quinta-feira, 26 de setembro de 2019

5º. Itan:



Em outra época, Exú ajudava Olodumare na criação do mundo, bem no princípio, durante a criação do universo. Olodumare reuniu os sábios do Orum para que o ajudassem no surgimento da vida e no nascimento dos povos sobre a face da terra, entretanto, cada um tinha uma ideia diferente para a criação e todos encontravam algum inconveniente nas ideias dos outros, nunca entrando num acordo, assim surgiram muitos obstáculos e problemas para executar a boa obra a que Olodumare se propunha.  


Então, quando sábios e o próprio Olodumare se propunha e já acreditava que era impossível realizar tal tarefa. Exú veio em auxílio de Olodumare e disse que para obter sucesso em tão grandiosa obra era necessário sacrificar 101 pombos como ebó. Com o sangue dos pombos se purificariam das diversas anormalidades que perturbavam a vontade dos bons espíritos, daqueles que queriam uma construção, que queriam uma vida melhor. Ao ouvi-lo, Olodumare estremeceu, porque a vida dos pombos está muito ligada a sua própria vida. Mesmo assim, pouco depois sentenciou; assim seja pelo bem de meus filhos, e pela primeira vez então, sacrificaram-se pombos. 


Exú foi guiando Olodumare por todos os lugares aonde se deveria verter o sangue dos pombos para que tudo fosse purificado e para que seu desejo de criar o mundo assim fosse cumprido. Quando Olodumare realizou tudo o que pretendia convocou Exú e lhe disse:


“– Muito me ajudastes e eu bendigo teus atos. Por toda a eternidade sempre será reconhecido. Exú será louvado sempre e antes do começo de qualquer empreitada, você será homenageado”.


Ensinamento: Nesse itan extrai-se literalmente o uso do ilé nos Boris, o uso do ilé nas obrigações. O ilé que acompanha a cabra, que acompanha o cabrito antes da galinha d’angola. Para louvar, para render homenagens, para limpar, para consagrar, para espalhar sobre o ori. O manto sagrado da criação do mundo, o manto sagrado da criação de uma nova vida, de um novo caminho sobre a cabeça a qual se está trabalhando. 

6º. Itan:



Em outra estória, em outro itan, Exú com certeza come tudo e ganha o privilégio de comer primeiro. Exú era o filho caçula de Iemanjá e Orumilá, irmão de Ogum, Xangô e Oxóssi. Exú comia de tudo. Sua fome era incontrolável. Comeu todos os animais da aldeia em que vivia. Comeu de 4 pés, comeu de penas, comeu de cereais, as frutas, os inhames, as pimentas. Bebeu toda a cerveja, toda aguardente, todo o vinho. Ingeriu todo o azeite de dendê, mastigou todos os obis. Quanto mais comia, mais fome sentia. Primeiro comeu tudo do que mais gostava, depois começou a devorar árvores, pastos e já ameaçava engolir o próprio mar. Furioso Orumilá compreendeu que Exú não pararia e acabaria por comer até o céu. Orumilá pediu a Ogum que detivesse o irmão a todo custo, e para preservar a terra, os seres humanos e os próprios Orixás, Ogum teve que matar o próprio irmão. A morte, entretanto não aplacou a fome de Exú, que mesmo depois de morto podia se sentir sua presença devoradora, sua fome sem tamanho nos pastos, nos mares, nos poucos animis que restaram, todas as colheitas, até os peixes iam sendo consumidos. Os homens não tinham mais o que comer e todos os habitantes da aldeia adoeceram, e de fome, um a um foram morrendo. O sacerdote da aldeia consultou o Oráculo de Ifá e alertou Orumilá quanto ao maior dos riscos. Exú, mesmo em espírito estava pedindo a sua atenção. Era preciso aplacar a fome de Exú. Exú queria comer. Orumilá então obedeceu ao Oráculo e ordenou:
“– Doravante para que Exú não provoque mais catástrofes, sempre que fizeres oferendas aos Orixás, deverão em primeiro lugar, servir comida a ele, para haver paz e tranquilidade entre os homens é preciso dar de comer a Exú em primeiro lugar.”


Ensinamento: Esse itan marca o ebó de tudo o que a boca come que é aplicado nos iniciados, é aplicado em orôs, em clientes, dependendo das circunstâncias, dependendo do estado de vida que ele se encontre, dependendo da pobreza que bate a sua porta. Esse ebó de tudo o que a boca come, é um ebó que rende homenagem a Exú, é aquele ebó tradicional que se coloca de tudo um pouco, desde açúcar, até o pó de café. Os itans, eles falam por nós, eles falam por cada estória, eles justificam cada gesto, justificam cada momento da nossa vida. Com os itans foi cultuado a história do Candomblé, com os itans foi criado momentos especiais que fazem parte do progresso individual de  cada ser humano.

7º. Itan:

Exú provocou a guerra entre famílias. Um rei e sua família deixaram de prestar as homenagens devidas a Exú e este não se deu por vencido. Haveriam de pagar bem caro pela ofensa. Exú procurou a rainha que vivia enciumada porque o rei só se interessava pela esposa mais nova. Disse-lhe que faria então um feitiço para que ela voltasse a ser a preferida do marido. Deu a ela uma faca e disse que cortasse um fio de barba do rei para fazer o tal trabalho. Então Exú, foi a casa do príncipe herdeiro e disse que o pai queria vê-lo naquela noite. Que fosse ao palácio e levasse seus guerreiros. 

Exú foi ao rei e disse-lhe que tomasse cuidado, porque a rainha planejava mata-lo naquela noite. O rei então se recolheu naquela noite, mas ficou acordado esperando e viu então a rainha entrar no quarto e dele se aproximar com a faca na mão, imaginou que ela pretendia mata-lo e engalfinhou-se com a faca na mão numa luta feroz.  O príncipe que chegava ao palácio com seus homens ouviu o barulho, os gritos e correu a câmara real com os soldados e viu o rei com a faca na mão. Faca que tirara da rainha na luta e pensou que o rei ia matar a rainha, a sua mãe. Invadiu o quarto com os soldados. Seguiu-se grande mortalidade. O preço fora pago e alto. Exú cantava, Exú dançava. Exú estava vingado.



Ensinamento: Esse itan revela que nem tudo é o que parece ser. Revela muitas vezes, que um cliente vai a mesa de jogo buscar muitas vezes, uma vingança, vai buscar uma cobrança por ciúme, a cobrança por negligência pessoal e muitas vezes não se dá a ele aquilo que ele foi buscar. Convencer de que na realidade as coisas podem ser diferentes se forem vistas de forma diferente e muitas vezes uma queimação, muitas vezes um feitiço, uma magia, por mais negra que seja possa ser mudada por um ebó de paz, aonde os conflitos são desfeitos, aonde os mal entendidos são esclarecidos, sem envolver tragédia, sem envolver dor, sem envolver lágrimas, evitando que Exú cante, que Exú dance, evitando vinganças de Exú.

8º Itan - Exú


Em outra circunstância, Olofin estava muito doente, muitos foram vê-lo, mas não se encontrou em lugar nenhum quem o curasse. 

Por esse tempo, Exú comia aquilo que encontrava, convivendo com a pobreza. Sabendo da doença então, ele seguiu. Vestiu um gorro branco igual aos que usavam os Babalaôs e foi visitar o velho rei. Levou consigo suas ervas e com o seu poder curou então Olofin. 

Orumilá ficou muito agradecido e perguntou então a Exú qual deveria ser a recompensa. Exú que conhecia a pobreza, que conhecia a fome, que provara do desprezo de todos, pediu-lhe que lhe desse primazia nas oferendas, que lhe desse sempre um pouco de tudo que desse a qualquer um e que o pusesse às estradas das casas de modo a ser sempre o primeiro a ser saudado pelos que chegassem à casa, para que fosse saudado pelos que saíssem a rua. Orumilá estava grato a Exú e deu tudo o que Exú pediu.

Ensinamento: 

Este itan revela dois lados, ele revela a abertura dos padês nas iniciações dos Xirês, dos orôs internos e nos orienta que ao contarmos para os Orixás, que ao começarmos uma oferenda, uma mesa de comidas secas ou até mesmo uma obrigação simples, uma oferenda simples como um amalá para Xangô, como um Omolocum para Oxum, ou um Acarajé para Iansã, é preciso dar também um padê para Exú para manter o itan vivo. Revela ainda nas comunhões que se fazem às mesas de Bori, aonde se retira um pouco de cada comida e oferece para que a cabeça que está tomando esse Bori coma primeiro. Essa parte é um respeito à Exú, é um enaltecimento, é pedindo a Exú que antes dos Orixás, cubra também essa cabeça com respeito e proporcionando e essa pessoa, a esse filho, aquilo que ele pediu relacionado à obrigação.

A falange dos Caveiras e o arquétipo de seus médiuns.



Exu Caveira – Trabalha no desenlace carnal em cemitérios, curando e auxiliando na transição.


Tata Caveira – Trabalha com a parte da cura física e mental em hospícios, asilos, e idosos.


Sete Caveiras – Atua no comando das linhas de Caveira, pouco incorpora.


Maria Caveira – Muito ligada a Exu Caveira trabalha com ele na cura e nos cemitérios.


Rosa Caveira – Ligada a João Caveira trabalha junto com ele em hospitais e na cura.


Exu Caveira da Porteira – Atua na proteção dos terreiros e seus médiuns, é um grande amigo e guardião, além de proteger quando outro caveira atua em locais extremamente pesados.


Quebra-ossos – Exu que cura, desfaz doenças e feitiços muito rapidamente.


Tata Mulambo – Atua junto com Tata Caveira.


Tata Veludo – Um exu que raramente incorpora é muito velho e atua tanto como caveira como Veludo, quase não anda e quando incorpora deixa os médiuns meio que sem firmeza nas pernas.


Pessoas regidas por membros da Linha dos Caveiras são pessoas que não levam desaforo pra casa, falam o que pensam, são intrépidos, não temem ninguém, gostam dos assuntos místicos, não são magricelas, mas mantém o peso nos padrões normais, nunca ficando obesos.


Possuem um defeito que é comum a todo médium dos Caveiras, nunca possuem uma boa dentição, sempre ficam desdentados, usando próteses simples ou completas, curioso isso, mas é o mais comum quando se trata de seus médiuns.


São muito divertidos, trabalhadores, mas adoram dormir, e se fosse possível, trabalhariam somente à noite, pois é o momento em que estão mais ativos. Muitos se tornam militares, seguranças, policiais, ou com profissões relacionadas às armas, bem como alguns em seu lado negativo podem enveredar para o mundo do crime.


Os médiuns dos Caveiras são avessos aos vícios, dificilmente se vê um médium dos Caveiras envolvido com drogas ou entorpecentes, por conta da energia militar que carregam se tornam muito perfeccionistas e íntegros;



Médiuns dos Caveiras são bons chefes de família, bons pais e bons esposos, comilões sem nunca engordar, brincalhões, sentimentais, são o tipo de pessoa que gosta de ajudar os outros, são capazes de tirar a própria roupa no meio da neve e doar ao necessitado. Geralmente nunca se tornam ricos, mas tem o suficiente para viver e se sustentar, gostam de automóveis mas geralmente seus carros ou motos são meio engraçados como eles, aquele tipo de carro que sempre dá problema, seja novo ou usado.


Ser médium de um Caveira de verdade é muito bom, e é sempre bom ter alguém no terreiro que seja do Caveira. É uma grande honra e com certeza sempre poderemos contar com ele para tudo que precisarmos. Para estar diante de um Caveira ou ser médium do mesmo, tem que ser sempre humilde, pois estamos lidando com o símbolo universal da real natureza humana, em que todos nós bem “lá no fundo” de nosso corpo físico SOMOS CAVEIRAS. Seu assentamento deve ser sempre nos fundos do quintal, em casa dedicada apenas aos Exús do Cemitério, onde o Caveira é o Líder maior.

Aonde estava Exú nessa hora?

Esses dia fomos questionados pelo fato de estarem acontecendo muitos homicidios dentro das casas de Candomblé ou Umbanda, no nosso Brasil.


Respondemos assim: Será que não é a insatisfação dos males feitos por sacerdotes e sacerdotizas? Será que os deuses começaram a fechar os olhos pelo desmando? Bem, no nosso endender, se isso acontece em alguma casa , é simplesmente  porque os proprietários, zeladores e zeladoras, dão caminho para a situação! 

Mas como?
Hoje, as  festas de exú são um caminho aonde as Pombo giras, e Exús, mesmo sabendo dos clientes com seus passados ou vidas tortas, os atendem em seus pedidos; e, muitas das vezes a ganância dos zeladores é tão grande, que fecham os olhos para o certo e o errado, e cultivam uma amizade entre laços por conta do dinheiro fácil, e se esquecem que certos tipos de pessoas ilícitas procuram somente o Orixá para bens próprios,  muitas das vezes para se livrarem de desafetos ou até mesmo da polícia/justiça.

O sacerdote ambicioso, se envolve, e muitas das vezes compactua com a situação,  fechando os olhos para a real situação. Até que a mão não seja mais um ponto de união entre o bem e o mal, daí o caminho para uma tragédia já está próximo, e muitas vezes sem volta. 

Daí, quando acontece a tragédia, muitos perguntam: "cadê o Exu da casa que não viu isso?" "Cadê o jogo do sacerdote que não lhe avisou do mal agouro, ou seja, respondendo cade o Exu?" Ele estará aonde ele sempre esteve,  lá nos seus acentamentos, somente observando, porque temos que fazer o correto, pois desde que a gente compactua com coisas erradas, e sabemos que é errado, os Orixás e Exús não tem nenhuma obrigação de nos defender, sendo que eles mesmos procuraram por causa de suas ambiçoes, portanto, se a pessoa passar por um enredo de morte, vai acontecer! Vai ver o que fizeram nesse meio tempo, clientes e sacerdotes: TUDO ERRADO! 

Portanto, devemos sempre procurar a autorização de nossos Inkisses, Orixás , Voduns,  Exús e Pombos Giras. Se a pessoa realmente veio em sua porta pra somar, e se não veio a somar, trate bem, dê conselhos, e ponto final.

Nem Exú, nem Pombo gira, vai lhe segurar, se você vive no erro. Lembre-se também: tudo aquilo que é seu virá nas suas mãos no tempo e hora marcada. Dinheiro fácil encurta a vida, afasta as boas energias trazendo perigo à você, e aos seus clientes/segdores.

Agora, dizer que um jogo não avisa o que vai acontecer, é ilógico. As coisas negativas caem direto em nossa mesa de jogo, as vezes voce se livra, e outras vezes voce esta condenado aquilo, pois foi voce mesmo quem procurou.

Então amigos, cuidado com a facilidade. Orixá, Exú e Pombo Gira não são facilidades. Procurem ser corretos para que sejam sempre bem visto e lembrados.

Kolofé a quem é de Kolofé,
Motumbá a quem é de Motumbá, 
Mukuiu a quem é de Mukuiu,
E a benção a quem é de benção.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Exú bebe água?


É bom lembrar que um Exu, uma pombo gira, um caboclo ou um preto velho podem beber água quando incorporados no médium, ou a água de coco. Ficar cerca de 4 horas incorporados sem se hidratar é prejudicial a saúde do médium.
Muitos acham que Exu não bebe água. Sim Exu bebe água!
Água é elemento de trabalho. Na tronqueira de Exu também tem água. Água é fonte de vida. O médium não morre durante o processo de incorporação. Incorporação não é possessão.
O Uso do fumo e do álcool não são obrigatórios durante o processo de incorporação. Não há necessidade de um “exu” consumir 10 charutos. Assim como não há necessidade de uma “pombo gira” fumar 3 maços de cigarros e tomar 3 garrafas de cachaça. Como não há necessidade de um “preto velho” utilizar 1 garrafa de vinho. Tudo é equilíbrio. Todo excesso esconde uma falta. Seja de disciplina ou conhecimento.
O fumo é utilizado para o descarrego não por vício da entidade. Vale lembrar que ao invés de utilizar o cigarro comum que as pombo gira usam é recomendando utilizar cigarrilhas ou mini charutos. Pois eles são menos agressivos e não contém o excesso de substâncias químicas que o cigarro comum têm. O charuto quando feito de ervas específicas se torna menos agressivo que o tradicional. Importante falar que a entidade, não traga charuto, ou cigarro. Elas puxam e soltam a fumaça. É bom orientar que é totalmente errado a “entidade” jogar fumaça no rosto do consulente.
Também não é ético a “entidade” servir bebida alcoólica a assistência. O álcool é elemento de trabalho. Sobre o elemento álcool, existem entidades que apenas passam cachaça na mão do médium para descarregar, sem ao menos beber um gole do seu marafo. Assim também existem entidades que manipulam água junto com aguardente, tornando um elemento forte de trabalho.
Existem médiuns que não utilizam o fumo ou bebidas alcoólicas por escolha própria que é um direito ou por algum problema de saúde e durante a gira as entidades trabalham da mesma maneira respeitando sempre o seu médium. Pois incorporação é uma troca, uma parceria entre médium e guia.
A entidade trabalha com ou sem fumo ou alguma bebida. Quem sabe trabalhar espiritualmente, a entidade descarrega com um copo de água, com uma vela, com uma erva ou apenas com um passe magnético. Entidades não carregam vícios. Não caiam nessa ah meu malandro só vem se tiver a Brahma dele hum….. Será mesmo o malandro? Meu tranca Ruas só vem se tiver o Whisky dele…. Hum será mesmo o tranca Ruas?
Vamos buscar, aprender. Nossa religião caminha evoluindo, mas alguns médiuns insistem em regredir. Nunca um espírito de luz irá prejudicar seu médium por que ele não tem um charuto ou uma bebida ou por escolher não utilizar esses elementos em conjunto com sua entidade de trabalho.
Exú ou pombo gira, respeitam o médium e suas limitações, assim como o médium deve respeitar suas entidades. A incorporação é uma parceria entre médium e guia. Havendo sempre uma sintonia de lealdade é respeito.