quinta-feira, 3 de outubro de 2019

CONHECENDO A LINHA DOS CAVEIRAS.

Ê, Caveira, firma seu ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!

Quando o galo canta é madrugada, Foi Exú na encruzilhada, batizado com
dendê.

Rezo uma oração de traz pra frente, Eu queimo fogo e a chama
ardente aquece Exú , Ô Laroiê.

Eu ouço a gargalhada do Exú, É Caveira, o enviado de Pai Oxalá.

É ele quem comanda o cemitério, Catacumba tem mistério, seu feitiço
tem axé. Ê Caveira!

Ê, Caveira, afirma ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!

Na Calunga, quando ele aparece, Credo em cruz, eu rezo prece pra Exú,
dono da rua. Sinto a força deste momento, E firmo o meu pensamento nos
quatro cantos da rua. E peço a ele que me proteja, Onde quer que eu
esteja ao longo desta caminhada. Confio em sua ajuda verdadeira, Ele é
Exú Caveira, Senhor das Encruzilhadas. Ê Caveira !

Ê, Caveira, afirma ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!
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    Muitas pessoas não compreendem bem a linha dos Caveiras, talvez
pela extensa falta de informações, talvez pelo nome, talvez por
colocarem essa linha em algo sobrenatural, enfim, por vários motivos e
razões as pessoas, inclusive muitos umbandistas temem, evitam, e não
compreendem o trabalho de caridade dessas Entidades de Luz, conhecida
como Exús da linha de Caveira.

    Mas ao entendermos essa linha de trabalho, podemos notar que essas
Entidades sofrem uma grande demonstração de intolerância por parte de
muitos seres humanos, que tem uma mente vazia, sem informações
adequadas e verdadeiras, levando essas pessoas a temerem, não
aceitarem, e se afastarem dessas Entidades maravilhosas e sublimes,
que trabalham em prol da caridade em centenas e centenas de terreiros
espalhados por todo canto.

    O receio por essas Entidades nada mais é que a ignorância de
julgarmos algo ou alguém pela aparência, de não tentarmos entender o
porque das coisas, de não nos deixarmos refletir sobre a vida e os
caminhos tomados para chegar em certas situações.

    Para iniciarmos esse texto, gostaria de frisar muito bem um
detalhe, todas as Entidades de Luz, que levam o nome de Caveira, sejam
elas da linha masculina ou feminina, lutaram com muita dedicação,
honestidade, amor e fé pelas causas de Deus. Tomaram para si a missão
de demonstrar aos seus seguidores as palavras de esperança e fé
enviadas por Deus (Zambi), por Jesus Cristo (Oxalá), e por todos que
pregavam a paz, o amor e esperança.

    Contudo essas maravilhosas Entidades, que quando na vida terrena,
poderíamos chamá-las de Profetas e Profetisas , tinham um inimigo em
comum, independente da região que elas pregavam os caminhos para a luz
e a esperanças das pessoas que buscavam novos caminhos, esses inimigos
eram os grandes imperadores, que reinavam com mão de ferro, e não
aceitavam que nenhuma pessoa, chamadas de pessoas comuns, escravos,
ralé, entre outros sinônimos dados aos menos favorecidos, tentassem
demonstrar alguma coisa diferente as leis sangrentas desses
imperadores insaciáveis pelo poder.

    Certamente quando aparecia alguém que colocava sua fé e suas
esperanças acima das leis desses imperadores, a sentença era uma só, a
morte.


    Voltando agora a nosso tema, a linha dos Caveiras, vamos deixar
claro, que todos dessa linha, sem exceção, eram distribuidores das
graças e das palavras de Deus, cada um deles  com sua própria
história, dentro de seu tempo, de sua região, lutando contra leis
injustas e sangrentas, e claro, cada qual sendo perseguido por seu
algoz, sendo eles imperadores, governadores, senadores, enfim, aquele
que dominava a região, normalmente pela força, escravizando povos e
povos, pelo simples fato de se sentirem os mais poderosos deuses da
face da terra.

    Muitos que hoje se encontram em trabalho de caridade no reino
espiritual e dentro da linha dos Caveiras, foram tomados como "falsos
profetas", e com isso perseguidos intensamente por esses ditos
poderosos.

    Todos esses perseguidos, quando capturados, tinha um julgamento
feito em praça pública, diante de todo o povoado, e nesse julgamento,
coordenado pelo poder maior da região, eram dado duas opções ao réu,
entre as opções estaria a de dizer diante de todos que não existia um
Deus, que o poder divino eram de deuses, e esses deuses eram os
senhores do Império. e claro que assim os poderosos cresciam diante de
todo povo como únicos soberanos, no qual apenas suas leis eram
válidas, destituindo a ideia de um Deus único que era Pai Supremo de
toda a terra.

    A outra opção era não renegar o Deus único, mostrar que dentro do
ser de cada um existia sim uma força poderosa, a fé, a verdadeira fé
que levaria cada um aos braços desse senhor único. Mas, ao escolherem
essa opção, todos sabiam que uma sentença cruel era dada sem a menor
chance ao condenado, o pregador da fé, era considerado como
feiticeiro, que era adepto a bruxarias, e deveria ser queimado vivo na
fogueira em praça pública, para assim servir de exemplo a toda a
população.

    Todos da linha dos Caveiras, jamais renegaram o nome de Deus,
entregaram suas vidas, sendo queimados nas brasas ardentes, mas sempre
elevando sua fé em nome do Pai Supremo.

    Fogueiras eram armadas nas praças, no centro delas um mastro, tipo
um tronco de torturas de escravos. Profetas e Profetisas eram
amarrados nesse tronco, diante deles um algoz carrasco aguardava as
ordens finais dos imperadores sanguinários, que antes de mandar
executar o condenado queimando-os vivos, ainda faziam a última
pergunta aos réus, para demonstrar além do poder sobre tudo e todos,
mostrar ao povo mais carente que não devem abraçar causas do Deus
único, pois para esses imperadores só existiam os deuses do Império,
ou seja eles mesmos.

    Antes da execução da pena, gritavam em alto e bom som se o
condenado desejava renegar as suas crenças, e obedecerem aos deuses do
Império, mas mesmo tendo a certeza de uma morte dolorida e de extrema
covardia, nossos queridos Profetas e Profetisas renegavam com
veemência os imperadores que se julgavam deuses.

    Com isso a sentença era imposta, e nossos herois da fé eram
queimados vivos, tendo suas carnes se desprenderem de seu esqueleto,
fazendo assim com que ao serem retirados dali, seus rostos, mãos, pés
e todo o corpo pudessem transparecer apenas os ossos, com algum sinal
da carne dilacerada.

    Todos esses condenados, que não renegaram sua fé, que antes
lutavam contra os imperadores para trazer as seus seguidores uma vida
sem humilhações, sem fome, sem escravidão, foram abraçados pelo Deus
único, que os abençoaram com a divindade de voltarem aos trabalhos de
caridade aos menos favorecidos, e essa volta a caridade foi feita com
a irradiação espiritual da linha abençoada, chamada da linha dos
Caveiras.

    Esses trabalhadores dessa linha de fé, com seu grandioso poder de
humildade e fé, fizeram um pedido a Zambi, que viessem aos trabalhos
de caridade com a aparência de sua última passagem na vida terrena, no
instante de seus desencarnes, para que assim demonstrassem a
intolerância e a covardia que sofreram enquantos encarnados, por
parte dos imperadores da época, para que assim não fosse esquecido
toda aquela arrogância e maldade, e assim não deixar crescer
novamente a ideia de deuses do império, julgando, condenando e
assassinando aqueles que só tinham no coração a bondade, a
distribuição da esperança, a elevação da fé e o amor e dedicação ao
Deus Único.

    Por esse motivo é que essa linha de luz leva o nome de Linha dos
Caveiras, e todos que nela trabalham levando a fé, amor e esperança,
tem a aparência de um esqueleto. Portanto não tem nada a ver com
que muita gente sem informação prega, dizendo que quem trabalha com
essa linha, trabalha ao lado do mal, trabalha a favor da morte,
trabalha para feitiçarias ou bruxarias. Essa linha trabalha
exclusivamente para e pela caridade em nome de Zambi (Deus) e de todos
os Orixás.

    Como foi dito acima cada Entidade de Luz dessa linha, tem sua
história no tempo de encarnado, assim como todas as Entidades
trabalhadoras. Dentro dessa linha temos alquimistas, generais, padres,
condes e muitas pessoas do povo, que se entregaram a sua fé e lutaram
para mostrar a todos um Deus benevolente, amável e caridoso,
extremamente diferente dos deuses do império.

    Abaixo relacionamos alguns trabalhadores dessa linha para
entendimento e esclarecimento.

Exú Caveira: Foi um padre no século VII. Deixou o sacerdotismo no
catolicismo por não entender o domínio dos Imperadores sobre a igreja,
mesmo a igreja pregando o nome de Deus, se curvavam aos deuses do
império. Assim partiu pregando o Deus único ao povo europeu, e foi
condenado a morrer na fogueira no ano de 897 DC.

Tatá Caveira: Foi um agricultor e pastor de cabras e ovelhas na região
do Egito, durante o século V. Tinha a ideia de pregar o amor do Deus
único a todo o povo da região. Por esse motivo a aldeia onde ele vivia
foi invadida pelos soldados do império, muitos foram mortos e dezenas
aprisionados. Dentre esses aprisionados, se encontrava Tatá Caveira,
que nessa época tinha o nome de Próculo, em homenagem a um conhecido
chefe da guarda romana, junto a ele foram presos também mais 49
seguidores da crença em um único Deus, todos julgados, condenados e
queimados na cruel fogueira da intolerância. E assim foi dada a origem
de senhor Tatá e sua legião de 49 Exús da linha de Caveira.

João Caveira: Foi um fiel conselheiro de um senhor feudal na idade
média. Em um certo período, tendo ele que dar uma opinião em um caso
muito complicado no feudo, devendo ele dar um parecer para que fosse
decidido a questão, sendo esse fato algo que se fosse favorável,
de uma forma, agradaria a todos os senhores, e de outra forma ajudaria
a todos os desafortunados da região, fazendo assim a justiça acontecer
naquela região sobressaltada de injustiças. Porém ao escolher o lado
dos desafortunados, fez nascer a ira dos senhores feudais, que após
algum tempo de uma caçada implacável, foi capturado, julgado e
condenado a fogueira.

Rosa Caveira: Viveu encarnada por volta do século XXXIV, sendo ela
esposa de um renomado Senador Romano, que se utilizava do poder que
tinha para demonstrar força e prepotência sobre o povo judeu, que fora
escravizados pelo império. Rosa Caveira, que na época era conhecida
como Rosa Postumio, não compartilhava com as ideias assassinas dos
nobres daquela região. Tinha no coração a bondade, a humildade, o amor
pelo semelhante, coisa que era heresia nesse tempo. Foi vista pelos
servos e escravos como uma benfeitora, uma verdadeira heroína. Ficou
reconhecida por auxiliar, lutar e cuidar dos escravos. Com isso o
grande império, determinou que ela fosse presa, contudo com o renome
de seu esposo Senador, conseguiu a liberdade, com a promessa de que se
tentasse novamente auxiliar os menos favorecidos, seria condenada a
morte. Ela não obedecendo, retornou a caridade, e assim, foi presa,
julgada e condenada a fogueira, e seu esposo preso.

Doutor Caveira ou Sete Caveiras: Viveu entre os Gauleses pelos meados
do ano 700 A.C, e tinha já nessa época o dom de curar enfermos. Porém
era mantido em cárcere pelo império, sendo ele obrigado a só utilizar
seus dons em nobres, em guerreiros, ou em quem fosse autorizado pelo
império, que lamentavelmente não era nas pessoas menos afortunadas.
Quando Sete Caveiras conseguiu se desvincular de seu cárcere, fugindo
para as pequenas cidadelas da região, pôs em prática seus dons de cura
em favor dos adoentados desafortunados. Porém ao saber desses feitos,
os senhores do império mandaram vasculhar toda a região, trazendo o
Doutor Caveira capturado, e sem mesmo ser julgado, foi levado a
fogueira.

    Temos vários outros casos e histórias de diversos trabalhadores
pela caridade nessa linha dos Caveiras, mas deixaremos apenas esses
como ilustração.

    Finalizando gostaria de frisar que essas Entidades maravilhosas de
Luz, impõe um certo receio em algumas pessoas, mas a verdade é que
esses grandes trabalhadores da seara do Pai, são Exús incompreendidos,
pois sua aparência não representa a morte, mas sim a essência de todos
nós seres humanos, pois sabemos que todos temos uma caveira dentro de
nós. E essa simbolização representa que devemos nos livrar das coisas
mundanas, e vivermos apenas pela nossa essência.


    Salve nossa maravilhosa linha dos Caveiras!

    Salve todos os Exús e Pombo Giras da Linha dos Caveiras!

    Laroiê!!!

Carlos de Ogum.

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