segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Oferendas a Exu

OFERENDAS DEVEM SEGUIR OS RITUAIS CERTOS E FEITAS COM RESPONSABILIDADE, NÃO SÃO AVENTURAS E NEM TÃO POUCO BRINCADEIRAS. OS PASSOS ABAIXO “TÊM QUE SER SEGUIDOS”.
• Sempre leia várias vezes e forme o quadro mental do que está sugerindo a oferenda, para ter certeza que entendeu, antes de aventurar-se.
• Tome seu banho de descarrego com 1 litro de água para 3 galhos de arruda, 3 dentes de alho e 3 ramos de alecrim, antes de qualquer entrega. Aliás esse banho é excelente de ser tomado 1 vez por semana, sempre que possível, com ou sem oferenda.
• Antes de qualquer entrega de oferenda, acenda uma vela branca para o seu anjo da guarda, em local mais alto que a sua cabeça. Tome cuidado que esteja bem firme e que não ofereça riscos. Se puder acender a de 7 dias, tanto melhor. Se for a vela de 7 dias acenda no dia da oferenda ou 1 dia antes, não retire da embalagem plástica e coloque-a dentro de um vidro, (tipo o de maionese grande).
O banho de descarrego também pode ser tomado um dia antes, sempre do pescoço para baixo e depois do banho de higiene, nunca antes.
• O local da entrega, deve ser escolhido e visitado previamente, e também já deixe definido mais ou menos, o dia e a hora da entrega, de modo que a entidade também já esteja preparada para o recebimento.
• Não faça entregas em locais perigosos, procure um Terreiro que ofereça possibilidade de receber entregas, mesmo que não solicitadas por eles. Alguns têm em sua área externa, locais para oferendas. Se não for possível, procure um jardim, bosque, campo, mata, cachoeira, rio ou parque e visite previamente.
• As oferendas para Exú, tradicionalmente são entregues em encruzilhadas abertas, mas o ideal é que essas encruzilhadas sejam de chão batido, sem asfalto e longe de prostíbulos, açougues, manicômios, hospitais, boates, bares, cemitérios, delegacias e presídios, entre outros.
• Devido às dificuldades para encontrar encruzilhadas adequadas, têm-se preferido realizar as entregas em sítios (locais) puros da natureza, como os já citados acima. O problema é a poluição que gera com materiais não orgânicos, como as garrafas.
Um opção é utilizar todo o líquido no local, e recolher a garrafa, bem como os demais materiais. Nesse caso o alguidar onde será colocada a oferenda pode ser substituído por folhas de bananeira, couves ou as próprias folhas de mamona.
• Outro cuidado que se deve ter é que as velas fiquem bem firmes e apoiadas em forminhas de alumínio (tipo as de empadinhas) para não causar incêndios.
• E por último, mas não menos importante, é o horário da entrega, evite entregas noturnas, isso de Exú só trabalhar e receber oferendas á noite é um mito.
• Nunca faça oferenda, visando prejudicar alguém, pois quem irá recebê-la e realizar o que você pediu não é um EXÚ GUARDIÃO e sim um KIUMBA (espírito atrasado) VOCÊ PODE CONSEGUIR REALIZAR SEU PEDIDO CONTRA ALGUÉM, MAS SERÁ PUNIDO COM LIGAÇÃO A ESSE ESPÍRITO QUE IRÁ INFERNIZAR A SUA VIDA TAMBÉM, E AUMENTARÁ A SUA LIGAÇÃO À ESSA PESSOA QUE TANTO ODEIA. PENSE BEM!!!
EXÚS GUARDIÕES DE LEI, NÃO FAZEM O MAL.
A UMBANDA NÃO FAZ OFERENDAS COM CARNE, O AXÉ ANIMAL PODE SER SUBSTITUÍDO POR OVOS.
A BEBIDA UTILIZADA NÃO É PARA A ENTIDADE FICAR BÊBADA, O ÁLCOOL TEM SUA FUNÇÃO MAGÍSTICA DE TRANSMUTAÇÃO E ELIMINAÇÃO DE ENERGIAS DELETÉRIAS.
OFERENDA 1
ELEMENTOS:
1 alguidar número 2
500g de farinha de mandioca branca
1 vidro pequeno de azeite de dendê
7 pimentas (dedo de moça in natura)
1 cebola cortada em rodelas não muito finas
3 ovos cozidos, cortados ao meio no sentido do comprimento
1 garrafa de aguardente
3 charutos
4 velas (metade preta , metade vermelha)
1 vela de Ogum (metade vermelha e metade branca)
3 folhas de mamona ( se for possível conseguir, melhor)
PREPARO
Lavar o alguidar e colocar a farinha, misturada com um pouco de aguardente e um pouco do dendê, fazendo uma farofa, não muito úmida, apenas para dar liga.
Deixar lisa e compacta no alguidar .
Colocar os ovos, as fatias de cebola e as pimentas, intercalando.
Cobrir com filme plástico. e levar numa sacola em separado dos demais materiais.
Numa outra sacola levar: as velas (cuidado pra que não estejam quebradas ou trincadas)
a aguardente (abridor de garrafa), os fósforos, os charutos e o abridor.
ENTREGA
Exú é o Senhor das Encruzilhadas, mas o Orixá Ogum é o Senhor de todos os Caminhos.
No local da entrega, antes de começar, acenda 1 vela vermelha e branca para saldar o Orixá Ogum. Em seguida, acenda 1 vela vermelha e preta para o Exú Guardião do local, pedindo: licença e permissão para a realização da entrega.
Em seguida
Forre o chão com as 3 folhas de mamona, formando um triângulo, e posicione o alguidar no centro. Retire o filme plástico, e regue o padê (nome da oferenda) com o azeite de dendê ( regue bem mas não encharque ).
Acenda os três charutos e os coloque em cima do alguidar, com as brasas para fora, formando um triângulo, na mesma direção das folhas de mamona.
(ou seja, quando você formar o triângulo com as folhas de mamona, ele deve ser feito de modo que os cabos fiquem para fora, 2 folhas de lado e 1 em cima, e os charutos acompanham essa formação, só que dentro do alguidar e com as brasas para fora da oferenda)
Abra a aguardente, primeiro derrame um pouco em volta da primeira vela acesa, que é a do Exú Guardião do local. Em seguida, derrame um pouco em volta do alguidar e deixe o restante dentro da garrafa aberta, ao lado da oferenda.
Por último acenda as 3 velas, também em forma de triângulo, cada um na ponta da direção de cada charuto.
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OFERENDA 2
ELEMENTOS:
1 alguidar número 3
(3 folhas de mamona, se possível) ou 1 folha de bananeira, para servir de base de forro no chão.
500g de farinha de milho
3 figos in natura, inteiros e com as cascas
1 pimentão vermelho, cortado em rodelas
1 vidro pequeno de azeite de dendê
100g de azeitonas verdes sem caroço
7 dentes de alho
4 velas (metade vermelha, metade preta)
1 vela (para Ogum) metade vermelha, metade branca
3 charutos (de boa qualidade)
1 garrafa de vinho branco
PROCEDER COMO A PRIMEIRA OFERENDA
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OFERENDA 3 ( APRECIADA POR SER MUITO ENERGÉTICA)
ELEMENTOS:
3 folhas de mamona ou 1 folha de bananeira
1 alguidar número 3
500g de amendoim moído ou triturado cru e sem cascas
1 cebola grande ( ou duas menores) , cortada em rodelas grossas
4 kiwis com casca, cortados no sentido do comprimento (por cima da farofa)
1 vidro pequeno de azeite de dendê
1 embalagem pequena de água de coco
3 colheres de sopa de açúcar mascavo
4 velas (metade vermelha, metade preta)
1 vela para Ogum (metade vermelha, metade branca)
3 charutos (de boa qualidade)
1 garrafa pequena de vinho tinto seco
PROCEDER COMO A PRIMEIRA OFERENDA
Nesse caso, a farinha de mandioca, é substituída pelo amendoim (moído ou triturado)
FAROFA OU PAÇOCA DE AMENDOIM
Misturar no alguidar o amendoim com um pouco de dendê e água de coco e o açúcar mascavo, até dar liga.( Enfeitar com as rodelas de cebola e s 8 metades de kiwis).
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OFERENDA 4
ELEMENTOS:
3 folhas de mamona ou 1 folha de bananeira
1 alguidar número 3
500g de farinha de mandioca branca
3 ovos crus
3 bananas d’água
1 vidro pequeno de azeite de dendê
7 pimentas dedo de moça
1 cravo vermelho (cortado na altura da lapela, sem despetalar)
3 charutos de boa qualidade
4 velas metade vermelha, metade preta
1 vela metade vermelha, metade branca para SALDAR OGUM
1 garrafa de 500ml de caldo de cana (proceder como se fosse aguardente, o caldo de cana deve ser comprado próximo a hora da entrega e ficar na geladeira)
PROCEDER COMO A PRIMEIRA OFERENDA
Essa farofa é feita no alguidar com a farinha crua misturada com o dendê e os 3 ovos crus até dar liga. Em seguida, coloque as 3 bananas sem cascas, formando um triângulo e no meio desse triângulo, coloque o cravo vermelho. Coloque as 7 pimentas fazendo um círculo em volta das bananas.
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OFERENDA 5
ELEMENTOS:
3 folhas de mamona ou 1 folha de bananeira
1 alguidar número 3
500g de trigo moído (para kibe)
3 colheres de sopa de azeite de dendê(para misturar com o trigo)
3 colheres de sopa de azeite de oliva (para misturar com o trigo)
3 colheres de sopa de melado de cana (se não conseguir, use 3 colheres de mel)
Para regar a oferenda, depois de montada.
1 cebola grande cortada em rodelas grossas (por cima da farofa de trigo, enfeitar)
1 pimentão vermelho cortado em rodelas (evite quebrar as rodelas) enfeitar
2 laranjas cortadas em 4 cada uma, no sentido do comprimento (enfeitar)
3 charutos de boa qualidade
4 velas metade vermelha e metade preta
1 vela metade vermelha e metade branca para Ogum
1 garrafa de vinho tinto
(abrir a aguardente e derramar em volta da oferenda e deixar o resto, na garrafa aberta. ao lado da oferenda.
Depois de fazer a farofa com o trigo moído, o dendê e o azeite de oliva, arrumar no alguidar e enfeitar com as cebolas, laranjas e pimentões intercalados, regar tudo com o mel.
PROCEDER COMO A PRIMEIRA OFERENDA
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OFERENDA 6 (ESSA OFERENDA É SIMPLES E MAIS BARATA)
ELEMENTOS:
3 folhas de mamona ou 1 folha de bananeira
1 alguidar número 1
250g de farinha de mandioca
3 colheres de sopa de azeite de dendê
3 pimentas dedo de moça
1 caqui , lavado, inteiro e com casca (em cima da farofa, no centro)
1 charuto
2 velas metade vermelha e metade preta (1 acender para o Exú Guardião do local da entrega e a outra para o Exú que você está ofertando)
1 vela branca comum para Ogum
1 garrafa de 500ml de caldo de cana (proceder como se fosse aguardente)
AS VELAS DEVEM SER ACESAS, NA SEGUINTE ORDEM:
PRIMEIRA A BRANCA PARA SALDAR OGUM
SEGUNDO UM VERMELHA E PRETA PARA PEDIR LICENÇA AO EXÚ DONO DO LOCAL
TERCEIRA: UMA VERMELHA E PRETA PARA O EXÚ QUE ESTÁ RECEBENDO A OFERENDA
PROCEDER COMO A PRIMEIRA OFERENDA
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OFERENDA 7
ELEMENTOS:
3 folhas de mamona ou 1 folha de bananeira
1 alguidar número 3
250g de castanha do Pará (sem cascas) Colocadas no fundo do alguidar
3 carambolas inteiras OU 4 kiwis cortados ao meio no sentido do comprimento e com as cascas
3 bananas inteiras e sem cascas
3 pimentas dedo de moça
3 colheres de sopa de azeite de dendê par regar
3 colheres de sopa de mel para regar
3 charutos de boa qualidade
1 garrafa de vinho branco
4 velas metade vermelha e metade preta (próprias de Exús)
1 vela metade vermelha e metade branca (própria de Ogum)
COLOCAR AS CASTANHAS NO FUNDO DO ALGUIDAR E S DEMAIS FRUTAS E AS PIMENTAS POR CIMA, INTERCALANDO-AS, REGAR TUDO COM O DENDÊ E DEPOIS COM O MEL.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

João e Maria - Trecho 3

Vou voltar pra casa?
- Depende o que você chama de casa moço. Sua antiga casa, essa em que tinha enquanto vivia, você não poderá mais habitar. E sua morada aqui dependerá de você e de suas escolhas.
- Como assim enquanto eu vivia?!? Eu morri?!?
- Acalme-se e cale-se moço. Ou não poderemos fazer mais nada. Quer vir comigo? Deixar este lugar e aos poucos voltar a caminhar sozinho? Se afastar das sombras?
- É o que me resta não é mesmo?
- Não. Você pode escolher ficar e se tornar escravo daqueles que o assustam.
- Prefiro nesse caso, ir com vocês. Uma hora acordo desse pesadelo. Tenho certeza.
- Amenizar a dor e o pesadelo só dependem de você. Venha comigo. Se apoie em mim e venha. Depois que lhe explicar e mostrar tudo, você decidirá de vez.
- Estou caminhando e agora à pouco estava me arrastando. Isso é coisa sua?
- É decisão sua. Como em vida, são escolhas. Aqui não é diferente. Se arrastar, definhar, sucumbir, vegetar. Ou erguer-se com fé e caminhar superando todas as dificuldades. Escolhas moço. Escolhas.
Um uivo longo é ouvido de longe. E já não parecia tão ruim ou assustador para o moço que ainda caminhava com muita dificuldade tentando entender o que estava acontecendo.
- Esse uivo. Me parece amistoso agora.
- É mesmo um lobo amigo. E a dona dele estará te esperando onde estou te levando. O lobo está acompanhando, fazendo ronda. As sombras não se aproximam da luz. Mas esperam só uma oportunidade. Todo cuidado é pouco. Estamos chegando. Faça silêncio.
- Mas não tem nada aqui, exceto esse velho cemitério ali adiante. Vai me enterrar por um acaso?
O homem todo de preto solta uma imensa gargalhada.
- Não moço. Pelo o contrário. Vim lhe tirar da cova e do abismo em que você se encontrava e se enfiou. Vim lhe mostrar onde trabalho. Agora cale-se.
- Desculpe. Estou nervoso.
- Trabalho aqui, na entrada do cemitério. E meu nome é João Caveira. Cuido de quem entra ou sai. Cuido de meus protegidos encarnados e temos muito trabalho no mundo espiritual. Muito mesmo. Já lhe explico mais. Ela está chegando pra se apresentar.
"Com essa mulher não se brinca, vem pra resolver coisa séria. É dona dos meus caminhos, ela é Mojubá, é Maria Quitéria."
- Finalmente moço, decidiu vir. Antes tarde do que nunca.
- Posso perguntar seu nome senhora?
- Muitos me chamam de moça, de Pombogira. Não sou rainha, mas também não sou puta como muitos falam. Meu nome é Maria Quitéria. Trabalho aqui no cemitério, junto ao Cruzeiro das almas. Acompanharemos você pelo cemitério, eu e João. Ao final, você deverá tomar sua decisão final.

João e Maria - Trecho 4

- Este lugar você já conhece, é um antigo cemitério. Venha, queremos lhe mostrar algo.
- Ainda não entendi porquê estou aqui se não tem nada além de túmulos e um monte de lápides velhas Seu João Caveira.
Maria Quitéria dá um sorriso e manda-o aguardar em silêncio enquanto lhe fala algumas coisas.
- Observe tudo moço. Tenha atenção e respeito com o povo da calunga pequena. Você está enxergando só o que quer enxergar. Mas abra seus olhos ou volta exatamente ao lugar onde estava.
- Não consigo parar de tremer. Quero que tudo isso passe logo. Saindo daqui vou ao hospital.
- Você ainda não entendeu mesmo né? Acha que é brincadeira e que estamos lhe pregando uma peça. Em instantes você entenderá. Vá com João adiante, atrás daquela cova aberta. Tem um túmulo e uma dessas velhas lápides. Vá com ele. Aguardarei aqui.
- Vocês vão me jogar na cova?!? É isso?!?
- Vá. Simplesmente vá e confie. O que queremos que veja é atrás da cova.
O moço e João Caveira seguem por entre as lápides e passam pela cova. João Caveira apenas faz um sinal para o moço ficar atento e olhar bem tudo ao redor. Ele então percebe e grita.
- Meu Deus!!! É o meu nome!!! Minha foto nesse túmulo!!! Como pode isso?!? Então não é um pesadelo mesmo? Eu morri de verdade? Mas como não percebi?
- Tente se acalmar. Você morreu já faz anos. Mas não aceitou e ficou preso à existência na terra. Ficou preso às pessoas que convivia, perturbando-as com sua aproximação.
- Mas nunca quis isso. Nunca foi minha intenção. Sr. João Caveira, me explique, me ajude pelo amor de Deus.
- Por não querer prejudicar e por não ter se rendido às sombras e ter pedido socorro e ajuda, viemos até você. Viemos outras vezes mas você ainda não estava preparado. O lobo que você ouvia sempre, alguns alívios sem explicação. Atuamos onde podíamos. Onde você permitia. A evolução terá auxílio, mas só depende de você.
- Eu estou no inferno, é isso? Às vezes vejo uma caveira olhando seu rosto. E Maria Quitéria me dá arrepios.
- Você ainda não viu seu reflexo. Isso é típico do povo da terra ou dos que morrem e não percebem. Não se olham e perdem seu precioso tempo apenas cuidando do reflexo dos outros. Lamentável. E depois ficam vagando, moribundos, atormentados e atormentando seus familiares. Inferno e céu são vocês que criam. O estado em que você se colocou, realmente, eu chamaria de inferno.
- Eu estou recebendo uma chance? É isso?
- Uma chance de trabalhar. Somente isso por enquanto. Uma chance de mostrar que quer evoluir e abandonar esse estado deplorável e miserável. Se libertar de todos os vícios que teve na terra. Mais por Quitéria do que por mim. Alguém acima de nós mandou-nos lhe observar. Quitéria achou que era hora também. Mas se você aceitar estará sendo vigiado o tempo todo.
- E o que tenho que fazer?
- Você deve apenas saber que irá ter a chance de aprender, pagar pelo o que fez e evoluir. É o que posso falar agora. Desse lado, o plantio e a esperança em aprender a fazer o bem. É isso, ou voltar onde estava.
- Eu estava me arrastando e agora consigo ficar em pé. Vocês não podem ser ruins.
Quitéria se aproxima e interfere com voz forte e muita seriedade.
- Não somos balcão de milagres. Somos luz. Somos guardiões. Você se levantou porquê decidiu levantar. Estava na lama por suas escolhas. Abandone esse maldito vício terreno de botar a culpa de suas escolhas nos outros. Se tudo dá certo foi sua intuição. Se dá errado é culpa dos outros. Me poupe. E não faça eu me arrepender de ter ido te buscar.
- Me perdoe Quitéria. Ficarei em silêncio e tentarei aprender. Quem sabe saia de vez desse sofrimento.
- Veremos. Veremos. E me chame de Dona Maria Quitéria. Quitéria é só pra quem eu deixo e dou liberdade. E isso você não tem.

João e Maria - Trecho 5

 Quando poderei visitar minha família? Ao menos vê-los e saber se estão bem.
- Quando estiver preparado e quando merecer. Antes disso seria um desastre.
- Mas que mal faria? Minha família me ama Sr. João Caveira. E eu os amo.
- As coisas se modificam com o passar dos anos meu caro. Não falo de amor. Falo de estar ou não preparado para ver as mudanças que a vida trouxe à sua família. Tenha calma e concentre-se em trabalhar. Na hora certa tudo ocorre.
No plano espiritual existem hierarquias e diversas falanges de trabalhos, conforme o merecimento e a evolução. Recém chegados tinham duas opções: trabalhar seguindo as ordens, respeitando e obedecendo ou então voltar às sombras. Dona Maria Quitéria iria lhe dar o primeiro trabalho.
- Venha comigo. Iremos em terra hoje, para sua primeira missão. Quero ver como se comporta.
- Onde iremos Dona Maria Quitéria?
- Onde eu disser pra você ir. Sua curiosidade me incomoda. Se ficasse mais quieto aprenderia mais. Sua boca grande lhe trouxe até o plano espiritual, lhe manteve preso nas sombras e mesmo assim você não aprende.
- Lamento. Tentarei me controlar.
- Desta vez irá comigo e João. Então observe e aprenda. Visitaremos uma família de protegidos nossos. Correm perigo e vamos tentar interferir.
- Vocês podem simplesmente impedir?
- Não, infelizmente não. Protegemos, dissipamos, alertamos e encaminhamos os espíritos negativados. Mas a decisão final, é dos encarnados. Eles decidem como querem vibrar e viver. Se vibram negativo atraem tudo o que se permitem. Nesse caso, nada podemos fazer.
Quitéria e João não faziam ideia de como o novato iria reagir. Tudo muito recente e eles já haviam mandado muitos de volta. Quem fraqueja levando a luz, fica condenado à escuridão.

João e Maria - Trecho 6

João e Maria - Trecho 6
- Está vendo e ouvindo essas gargalhadas, novato?
- Sim Sr. João. Mas por quê me chamam de novato? Eu tenho nome.
- Você receberá um nome quando e se merecer. Um novo nome. Por enquanto é só novato. Quitéria lhe chamaria de coisa bem pior. Se contente com novato.
- Essas gargalhadas são assustadoras. São iguais às que eu ouvia sempre. Quem são eles Sr. João?
- São espíritos sofredores, zombeteiros, Kiumbas. Se divertem às custas do povo que se deixa levar, se deixa manipular. Famílias inteiras se destroem na terra por conta do livre arbítrio. E eles, os Kiumbas, aplaudem. Sopram aos ouvidos dos encarnados e eles, tomados por vaidade, fúria, ódio, acabam com suas vidas.
- E como resolver isso então Dona Maria Quitéria? Convencendo eles a irem em uma igreja ou algo assim?
Maria Quitéria dá uma enorme gargalhada, balança a cabeça enquanto fuma um de seus cigarros.
- Seria muito fácil, não seria? O povo só reza quando precisa, só que nunca sabe ou reconhece que precisa. E quando descobrem, pedem e ajudamos. Depois que ajudamos esquecem da gente e dizem ainda que a culpa do mal em suas vidas é nossa. Nos chamam de coisa ruim. E lembre ainda que não podemos convencê-los a nada.
- Mas a missão de vocês então é muito difícil. Pra não dizer impossível. O que vocês fazem a final?
- Atuamos diretamente no Karma. Quem merece recebe ajuda, proteção. Sempre conforme merecimento. Cercamos com luz. Essa família por exemplo. Estamos tentando chegar, soprando soluções, coisas boas. Mas está difícil pela vibração em que se colocaram.
- E por isso ficam mais afastados Sr. João?
- Compreendeu o primeiro passo novato. Quando o mal prevalece, nos afastamos. É a lei do Karma. Quem deve paga, quem merece recebe. Você falou em rezar. Costumamos encaminhar esses sofredores em giras, sessões em terreiros de Umbanda. Mas está cada vez mais difícil atuar nesses campos.
- Ouvi muito falar mas sempre tive meus medos.
- Deixe-nos trabalhar novato e observe bem. Depois lhe falo mais coisas que você precisa saber. Você tem vontade de aprender e está entrando rápido nos prumos. Concorda Quitéria?
- Não vamos elogiar João, já me decepcionei muito. Melhor é esperar e ver se ele merece o chamado que recebeu.

Calunga - Trecho 43 - O derradeiro

"Exu é mensageiro, verdadeiro guardião, tem um velho que protege na entrada do portão, pra alguns ele é Caveira e pra outros é João."
- Suncê veio prosear velho amigo João? Quando vem até aqui é porquê a coisa tá feia.
- Salve Pai Antônio. E a coisa tá mesmo feia, o senhor não se enganou. O povo da terra insiste em apagar as luzes que acendemos e depois reclamam da escuridão.
- Mas foi sempre assim velho João Caveira e dificilmente vai mudar. O povo muda a tempada, vira as luas, mas num muda o jeito de caminhar. Acham que sabem de tudo e que sabem onde tão pisando.
- E o que podemos fazer agora por eles, quando se desesperam?
- Por eles? Ou por ele?
- Sábio Pai Antônio. Sempre sabe das coisas né?
- Não tem nada que passe no portão que suncê não saiba, mas não tem nada que se aconteça com nosso menino que eu não fique sabendo. São os impulsos, a raiva. Ele se perde aí.
- Tentei interferir, mas a cabeça dele tá um turbilhão Pai Antônio. Muita coisa na cabeça não sobra tempo pra achar as coisas no coração.
- Chama-se mágoa João. Se nada é feito do jeito dele, passam por cima dele, ele que não aprendeu a seguir regras se perde e se perde feio. É luz pros outros, mas pode ser escuridão se não cuidar. Tanto busca a paz esse povo, tanto buscam calma, tanta guerra encontram.
- Vim pedir ao senhor pra vir comigo. Ela também irá junto. Vamos tentar com que ele fique calmo e tenha decisões firmes. O que está por vir é duro, e ele precisará de toda a ajuda. O fardo é pesado.
- Como recusar ajudar um filho meu? Vamos agora mesmo. Acende um toco, faz um defumador e bota o moço da espada na proteção. É assim que ele se sustentará. Melhor que firmador é cabeça firme. Sem cabeça o povo não caminha.
- Maria está pronta e também está levando algumas coisas. Será um longo e difícil trabalho. E sem o senhor e sua sabedoria, a calma que traz pra ele, tudo fica ainda mais difícil. Ele sente o cheiro do palheiro e já se acalma.
- Poderia ser sempre assim se reparasse mais na espiritualidade e menos nos outros. Ele quer apressar o tempo de cada um. Acelera ele e os outros ficam é sem entender nada.
- Cada um tem um tempo. E ele sabe disso. Só não consegue parar com tanta coisa acontecendo. Como viver as coisas novas, se todo dia tem uma coisa nova? Sei que ele tem fé e um coração que não cabe no peito. Mas assim como o coração tem amor e fé, tem revolta e ferida.
- E quem cutuca ferida, faz sangrar né velho amigo? E quando sangra, é difícil controlar. Machuca. E filho machucado revida quando devia calar. A boca é maior que a vontade.
- Não quero interromper a conversa, mas já está na hora de irmos.
- Sim Maria. Podemos ir Pai Antônio?
- Deixa eu pegar meu toco e vamos alumiar de novo. Não tem vento que apague quando a proteção é forte.
" Era um cemitério, tério, tério, tério... "

Pontos Riscados de Exu

Pontos Riscados na Umbanda.
Cada entidade possui sua assinatura espiritual, ponto riscado proprio, particular e unico, que a (o) identifica como parte de uma falange, sua identidade, suas vibrações, campos de atualização, que forças manipula com aquele médium – o enredo do mesmo – assim como as forças que disponibilizará/atuará naquela casa/terreiro/centro em que está se manifestando com o presente médium. Existem outros pontos riscados que podem ser de puxadas de energias para deteminados fins e trabalhos; ponto de quebra de demanda, descarga, etc. Portanto, aqui está apenas uns exemplos de pontos riscados.
Esses pontos abaixo são pontos de Exú.
PONTO RISCADO DE EXU
O ponto riscado possui grande significado e valor mágico no culto de Umbanda. É através do ponto riscado que os guias contam toda sua história, sua origem e passagem do mundo material e astral. O ponto riscado é um emblema-símbolo. Os símbolos são sinais expressos de forma que dão a entender uma intenção ou trajetória humana. No caso do ponto riscado, os guias usam a pemba para poder riscar os seus pontos ou símbolos espirituais. Uma das grandes provas de incorporação na Umbanda é o ponto riscado, pois acredita-se que se uma entidade não estiver realmente bem incorporada ela não saberá riscar o ponto que a identificará das demais. A seguir uma coletânea de Pontos Riscados, por Exus bastante atuantes na Lei de Quimbanda.