar. Como se doutrina um Exu Mirim? Porque essas crianças são terríveis, são irrequietas, porque elas não param. Quem doutrina Exu Mirim? O Exu da casa.

Sempre no Terreiro o dirigente costuma ter um Exu de trabalho que é um cara bacana, conversador, doutrinador, um Exu que é um cara legal que sabe chegar junto pra conversar, pra falar das coisas do dia-a-dia, que são envolventes, alguns Exus são profundamente envolventes.

E os Exus Mirins adoram esses Exus, eles chamam de tio, pedem a benção, Exu Mirim se oferece pra ajudar Exu, inclusive porque, pelo fato de que Exu Mirim não é um humano, no trabalho prático, Exu Mirim entra em lugares que Exu não pode entrar, Exu Mirim faz coisas que Exu não pode fazer, Exu Mirim vai, resolve e volta, fez e ninguém viu, ninguém percebeu que ele passou por ali porque ele não é humano, ele entra em realidades paralelas, ele entra e sai de lugares fechados, trancados, hermeticamente fechados, Exu Mirim está lá dentro.

Exu Mirim é um mistério dentro da religião de Umbanda que não é uma criança mas, ele é infantil porque vem de uma realidade anterior, é alguém em evolução, em crescimento mas, que nunca será humano porque ele está numa paralela a esquerda da nossa realidade, ele não vai entrar na nossa realidade, mas ele se espelha nos Exus, ele aceita ser doutrinado por Exu desde que ninguém o obrigue a fazer as coisas, Exu Mirim não pode ser pressionado, ele não pode ser obrigado, não se deve bater de frente com ele, não se deve brigar com ele. Exu Mirim é conquistado, Exu Mirim é doutrinado com amor porque é assim que se deve tratar alguém que é infantil – por mais que ele não seja uma criança, ele é infantil em relação a nós, ele é um ser infantil em relação ao ser natural, ao ser humano.

Ele deve ser tratado com amor, deve ser tratado com respeito, deve ser compreendido, deve ter um Exu pra chegar nele e conversar. Porque se não houver conversa, entra o mistério de Logunan, não contra o Orixá Exu Mirim, mas o mistério de Logunan pra trabalhar um desequilíbrio religioso que tenha ali na mediação entre aquele médium e aquele Exu Mirim que está em desequilíbrio criando, complicando as coisas dentro do Terreiro, então se pede a mãe Logunan que dê um jeito nisso.

E o fato é: o modelo do dirigente, o perfil, o arquétipo do dirigente modela a prática dos demais médiuns, dentro de um Terreiro o Exu Mirim do dirigente comanda os outros Exus Mirins que trabalham na casa. Se o dirigente espiritual, o sacerdote daquela casa incorpora um Exu Mirim totalmente sem doutrina, os outros têm um modelo a seguir, esse modelo é espelhado. O dirigente espiritual numa Gira de Esquerda, se é feito uma Gira para Exu Mirim ou o dirigente está com o seu Exu Mirim incorporado ou ele está com seu Exu incorporado e aí ele coloca a doutrina na casa e ponto final. Exu Mirim é de grande ajuda dentro de um trabalho espiritual, mas o Terreiro deve ter doutrina, deve ter disciplina, deve ter ética, deve ter moral, deve ter métodos de trabalho.

 Existe Pombagira Mirim?

Existe, mas se sabe muito pouco sobre elas, possivelmente existe um Orixá Pombagira Mirim, mas é desconhecido, não há ainda informação suficiente.

Annapon
Junho/2015


(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino -)

TRADUÇÃO DAS REZAS

TOQUE DJÉJÉ (Bravun)

T - Ou lè Bàrà yà b'odù màá sànà bò rè Elegba
(Você, Bará, pode se dividir como os dignos dos búzios, sempre é dono do caminho, regressa e benze-nos senhor do chicote.)
R -  Ou lè Bàrà yà b'odù màá sànà bò rè Elegba
(Você, Bará, pod dividir como os dignos dos búzios,e se sempre é dono do caminho, regressa e benze-nos senhor do chicote.) 
T - Ou lè Bàrà yà b'odù, Á sà K'èrè K'ewé
(Você, Bará, pode dividir como os dignos dos búzios, vem correndo recolher nossas oferendas e as ervas)
R - Ou lè Bàrà yà b'odù, Á sà K'èrè K'ewé
(Você, Bará, podeTraga-nos as respostas de Ifá dividir como os dignos dos búzios, vem correndo recolher nossas oferendas e as ervas)
T - Bàrà mótótó mótótó mo dúpe ou
(Oh! Bará, corta, corta e eu te agradeço)
R - Bàrà' mim àjó K'èrè kè. À mò dùpe ou
(Bará, eu em minha jornada pela vida,recolho as suas bençãos e lhe chamo, vem, eu te agradeço.)
T - Elégbà yà B'òdu!
(Senhor do chicote, traga as respostas dos búzios)
R - Á b'àdó yó bè f'altar
(Venha com a cabaça que une nossos apelos, use o meu corpo)
T - Tamaki elìjó tamaki e kà p'jó
(Termine senhor da dança, o senhor sabe a hora de parar a sua dança)
R - Tamaki Á Kó'sù Légba, tamaki elijó
(Termine e venha recolher suas oferendas Exu Legbá, senhor da dança)
T - Ou Légba ou!
(Oh Legba!)
R - àkàrà jà!
(Força que luta)
T - Ga máa sekó
(Elevado, sempre faça e nos ensine)
R -  àkàrà jà!
(Força que luta)
T - Yà b'odù máa d'okerè k'erè k'erè d'OK'ourò k'orò k'orò, deu k'èrè k'èrè k'èrè yà b'odù màa Elègbá
(Traga-nos as respostas de Ifá, venha sempre recolher as suas oferendas, traga-nos riquezas e lucros,Traga-nos as respostas de Ifá, Dono do castigo.)
 R - Yà b'odù máa d'okerè k'erè k'erè d'OK'ourò k'orò k'orò, deu k'èrè k'èrè k'èrè yà b'odù màa Elègbá
(Traga-nos as respostas de Ifá, venha sempre recolher as suas oferendas, traga-nos riquezas e lucros,Traga-nos as respostas de Ifá, Dono do chicote.)
T - Ògúm lé bá Ògúm se rere
(Ogum, venha ao nosso encontro, Ogum faz o bem)
R - Ògúm!
(Ogum)

G-IJÓ
(CORTE DA DANÇA)

TRADUÇÃO DAS REZAS (PARTE 2) BARÁ

TOQUE LATOPA

T - Aiyéraiyé, ou o Bára ou! Aiyéraiyé, ou o Bára  A má se o Ogum ou! A má se o Ogum já! Aiyéraiyé, ou o Bará ou!
(Oh! Eternamente você será forte Bará! Eternamente você será forte Bará Não fuja da luta, seja como Ogum, não fuja da luta e da briga, pois você é eternamente forte Bará!)
R - Aiyéraiyé, ou o Bára ou! Aiyéraiyé, ou o Bára  A má se o Ogum ou! A má se o Ogum já! Aiyéraiyé, ou o Bará ou!
(Oh! Eternamente você será forte Bará! Eternamente você será forte Bará Não fuja da luta, seja como Ogum, não fuja da luta e da briga, pois você é eternamente forte Bará!)
T - Èsù Bàrà ou eléfà s' epo
(Exu-Bará, você é feito no dendê)
R - Aiyéraiyé, ou o Bára
(você é eternamente forte Bará)
T - Ou yá, ou yá
(Vamos, vamos)
R - Ou yá, ou eléfà!
(Vamos, você é feito)
T - Èsù Bàrà èle ou! Èsù Bàrà èle ou, mo di  Bàrà ou eléfà epo
(Exu-Bará é violento, Exu-Bará é violento, Eu acalmo a violência de Bará dono da atração e do dendê)
R -  Èle Bàrà èle ou! èle Bàrà èle ou, mo di  Bàrà ou eléfà epo
(Bará é violento, Bará é violento, Eu acalmo a violência de Bará dono da atração e do dendê)
T - Èsù dê yí, mo jí Bàrà Èsù á jó, mo júbà yìn
(Exu venha transformar, eu o acordo Bará; Exu venha dançar, que eu o respeito e o elogio)
R - T - Èsù dê yí, mo jí Bàrà Èsù á jó, mo júbà yìn
(Exu venha transformar, eu o acordo Bará; Exu venha dançar, que eu o respeito e o elogio)
T - Bàrà gbó alóroye a Èsù lonà, Bàrà gbó alóroye a Èsù lonà amode kó nem kóo si Bàrà Ogum tàlà bò, Bàrà ou eléfa lonà
( Bará, grande falador, nos escute, Exu dono dos caminhos.Bará menino, vem nos ensinar, vem abrir os caminhos, retorna do lado de Ogum onde começa a luta, Bará que abre os caminhos.)
R -  Bàrà gbó alóroye a Èsù lonà, Bàrà gbó alóroye a Èsù lonà amode kó nem kóo si Bàrà Ogum tàlà bò, Bàrà ou eléfa lonà
( Bará, grande falador, nos escute, Exu dono dos caminhos.Bará menino, vem nos ensinar, vem abrir os caminhos, retorna do lado de Ogum onde começa a luta, Bará que abre os caminhos.)
T - Èsù Bàrá wè bàbá oníre
(Pai Exu-Bará, nos limpe, dono das bençãos)
R - Á lú fà Bàrà-Èsù, ké ké lù fá
(Venha golpear os inimigos e nos limpar Bará-Exu, corte os males, golpeie os inimigos e nos limpe)
T - Bàrà rá múje kún lò òdà bàbà ru eko Bàrà ru de ou Bàrà rà múje kún lò òdà, Bàrà mò rè ru
(Bará deslize-se, devore e destrua o inimigo, use o disfarce. Pai lhe ofereço o akassá, Bará lhe ofereço uma armadilha. Bará deslize-se, devore e destrua o inimigo, use o disfarce. Bará ponha em segredo a armadilha no meu inimigo
R - Je' ko l'òdà 
(use o ecó como armadilha)
T -  Bàrà mò rè ru
(Bará ponha em segredo a armadilha que lhe ofereço)
R -  Je' ko l'òdà 
(use o ecó como armadilha)
T - Bàbá 'iyan' o
(Pai dos seres da noite)
R -  Bàbá 'iyan' o
(Pai dos seres da noite)

TRADUÇÃO DAS REZAS (PARTE 3)

TOQUE AGERE

T - Èsù Lànà meu fó ou, Bàrà Lànà fun malé ou!
(Oh! Exu, abre o caminho me limpando, Oh! Bará, abre o caminho para os Orixás.)
R -  Èsù Lànà meu fó ou, Èsù Lànà fun malé !
(Oh! Exu, abre o caminho me limpando, Oh! Exu, abre o caminho para os Orixás.) 

TOQUE BATÁ

T - Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou Yá níle ou!
(Exu guardião, guardião do poder retorne! Oh! Você logo estará na casa.)
R -  Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou Yá níle ou!
(Exu guardião, guardião do poder retorne! Oh! Você logo estará na casa.)
T - Á là lùpa ou!
(Oh! Vem,abre, limpando com um golpe.)
R -  Á là lùpa sei máa!
(Oh! Vem,abre, limpando com um golpe contínuo.)
T - Èsù Bàrà o bebe ti riri loná, Bàrà o bebe ti riri loná, Bàrà èsù  ti riri loná, Èsù ti riri.
(Exu Bará, vá triunfar, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Bará Exu 
 vá triunfar, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Exu que tremam de medo.)
R - Bàrà Èsù ti riri loná, Èsù ti riri loná, Bàrà' Kè Bàrà Èsù Bàrá, Èsù ti riri Lonà.
(Bará Exu, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Exu, que tremam no caminho, Bará venha da colina, Bará Exu, Bará Exu, que meus inimigos tremam de mrdo no caminho.)

TOQUE AGERE

T - Èsù dêem lànà' s ebí a se'bo
(Exu cria a abertura de caminho, faz a viagem que nós fazemos a oferenda.)
R - Èsù dêem lànà sim ebó.
(Exu cria a abertura de caminho para a oferenda)

G-IJÓ
(corte da dança)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Linhas de Trabalho de Umbanda – Guardiões/ Exu – Guardiãs/ Pombagira – Exu Mirim



Não se questiona se esse espírito tem ou não tem luz, se ele é ou não um iluminado para trabalhar como Exu.
Trabalhando como Exu na Umbanda há espíritos que tem mais ou menos luz.

No entanto, todos eles trabalham para a luz.

 Umbanda é luz. Umbanda é uma religião de amor, de caridade e Exu é guardião da religião de Umbanda.

 Se Umbanda é luz, Exu é guardião desta luz.

Na Umbanda se manifestam os Orixás, os Exus são guardiões dos mistérios dos Orixás, os Orixás são a luz. Exu é guardião dos mistérios dos Orixás, então eles são guardiões da luz, não importa se ele é um iluminado ou não, importa que ele trabalhe na lei, o que ele faz dentro de um Terreiro de Umbanda, é única e exclusivamente o bem.

 E aí não importa o questionamento que sempre entra de que o bem é relativo porque quando você ajuda uma pessoa a ganhar um emprego, pode ser que o outro perdeu o que tinha.

A questão é: você não ajuda o outro a perder o emprego, você está ajudando alguém a conseguir o emprego, muito embora, que fique bem claro, a Umbanda não é balcão de milagre e nem cabide de emprego, a função maior da Umbanda não é arrumar emprego, a função maior da Umbanda não é arrumar dinheiro, não é arrumar namorado, namorada, marido, nem tirar a mulher do outro ou marido da outra, isso não é função da Umbanda.

É função da Umbanda ajudar aqueles que procuram seus guias em busca de auxilio.

Dentro do Terreiro de Umbanda Exu só trabalha para o bem, o que quer dizer?

Que só atende pessoas que estão pedindo o seu próprio bem ou o bem do semelhante, quando alguém pede dentro do Terreiro de Umbanda pra prejudicar a vida de alguém, Exu tem que chegar junto e falar “Olha, aqui dentro a gente não faz isso, é um casa de luz, é uma religião, a Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade, aqui dentro não se prejudica ninguém”, Exu não se presta a prejudicar o próximo, a energia de Exu é a energia do Orixá Exu que é a energia do vigor, da vitalidade.

Exu é a Esquerda da Umbanda, ele trabalha a nossa energia a Esquerda, a energia emocional, a energia do nosso inconsciente, Exu trabalha a nossa sombra trabalha nossas trevas interiores, Exu trabalha as nossas dificuldades, Exu nos ajuda a entender onde a gente pode melhorar, Exu nos ajuda a vencer os nossos vícios, a termos maior clareza com aquilo que nos prejudica.

Ele é guardião do mistério dos Orixás, Exu é guardião assentado à Esquerda dos Orixás, Exu faz a guarda da Umbanda, ele não é trevas, mas ele desce nas trevas, alguém tem que descer. Se um dia nós cairmos nas trevas, quem vai buscar a gente? Qual é a maior caridade? Ajudar quem já está pronto pra ir para a luz ou ajudar quem está lá embaixo nas trevas em sofrimento? Essa é a maior caridade. O que é mais difícil para o ser humano? É a mãe ou o pai que vai buscar o filho ou vai encontrá-lo na porta da faculdade, que vai encontrá-lo na porta do seu emprego? É o pai e a mãe que vai visitar o filho na sua casa, no seu lar? Qual é a maior dificuldade? Ou é a mãe que vai visitar um filho que está numa cadeia? Porque errou. Onde é necessário mais amor? É fácil amar quem só te dá alegria, é muito fácil.

Com relação aquele que erra e está errando também é necessária uma mão firme, uma mão enérgica.
Quantos de nós erramos por que na infância não tiveram o pulso firme de um pai ou de uma mãe, que dissesse com firmeza “Assim não é correto”, “Dessa maneira não é bom, isso que você está fazendo vai prejudicar você mesmo no futuro”, “Tudo o que você faz, volta pra você” e com firmeza pra chamar a atenção, pra por de castigo, se necessário pra dar um corretivo de alguma maneira que seja – no caso de uma criança não para machucar, mas para orientar – agora, no caso de um adulto aquela criança que o pai não chamou a atenção porque não queria que ele chorasse o pai não foi duro, não foi enérgico porque ficou com dó da criança, a vida machuca você mais ainda depois de crescido se você fica um adulto mimado porque não foi uma criança educada, só que você não trata um adulto igual a uma criança.

Exu não é trevas, mas ele desce nas trevas, ele não pode descer nas trevas sem uma atitude firme, enérgica, direta, essa é a postura de Exu é também a guarda de um soldado, de um guardião, daquele que está fazendo a sua guarda, então se está fazendo a sua guarda é com relação a quê?

Com relação às trevas, com relação ao que pode lhe machucar, ao que pode lhe ferir, o que pode lhe agredir, ele tem que estar pronto e preparado pra lidar com isso, ele precisa ser o forte, estar armado com recursos de proteção, de força, e se é necessário vai ao ataque para proteger, essa é postura de Exu na Umbanda.

Exu é guardião e ao mesmo tempo é um Guia espiritual, Exu também é orientador,  Exu é irmão, mestre, pai, amigo, meu melhor amigo.

Exu que incorpora é espírito humano, já encarnou várias vezes, vai encarnar outras vezes ainda ou não.

Existe Exu que é um espírito de luz?

Sim. Lógico que sim.

“Ah, mas como é que um ser de luz desce nas trevas?”.

 Ele rebaixa sua vibração, encobre sua luz.

 Tem Exu que é espírito de muita luz e usa recursos pra descer nas trevas sem que a sua luz seja percebida.
Quando Exu é chamado no terreiro para trabalhar, quem incorpora?

 O seu Exu de trabalho, todo médium tem três Exus que são muito presentes e muito atuantes na sua vida: um Exu de trabalho, um Exu natural e um Exu guardião e muito mais, muitos outros mais que atuam de uma forma mais passiva na vida do médium.

Esses três, acima citados, são muito presentes e dos três existe um que é o mais atuante, é o Exu que assume o trabalho braçal, que atua de uma forma operacional porque ele incorpora e incorporar dá muito trabalho, é um trabalho braçal. Até porque, às vezes, você nem tomou seu banho de erva, nem deixou a vela do Anjo da Guarda acesa, está cheio de carga, de energia ruim, às vezes, a entidade vai incorporar em você e quando você não está bem ele fica te limpando, te descarregando antes de poder começar o trabalho dele e a energia dele é sempre boa porque ele é um Guia espiritual.

Incorporar é um trabalho braçal, por isso, o nosso Exu de trabalho é o mais atuante, chama-se Exu de trabalho, pois tem o maior campo de atuação por meio do seu Orixá de Juntó.

Temos um Exu de trabalho que atua no campo do nosso Orixá de Junto, temos também um Exu guardião. Quem é o Exu guardião? O nosso Exu guardião é uma entidade que é um espírito humano também, mas que raramente incorpora. Porque o trabalho do Exu guardião é um trabalho muito mais mental. O Exu guardião é um mentor que coordena toda sua esquerda de Exu.

Quando você abre um Terreiro, geralmente o guardião se apresenta para que faça o assentamento no nome dele, o teu Exu de trabalho sabe quem é o seu Exu guardião.

 No dia-a-dia de Terreiro pra chamar o guardião você faz um trabalho específico de chamada do guardião porque o Exu guardião do médium não costuma dar consulta.

Nota: Exemplificando, no meu caso pessoal, isto aconteceu de forma espontânea, ou seja, antes do curso de Teologia de Umbanda Sagrada, onde pude encontrar as explicações acima, num determinado momento de minha jornada espiritual, se apresentou para o trabalho outro Exu que não aquele ao qual eu já me havia habituado e “tomado” como “meu” Exu, que atuava em minha vida, desde a adolescência, de forma realmente mais sutil, mental, como um bom guardião. Estranhei a presença do outro, porém, segui adiante na certeza que tudo estava bem e como deveria estar mesmo porque eu continuava sentindo o “meu” Exu e percebia que era com seu consentimento que o outro vinha trabalhar, portanto, tudo estava bem. Depois, no decorrer deste abençoado curso, me deparei com esta fantástica e esclarecedora explicação que, sinceramente espero que a muitos alcance ajudando para uma maior compreensão desse Universo Maravilhoso.
Annapon

Todo Exu é um guardião, mas existe aquele que é O guardião, o Exu de trabalho e O Exu natural, mas todos os Exus são guardiões.

Existe um, porém, que é o meu guardião, é o Exu mentor.
Nós estamos adotando essa nomenclatura de: O guardião que é o Exu mentor da minha Esquerda que atua no campo do meu Orixá Ancestral. Nós temos: um Orixá Ancestral Dominante que é a força do chakra da coroa temos um Orixá de Frente que lida e rege os aspectos da Direita e um Orixá de Juntó que lida e rege os aspectos da Esquerda, então o nosso Exu de trabalho lida com os aspectos do nosso Orixá de Juntó, o nosso Exu guardião lida com os aspectos do nosso Orixá Ancestre.

Quem é o Exu natural?

 É um natural da dimensão de Exu, um natural é um ser que nunca encarnou que não é humano, nós temos um ser natural da realidade de Exu que nos acompanha. Porque você tem um natural de Ogum que quando é incorporação do Orixá de Ogum, esse natural incorpora. Você tem uma natural de Yemanjá que é a sua Yemanjá, uma natural de Oxum é a sua Oxum, um natural de Obaluayê é o seu Obalauyê e tem um natural Exu que não incorpora porque na Umbanda nós não fazemos chamada da incorporação pra Orixá Exu.

Mas, você tem um natural de Exu que lhe acompanha, esse natural está na força do seu Orixá de Frente. Agora, calma e paciência, vamos lá, o seu Orixá de Frente é Xangô e o seu Orixá de Juntó é Yemanjá, então se o seu Juntó é Yemanjá quer dizer que o seu Exu de trabalho atua no campo de Yemanjá e aí você me diz: “Pois é, o meu Juntó é Yemanjá, mas o meu Exu é Tranca Rua, está errado?”. Não. O que nós estamos dizendo é: que mesmo que seja um Tranca Rua ele vai encontrar no campo de Yemanjá mais ferramentas e maior campo de atuação para ele lidar com os aspectos negativos da sua vida e ele vai atuar a partir do campo de Yemanjá e ele pode ser um Tranca Rua dos Mares, Tranca Rua das Marés, Tranca Rua das Ondas, Tranca Rua da Geração, então, isso é importante entender, Tranca Rua das Águas, sem falar do Tranca Mata, do Tranca Gira, do Tranca Mar, do Tranca Vento, do Tranca Montanha porque é só o Tranca Rua é conhecido, mas você tem Tranca tudo de tudo, não é?

Se o teu Juntó é Ogum não necessariamente o nome do teu Exu tem que ser um Tranca Rua ou um Tranca Caminho ou um Trinca Ferro ou um Trinca Fogo, não. O teu Juntó é Ogum, tudo bem. “Ah, mas o meu Exu é Marabô”, Marabô é de Oxóssi. Pois é, mas se ele for Marabô dos Caminhos, você não sabe você só sabe que ele é Marabô.

O teu Exu de trabalho encontra no teu Orixá de Juntó campo de atuação, por quê? Porque o meu Juntó é o meu emocional - emocional aqui não estou falando de questão afetiva – estou dizendo que: emocional é o campo do nosso ser onde estão as coisas mal resolvidas porque quando você atua de uma forma desequilibrada, quando você responde de uma forma desequilibrada, você não está sendo racional, você está sendo emocional.

Quando você sai da sua razão, você está na sua emoção. Quando você se desequilibra e age de uma forma que você não queria, você está agindo de uma forma emocional. Exu trabalha principalmente esse campo na nossa vida, o campo da nossa sombra, dos nossos medos, dos nossos traumas, dos nossos vícios, ali atua Exu e o Exu de trabalho é o Exu mais presente, então como ele é o mais presente, ele vai encontrar mais campo de atuação a partir do meu emocional, da minha Esquerda, da minha sombra, do meu inconsciente que é tudo isso regido pelo meu Orixá de Juntó.

Agora, há vezes que você dá passagem para outros Exus, então, esses outros são Exus auxiliares do seu Exu de trabalho. Porque ninguém trabalha sozinho, o teu Exu de trabalho trabalha acompanhado com muitos outros Exus e as entidades que incorporam na gente são entidades que são ativas na nossa mediunidade, mas nós temos um monte de outras entidades que são passivos no nosso campo mediúnico e nos acompanham.

Todos nós somos regidos por quatorze Orixás, todos nós somos filhos dos quatorze Orixás, para cada um de nós tem quatorze naturais na força dos quatorze Orixás que nos acompanham e todos nós temos: um Exu na força de cada um dos quatorze Orixás, cada um de nós tem – além desses três – nós temos mais quatorze Exus: um na força e no campo dos quatorze Orixás, então nós temos além do Exu que trabalha com a gente na lida do Exu de trabalho, nós temos um Exu de Oxalá e um Exu de Logunan, um Exu de Oxum e um Exu de Oxumaré, um Exu de Oxóssi, um Exu de Obá, um Exu de Xangô e um Exu de Oro Iná/ Egunitá, um Exu de Ogum, um Exu de Yansã, um de Obaluayê, um Exu de Nanã, um Exu de Yemanjá e um Exu de Omulu.

Nós temos quatorze Exus, geralmente um deles é o nosso Exu de trabalho, pode ser que um deles seja o nosso Exu guardião e é certo que, então às vezes incluindo ou não, nosso Exu de Trabalho, nosso Exu guardião, nós temos quatorzes, mas que no dia-a-dia, no trabalho braçal, operacional, quem toma frente é o Exu de trabalho, Laroyê Exu, Exu é Mojubá – Exu é ponto forte e ponto fraco na Umbanda, conheça Exu e o tenha como seu melhor amigo, seu guardião e ponto forte na sua vida, na Umbanda e nos seus trabalhos. Se você o desconhece, ele é ponto fraco porque é ali na força dele que você está vulnerável.

A exemplo de Exu temos também uma Pombagira de trabalho, uma Pombagira guardiã, uma Pombagira natural, se chamar Pombagira em Terra pra trabalhar, quem incorpora é sua Pombagira de trabalho e você tem uma Pombagira guardiã que também é uma mentora da sua Esquerda no campo de Pombagira que raramente incorpora e temos uma Pombagira natural e é a mesma relação, a guardiã traz uma relação com o Orixá Ancestre, a Pombagira de trabalho traz uma relação com Orixá de Juntó e a Pombagira natural traz uma relação com o Orixá de Frente.

Quem é a Pombagira?

São espíritos humanos que incorporam na gente e trabalham a força, o poder e o mistério do Orixá Pombagira.

O Orixá Pombagira está no campo do estímulo e do desejo, é desejo nos sete sentidos da vida e ao contrário do que muitas pessoas colocam como se Pombagira trabalhasse apenas questões afetivas e apenas o desejo sexual, não é isso. Pombagira trabalha o desejo em todos os sentidos da vida, ela trabalha o estímulo e ela trabalha também o que a gente sente no nosso íntimo, no interior, ela olha para nosso interior, ela trabalha essas forças relacionadas ao desejo, também ao êxtase, ao prazer, em todos os sentidos da vida.

Pombagira traz para nossa vida essa força de prazer, de desejo de estímulo que é muito mais vida para nossa vida e ali ela faz um par com Exu, é como a “fome e a vontade de comer”, porque Pombagira traz o desejo, mas não traz a força para realizá-lo, Exu traz a força, mas não traz os desejos para que essa força seja direcionada, ela traz o desejo, ela traz a força, eles formam um par e se polarizam Exu e Pombagira.

Nós temos uma mãe Maior Orixá Pombagira e nós temos quatorze Orixás Pombagiras Menores ou Intermediárias que são as Pombagiras Guardiãs dos Mistérios dos Orixás. Da mesma forma que Exu, temos Orixá Exu e sete Exus que são sete Guardiões Planetários e os quatorze Exus Guardiões dos Mistérios dos Orixás.

Nós não incorporamos esses Orixás, não se incorpora Orixá Maior, você não
incorpora os Sete Orixás, você não incorpora os quatorze que é o Guardião Planetário, a Pombagira Guardiã Planetária dos Mistérios de Oxalá, o Exu Planetário Guardião dos Mistérios de Oxalá. Então, quem eu incorporo? A minha Pombagira de trabalho. Quem mais me acompanha? Minha Pombagira guardiã que raramente incorpora, que é uma mentora, a minha Pombagira natural que nunca encarnou.

Uma natural de Pombagira vive numa realidade paralela a nossa, que não é uma realidade humana, imagine outro mundo, nesse outro mundo que não é humano, não existem os pudores humanos, não existe Catolicismo não existem religiões porque nessa realidade os seres naturais conseguem ver as divindades, cultuá-las de forma direta sem intermediário, sem dogma, sem doutrina, de uma forma direta, numa realidade sem pudores, aquela imagem eu acho isso importante dizer, aquela imagem de Pombagira nua e vermelha não é imagem da Pombagira espírito humano que incorpora em mim, mas é a imagem de um ser natural que vive numa realidade onde não se usa roupa.

Se eu olho para uma índia nua, isso não é algo natural? Porque não se usa roupa naquela tribo, se eu vejo a foto de uma Africana, de um Africano de uma tribo nu, não é natural? Então, em algumas realidades paralelas, isso é o natural e há seres naturais que não usam roupa e há ser natural de Pombagira que não usa roupa, mas também não incorpora pra trabalhar na Umbanda porque não é espírito humano, mas um ou outro pela clarividência vê e não entende e aí julga a partir do seu olhar preconceituoso o que deve ser aquilo, porque julga a partir dos seus desequilíbrios sexuais, emocionais, julga a partir do seu preconceito, julga a partir dos seus desejos frustrados com relação ao sexo oposto que não pode ver uma mulher nua que já acha que aquilo é um objeto de alguma coisa que está ali pra perverter, pra desequilibrar porque não consegue ver com naturalidade um corpo humano que é o que é: um corpo humano, ali não é humano porque não encarnou, mas é um corpo de um ser natural, então, existe sim, e que não se faça confusão.

Para nós, que estudamos a religião, temos que entender essas suas facetas, porém, não devemos esperar que o leigo entenda.

É claro que não vou colocar uma imagem de uma Pombagira nua e vermelha na porta do Terreiro porque o consulente que chega não é Umbandista, não estudou Teologia, ele não sabe o que é isso, ele olha aquela imagem e realmente ele pensa bobagem, ele acha que, se na porta já tem uma estátua de uma mulher nua, vermelha, lá dentro em algum momento também deve ter mulher nua pintada de vermelho, a imaginação vai longe e a realidade não é o que se vê, portanto, melhor entender, conhecer e não expor ao leigo o que se conhece a partir de muito estudo e mente aberta.

Não vamos confundir as coisas, não é porque um ser natural vive numa realidade que não tem roupa que eu vou colocar uma imagem enorme dessa maneira porque as pessoas não vão entender. Mas, é bom que a gente entenda de onde vem tal imagem.

Eu não colocaria na porta do Terreiro uma estátua enorme de Exu com dois chifres, um rabo enorme porque quem chega não vai entender. Mas às vezes quando Exu desce numa área, numa região trevosa, ele pode plasmar essa forma, faz parte de seu trabalho e compreender isso requer estudo, analise.
Conhecemos um espírito pela sua vibração e não pela sua forma, pois a vibração se sente e a forma, muitas vezes, engana.

A forma é uma opção, ele não está preso nessa imagem, mas ele pode plasmar essa forma se ele quiser.

Pombagira existe na força de todos os Orixás, tem Pombagira de Ogum, tem Pombagira de Yansã, tem Pombagira de Oxóssi, Pombagira de Xangô e tem Pombagira de Oxum, a Pombagira, a entidade Pombagira, pode ser sensual que não tem problema algum, ela não deve ser vulgar. Há uma diferença entre uma entidade ter uma energia sensual, ela rebolar, ela se movimentar porque ela tem uma energia movimentadora, ela tem uma energia sensual e a sensualidade movimenta a vida.

O amor, a paixão é algo sensual, ela trabalha essa energia na nossa vida, não é ótimo estar apaixonado? Não é ótimo amar com paixão? E ao longo dos anos fazer com que o amor seja maior do que a paixão? Mas viver a paixão faz parte do processo de crescimento? De desenvolvimento? De autoconhecimento do ser? De relacionar-se com o outro?

Pombagira trabalha as paixões, o desejo, nos ajuda a lidar com os nossos desejos, com as nossas paixões, com os nossos amores. Mas, não pra pegar o marido da outra, não para destruir um relacionamento, Pombagira está na Umbanda para o bem, para fazer o bem. “Ah o que ela foi na outra vida? O que Pombagira foi na outra vida?” e você sabe o que você foi na outra vida? Alguém sabe? Quem de nós nunca fez algo numa outra vida ao qual se envergonharia? Ou nessa vida mesmo?

O que ela foi na outra vida não importa, importa é o que ela é agora, ela Pombagira de Umbanda, entidade que merece respeito, que caminha de cabeça erguida. Pombagira ajuda sim e muito a mulher, ajuda muito o homem também, mas, ajuda muito mais a mulher a caminhar de cabeça erguida, a se dar valor.

Em alguns lugares ainda existe uma repressão ao feminino, famílias, sociedades e culturas machistas e a Pombagira entrou sim pra ajudar a libertar a mulher dessa repressão, ajudar o homem a lidar com o feminino e homem incorpora Pombagira sim, claro que incorpora Pombagira, não fica afeminado porque incorpora Pombagira, se fica afeminado é porque isso já estava dentro e precisava ser trabalhado, que estava mal trabalhado porque Pombagira traz pra fora o que está reprimido.

Exu também traz pra fora o que está reprimido, uma mulher que incorpora Exu  não vai virar uma mulher masculinizada, assim como um homem que incorpora Pombagira não vai ficar afeminado. Agora, Pombagira não incorpora pra fazer show, não incorpora pra fazer teatro, incorpora pra ajudar o próximo, essa é a questão, essa é a diferença.

Temos uma Pombagira Guardiã, uma Pombagira de trabalho, uma Pombagira natural e temos quatorze Pombagiras que não são as guardiãs dos Orixás, são as quatorze Pombagiras que me acompanham na força dos quatorze Orixás que também não incorporam toda hora, mas se fizer um trabalho para elas incorporarem isso acontece num trabalho específico, um trabalho de forma passiva, não são operacionais como a Pombagira de trabalho que está ali na lida, incorporando, trabalhando incorporada.

Uma grande dificuldade da Umbanda hoje é desmitificar Pombagira, desmitificar Exu.

Pombagira é nossa guardiã, é entidade que nos ama e que merece o nosso respeito. Todos os nossos Guias nos amam, a gente precisa aprender e lidar com eles precisamos aprender a lidar com quem a gente ama e essas entidades muita gente pensa: “Ah o Exu trabalha comigo, a Pombagira trabalha comigo porque eles tem dívida pra pagar”, mas tudo bem, “Ele tem dívida pra pagar, mas podia trabalhar com qualquer um por que ele está trabalhando comigo?”. Porque tem alguma ligação com você, não é? E essa ligação na maioria das vezes é uma ligação de amor, de carinho, de afeto. “Ah por que esse Exu ele trabalha comigo por que na outra vida foi meu inimigo”, mas espera aí, na outra ele foi teu inimigo e na outra? E na outra? E na outra? E na outra? Não é uma ligação à toa, na outra ele foi teu inimigo, vai ver que na outra ele foi teu pai, na outra ele foi teu filho e agora estão os dois descobrindo esse amor, essa ligação tão especial entre os seres que tem afinidade porque até o desamor é uma afinidade, só não há afinidade quando você olha pra alguém e não tem sentimento nenhum.

 Se tiver amor ou desamor, se você sente alguma coisa tem afinidade, tem uma ligação, estamos aqui descobrindo o amor que nutre a relação entre nós e nossos guias espirituais.

A entidade Exu Mirim não é espírito humano.

Exu Mirim é infantil, ele não é uma criança que desencarnou Exu Mirim não é o trombadinha “Ah, mas você incorporou Exu Mirim e ele contou uma história, ele contou que quando ele era criança, ele era trombadinha, ele era ladrãozinho, furava pneu de carro, se drogava, ficava na rua, por que ele contou essa história?”, porque ele está cansado de todo mundo perguntando: “Quem é você? De onde você veio? Onde você viveu?”, como é que ele vai explicar que ele não é humano? Que ele veio de outro mundo, de outra realidade que nem um ser natural ele não é.

 Exu Mirim ou é um ser encantando ou um ser dual, é um ser de outra realidade, de outro mundo, não é um ser natural e não vai encarnar. Por que quem em sã consciência vai dar pra uma criança cigarro numa mão e pinga com mel na outra?

Nossos Guias estão pervertendo as crianças? Trazendo-as, chamando pra fumar e beber? Exu Mirim fuma e bebe, porque ele vem de outra realidade que em comparação com a nossa, a realidade de Exu Mirim é negativa, então Exu Mirim às vezes se alimenta de energia negativa, Exu Mirim entra onde espírito humano não entra, faz o que muito Exu não faz, põe a mão onde muita gente não quer por porque ele não é humano, ele é um ser que trabalha uma energia forte e pura, pura na sua pureza – não no sentido de que isso é puro porque é de luz, a gente tem uma pieguice, um apego tremendo ao que é da luz, ao que é a humildade, ao que é disso, daquilo - ele é o que ele é e ponto final, é uma entidade que trabalha uma força diferente.

Quando Exu Mirim tem um comportamento negativo, quando Exu Mirim se comporta falando um exagero de palavrões, quando Exu Mirim incorpora e falta com o respeito, ele aprendeu isso com alguém em algum lugar porque de onde ele vem não tem isso, da realidade que ele vem não tem palavrão, da realidade que ele vem não tem desrespeito porque lá todos se relacionam em hierarquia.

Ele usa o vocabulário do médium, usa as coisas que estão no inconsciente do médium, usa as frustrações do médium e põe pra fora, como resolver isso?

Todos os Exus Mirins costumam admirar os Exus de trabalho do Terreiro, existe uma admiração é comum que os Exus assumam a doutrinação dos Exus Mirins e o trabalho de Exu Mirim é um trabalho que só dele estar incorporado ele está ajudando a descomplicar a sua vida porque o grande campo de Exu Mirim é esse: descomplicador, ele atua descomplicando e atua no campo das intenções.

Ele logo já vai percebendo quem é mal intencionado, não importa o que você fale, importa o que são as suas intenções, Exu Mirim está sempre de olho nas suas intenções pra ver se ele ajuda você a descomplicar o seu caminho ou se o seu caminho vai continuar do jeito que está: complicado.

 Essa é a função de Exu Mirim na nossa vida, essa é a nossa relação com Exu Mirim. A gente tem um Exu Mirim, ele não é como Exu e Pombagira que tem guardião natural ou de trabalho porque ele não é um espírito humano, então, a gente tem um Exu Mirim. “Cada um só tem um único Exu Mirim?”, pode ser que tenha outros Exus Mirins de forma passiva e que podem incorporar como Exu Mirim auxiliar, mas geralmente a gente tem um Exu Mirim que é o que assume o trabalho.

Exu trabalha com velas pretas, com velas pretas e vermelhas, com velas pretas, vermelhas e brancas ou com velas vermelhas. Pombagira trabalha com vela vermelha ou com vela vermelha e preta. E Exu Mirim trabalha de vela bicolor, trabalha com vela metade vermelha, metade preta, com guias bicolores. Exu Mirim bebe pinga com mel, a gente oferece pra ele uma cigarrilha, pode-se fazer oferenda, na firmeza de Exu Mirim você coloca vela bicolor, um copo ou uma quartinha com pinga e mel e um brinquedo.

 Na Umbanda tem magia, na Umbanda tem Orixá, na Umbanda tem rito, na Umbanda tem ritual, tem altar, tem tronqueira, tem Templo, tem relação sacerdotal, tem casamento, tem batizado, a Umbanda tem tudo àquilo que tem uma grande religião organizada e a Umbanda não trabalha apenas com espíritos humanos.

Na Umbanda nós trabalhamos com seres naturais que são os Orixás que incorporam, trabalhamos com seres encantados que são boa parte das crianças da Direita e a totalidade dos Exu Mirim são encantados ou seres elementais, duais, não importa, não são humanos. E junto de Exu Mirim também há a Pombagira Mirim e, se pouco nós sabemos sobre Exu Mirim e que desse pouco nós sabemos que Exu Mirim trabalha sobre o mistério do Cosmo da Gênese, na Cosmologia chamado Nada, sobre Pombagira Mirim nem o nada a gente sabe, não sabemos absolutamente nada sobre Pombagira Mirim.

O que sabemos hoje sobre Pombagira Mirim não é nada além de dizer: que não são humanos, que formam par com Exu Mirim, mas não conhecemos ainda a fundo, nem no raso, o mistério Pombagira Mirim. O pouco que a gente sabe sobre Exu Mirim de fundamento Teológico, de conhecimento, de informação, de mistério, do fator – o que a gente sabe de Exu Mirim, a gente sabe por meio do único livro publicado sobre Exu Mirim chama-se: Orixá Exu Mirim, do Rubens Saraceni, editora Madras, é a única coisa que a gente sabe teoricamente, de embasamento, fundamento do mistério Exu Mirim e Pombagira Mirim não tem ainda mais informação e nem embasamento, nem fundamento, assim como outras linhas de Umbanda que no futuro vão se apresentar.

Estamos ainda em processo de conhecimento. É lógico que na prática a gente já trabalhava com Exu Mirim antes de ter essas informações, já existe um trabalho feito com Pombagira Mirim, mas não existe uma fundamentação ainda, nós não conhecemos a fundo, pouca coisa se sabe sobre Pombagira Mirim, sabemos que elas existem que elas se manifestam e que numa Gira de Exu Mirim pode estar presente Pombagiras Mirins. E que Exu Mirim vem na força de todos os Orixás, os nomes de Exu Mirim costumam ser os nomes dos Exus no diminutivo, então, temos Exu Capa Preta, Exu Mirim Capinha, Exu Brasa, Exu Mirim Brasinha, Exu Calunga, Exu Mirim Calunguinha, Exu Caveira, Exu Mirim Caveirinha, Exu da Porteira, Exu Mirim Porteirinha.

 Pombagira Mirim a mesma coisa, tem Padilha, Padilhinha, Sete Saias, Pombagira Mirim Sainha, Pombagira da Praia, Pombagira Mirim da Prainha, Mariazinha, são os nomes no diminutivo.

O que a gente sabe é: eles podem ajudar, ajudam muito e fazem diferença no trabalho da Umbanda. Se há alguma dificuldade de doutrina chame um Exu, sempre há no Terreiro um Exu que é mais falante, que gosta de doutrinar, de orientar, o chame que ele com certeza toma a frente dessa orientação.

Annapon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)