quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Orixá Exu na Umbanda – O Vazio – Guardiões Planetários

Existe sim a possibilidade de cultuar o “Orixá Exu” na Umbanda, de ter uma relação saudável com o Orixá Exu na Umbanda.

Para tanto, é importante desenvolver uma concepção Umbandista de quem é o Orixá Exu, assim como os outros Orixás são cultuados em outras religiões, na Umbanda nós temos a nossa maneira de cultuá-los, existe uma forma Umbandista de relacionar-se com Oxalá, Oxum, Xangô, Oxóssi, Obaluayê, Nanã, Oxumaré, Obá, que é diferente da maneira Candomblecista, diferente do Culto de Nação.

Da mesma forma com relação ao Orixá Exu, é importante desenvolver toda uma concepção, um pensamento acerca de quem é “Exu”, o “Orixá Exu” e que esse pensamento seja Umbandista.
                                                                                                                           
Quem é o Orixá Exu?

 A fundamentação do Orixá Exu, sob a ótica Umbandista, encontramos na literatura de Rubens Saraceni, o livro recomendado se chama “Orixá Exu”.

E o outro livro é “Livro de Exu”, de fácil leitura.

“Exu”, enquanto Orixá na Umbanda, não perde suas qualidades, a questão é: nós devemos entender compreender e explicar Exu não apenas por mitologia porque essa é uma forma Candomblecista, do Culto de Nação explicar, precisamos entender: Qual é o mistério de Exu? Quais são as suas qualidades? Onde ele se insere na gênese? Como identificar a presença desse Orixá na minha vida? Como ele pode me auxiliar? Como eu me relaciono com ele independente da entidade Exu que trabalha comigo?

Se eu trabalho com Seu Tranca Ruas, Seu Tiriri, Seu Marabô, Seu Capa Preta, Seu Sete Encruzilhadas, com Exu da Meia Noite, eles trazem essa força do Orixá Exu, mas, existe um contato, uma relação que se pode estabelecer de uma forma direta entre você e o Orixá Exu e a primeira coisa e mais importante é: você conseguir entender “quem é o Orixá Exu”, “onde ele atua, que campo”, “quem é o Orixá Exu na criação, na origem das coisas, na gênese”, começamos com um olhar para o Orixá Exu na “Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, ou seja, na criação, na origem: quem ele é?

Existe uma sequência lógica na gênese em que identificamos, no
início dos tempos, quando nada existia, a única coisa que era real e presente é: “Olorum”, então, Olorum ou Olodumare é “Deus”.

No início dos tempos só havia o lado interno da criação, o lado interno de Deus e ele vai se exteriorizar para gerar a criação, só existia o Criador, não havia ainda a criação como nós conhecemos, apenas o Criador, a única realidade era a realidade interna do Criador, além do Criador não existia nada – o “nada” é campo de atuação de “Exu Mirim”, o Criador manifesta a intenção que está no campo de Exu Mirim, enquanto Ele não tem a intenção de criar nada existe. A partir da intenção do Criador em realizar a criação, então, no lado externo do Criador surge o “vazio”.

O “vazio” é considerado o primeiro estado da criação, Olorum tem a intenção de realizar a sua criação e o primeiro estado que surge no exterior de Olorum é o “vazio”, este é o estado de “Exu”, pertence a “Exu”, ao “Orixá Exu” o “vazio”.

O nome “Exu” em algumas traduções é lido como a palavra “esfera” e esse “vazio” é aquilo que envolve o exterior da criação, primeiro surge o “vazio” e esse “vazio”, por dentro, é preenchido com o “espaço infinito” que pertence a “Oxalá”.

Nós temos a intenção de criar que pertence a “Exu Mirim”, o primeiro estado da criação que é o “vazio” pertence a “Exu”, esse “vazio” é preenchido, ele se torna pleno por meio do “espaço infinito”, essa é a condição para que surja a criação. Primeiro o “vazio” e depois o “infinito”, a “plenitude”, é uma dualidade, uma relação dual entre Oxalá que é o espaço infinito e o vazio de Exu, que recebeu o espaço.

Exu é guardião dos exteriores, por isso também é assentado e firmado do lado de fora, do lado exterior, ele guarda a criação do lado externo, ele é anterior a tudo e a todos, essa é a presença, o papel do “Orixá Exu” na Gênese, ele é o “Senhor do vazio”.

Entendemos que Exu é anterior a Oxalá, Exu é anterior a todos os outros Orixás. A partir do momento que existe um espaço infinito, então as coisas vão ser criadas.

 A partir do espaço infinito, vão sendo assentados todos os outros Orixás, todas as outras divindades e então começa a criação dos mundos. Essa é uma visão, um olhar sobre a Gênese Umbandista, sob esse olhar temos Exu enquanto a divindade do vazio, o Trono do vazio e ele é também Trono da vitalidade, o Trono do vigor.

 É ele quem vitaliza os sete sentidos da vida, o “Orixá Exu” é a própria vitalidade da criação, o vigor da criação, nós temos um olhar para ele enquanto o “vazio”, o olhar da “gênese” e o olhar do “mistério” vitalidade em Exu, se nós conseguimos imaginar o Trono Exu, a divindade Exu, olhar para ele e entendê-lo como o “Trono da Vitalidade” isso traz uma nova interpretação, uma nova forma de ver, enxergar e compreender o “Orixá Exu”.

Ele é a divindade que dá toda vitalidade para a criação, é ele quem nos vitaliza, quem nos dá força, quem nos dá vigor. E ao mesmo tempo ele faz par com “Pombagira”, ela é o estímulo e o desejo, ela é a força.

Ele é o vitalizador, a divindade vitalizadora da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração.

A partir daí surgem os sete guardiões maiores dos sete sentidos, nós temos o “Orixá Exu Maior” que é o Trono da Vitalidade e abaixo dele nós temos os sete Orixás Exus Planetários, o “Vitalizador da criação”, o “Trono Exu”, o “Orixá Exu” e abaixo dele eu tenho então “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Fé”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios do Amor”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios do Conhecimento”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Justiça”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Lei”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Evolução” e “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Geração”.

Desta forma nós temos: um Orixá Exu Maior que é o Orixá Exu – Senhor do vazio e ao mesmo tempo “Trono da Vitalidade”, que vitaliza os sete sentidos da vida, que nos traz a vitalidade, nos traz essa força, essa energia, daí a relação de Exu com a questão fálica por ele ser “o vitalizador”.

Ele não está entre os quatorze Tronos, os quatorze Orixás. Primeiro porque ele é anterior a tudo na criação, segundo porque Orixá Exu é um Trono a parte que vitaliza o mistério de todos os outros Orixás.

A partir desses sete Orixás Exus Maiores, temos, abaixo deles, mais quatorze Orixás Exu que são: “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxalá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Logunan”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxum”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxumaré”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxóssi”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Obá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Xangô”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Egunitá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Ogum”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Yansã”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Obaluayê”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Nanã Buroquê”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Yemanjá” e “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Omulu”.

Temos: “Orixá Exu Maior”, os sete “Orixás Exu Guardiões Planetários” e os quatorze “Orixás Exu Guardiões dos Mistérios dos Orixás”, por isso Exu é tratado à parte.

A afirmação que “Exu rege o vazio”, que “ele envolve toda a criação”, que “ele é o Guardião do lado externo da criação”, isso nos faz entender que Exu está em todos os lugares. Exu é “Senhor da Encruzilhada” porque ele está ali onde os caminhos se cruzam, onde as realidades se cruzam e ao mesmo tempo ele está em todos os lugares, não há um lugar onde não tenha Exu.

Podemos considerar a “encruzilhada” como um ponto de força de Exu porque ela simboliza os momentos da vida onde os caminhos se cruzam - a “encruzilhada” simboliza o encontro de duas realidades, a “encruzilhada” simboliza a descida vertical que cruza com uma realidade horizontal, ali está o Orixá Exu, mas, ao mesmo tempo ele está em todos os lugares.

Se eu vou à cachoeira, que é ponto de força de Oxum, ali tem o “Exu Guardião da Cachoeira”, ali está “Exu Guardião dos Mistérios de Oxum” e ali está “Exu dos Minerais” e ali está a hierarquia de Exus que trabalham na força de Oxum, tanto os espirituais quanto os naturais e os encantados.

Exu está em todos os lugares, se eu vou ao mar ali tem força de Exu, se eu vou à pedreira ali tem força de Exu, se eu vou à mata ali tem força de Exu, na terra, na água, no ar onde for tem a força e o poder de Exu.

Exu guarda a criação pelo seu lado externo, está em todos os lugares, rege um mistério chamado “Mistério do Vazio”, sem o vazio não há plenitude, não há como criar os mundos sem antes você ter um espaço vazio para ser preenchido.

Oxalá está em todos os lugares porque Oxalá é o próprio espaço infinito que faz par com Logunan que é o tempo – Logunan é o tempo / Oxalá é o espaço – Oxalá é espaço infinito, Exu é o vazio que acolheu esse espaço.

Exu é vazio e Oxalá é plenitude, os Orixás formam outros tipos de pares e não apenas aqueles pares que um com o outro formam um casal, há outros tipos de polaridades.

 Exu tem uma atuação chamada de tripolar, ele atua de forma positiva, de forma negativa e de forma neutra por isso ele é tripolar, ele é dual, ele atua a partir do aspecto universal e do aspecto cósmico, ou seja, junto e em parceria com os Orixás universais e com os Orixás Cósmicos.

Exu atua a partir do negativo de toda a criação, na sua tripolaridade e esse é o simbolismo do tridente na Umbanda, o símbolo de Exu é o tridente que traz um simbolismo antigo.

O tridente é um símbolo de força, de poder.

 O Tridente simboliza trindade, ou seja, o poder sobre uma realidade “trina”, na cultura grega esse poder está sobre a terra, o mar e o ar, ou seja, a divindade que domina a terra, aquela que domina o mar, a que domina o ar, aí está um simbolismo para o tridente.

Tridente é símbolo de poder de Shiva e, diga-se de passagem, Shiva naquela cultura Hindu sendo a terceira pessoa, tem como primeira pessoa “Brahma” que é o Criador, “Vishnu” que é o mantenedor da criação e “Shiva” é o destruidor, então ele destrói para que Brahma construa outra vez, Vishnu mantém e Shiva destrói, esse é o eterno ciclo da criação, que é: criar, manter e destruir – criar, manter e destruir – esse é o ciclo. Shiva é a terceira pessoa da trindade que tem um poder absurdo, ele não apenas é o destruidor, ele também traz um simbolismo fálico.

 Aquele que nós cultuamos como Orixá Exu, sua força fálica, a sua força de vigor, de vitalidade está presente em muitas outras culturas com outros nomes.

Na cultura grega, Hermes é irmão de Oxalá onde Oxalá aparece como Apolo.

A divindade grega chamada Apolo tem as mesmas qualidades de Oxalá e ele é irmão de Hermes que tem as mesmas qualidades de Exu.

Nas lendas, nos mitos, Exu mexe com sua emoção, mexe com seu brio, mexe com seu ego, essa é também uma relação entre Oxalá e Exu - que aqui pra nós será uma relação entre direita e esquerda: direita é a razão, esquerda é a emoção.

Exu é o “Senhor da esquerda” porque ele mexe com as nossas emoções.

São muitas informações sobre Exu que vem desde o Orixá Exu até a entidade Exu, temos o Orixá Exu que representa tudo isso: o lado externo da criação, o vazio. Por isso, ele é firmado do lado de fora da casa porque ele é o guardião do lado externo.

Orixá Exu: guardião do vazio e do lado externo da criação, guardião dos exteriores, por isso também ele é firmado e assentado do lado de fora da casa ou ao lado da porta, no caso de um Terreiro, se faz uma tronqueira que é onde está o assentamento de Exu.

Dessa forma, temos o “Orixá Exu Maior” que é guardião dos mistérios dos outros Orixás, mas não apenas isso, ele tem o seu próprio mistério, o mistério de Exu é o mistério da “vitalidade”, do “vigor”. A sua relação com essa criação é a relação daquele que guarda o vazio tendo um mistério próprio: “vitalidade” e “vigor”.

Ao mesmo tempo, temos um lado interior e um lado exterior, ele nos guarda, daí vem o dito que “Exu guarda o corpo”: “Exu Lebara” ou “Exu Bara” que quer dizer o “corpo”, a “corporeidade”. Ele nos guarda e tem uma relação íntima com aquilo que é carnal, encarnado, humano, ele tem uma relação íntima com a nossa casa, com o invólucro.

Exu é guardião de toda criação por ser o lado externo da criação. Exu é guardião dos mundos porque guarda o lado externo dos mundos. Exu é guardião do meu trabalho, do meu Terreiro porque ele guarda o externo do meu Terreiro. Exu é guardião da minha casa porque ele guarda o externo da minha casa. Exu é meu guardião porque ele guarda o meu externo, o meu corpo é o meu mundo, é a minha casa.

Existe um simbolismo entre a casa material e o corpo enquanto casa, morada da alma e do espírito. Exu guarda a minha casa, Exu guarda a minha morada, guarda meu corpo, minha corporeidade, no momento em que eu estou firmando Exu do lado de fora da casa ou na porta ou na porteira, eu estou simbolicamente firmando do lado de fora do meu corpo.

A casa simboliza o meu corpo, minha casa sou eu, no momento em que ele guarda minha casa, ele guarda a mim, esse é o lado externo. Em mim estão presentes todos os outros Orixás, a minha coroa é como se fosse a minha coroa Planetária onde estão todos os sete Tronos Maiores e a partir dos quais se desdobram os outros quatorze Tronos.

Cada um de nós é um universo, cada um de nós é o “micro” que repete o que existe no “macro”. No macro temos: uma coroa Planetária onde está Deus – na coroa Planetária está Olorum e seus sete Tronos, acima de mim eu tenho Deus e tenho a minha coroa na qual existe sete irradiações, a partir da minha coroa eu tenho sete chakras, cada um desses chakras simboliza uma das sete forças da criação, em mim estão presentes todos os Orixás.

Eu sou um “mini universo”, meu corpo é a casa e a morada do meu espírito, da minha alma, que do lado de dentro é infinito, nós somos infinitos para dentro assim como a criação é infinita para fora. Do lado de fora quem guarda é Exu, o lado interno, a guardiã é Pombagira, no meu ser eu estou ligado e conectado a todos os Orixás, eu tenho uma coroa, eu tenho os chakras que são os pontos de força em mim.

Existe uma coroa Planetária na Terra, existem os sete Tronos da coroa Planetária e os quatorzes Tronos do planeta que se manifestam pelos chakras do planeta que são os pontos de força do planeta. Exu guarda o planeta do lado externo, Pombagira guarda do lado interno. Exu é o vazio. No meio do qual, tudo foi criado ali dentro surgindo um espaço infinito, os mundos e os planetas e onde se assentam os Orixás.

Tudo isso se repete em nós, nós somos uma repetição daquilo que existe na criação, Exu é guardião da criação, guardião dos mundos, Exu é guardião do meu mundo, do meu universo, do meu trabalho, da minha casa, do meu corpo.

Temos: “Exu Guardião”, “Orixá Exu” – guardião de toda criação: o Orixá Exu -  abaixo dele sete Orixás Exu Guardiões Planetários que são guardiões dos sete sentidos, são guardiões dos sete mistérios, das sete irradiações; abaixo deles eu tenho dois para cada irradiação: Orixá Exu nos Mistérios de Oxalá e de Logunan, Oxum /Oxumaré, Oxóssi / Obá, Xangô / Egunitá, Ogum / Yansã, Obaluayê/ Nanã, Yemanjá / Omulu – quatorze Orixás Exu.

Eles são guardiões dos mistérios, tendo em si um mistério próprio, ou seja, Exu Guardião dos Mistérios de Oxalá também é um vitalizador e desvitalizador desse mistério que é o mistério de Oxalá.

Exu vitaliza ou desvitaliza ou neutraliza as ações no mistério de Oxalá e assim ele atua para toda criação. Exu é vitalidade, é vigor, mas a sua ação é tripolar, então Exu atua tanto vitalizando, quanto desvitalizando, quanto neutralizando qualquer ação, em qualquer sentido, em qualquer campo porque esse é o mistério de Exu e aqui entra o simbolismo do tridente. O tridente de Exu, ele representa a ação tripolar de Exu.

Exu de forma religiosa pode atuar e trabalhar tanto com o tridente quadrado, quanto como redondo – já entendemos que tridente não é um símbolo do mal, Exu não usa o tridente como símbolo do mal, o tridente é um símbolo mágico e poderoso, muito importante tanto que, quando se faz a magia de Umbanda por meio da pemba, quando uma entidade incorporada está trabalhando sua magia, está fazendo magia, essa entidade pega uma pemba – a pemba é um giz – com essa pemba um espírito incorporado faz símbolos e signos no chão, diz palavras mágicas, acende uma vela lá em cima, reza em cima desses símbolos e por meio dessa estrutura mágica essa entidade consegue te limpar, te descarregar, consegue fazer uma movimentação mágica.

E você vai ver que quando Exu trabalha com pemba na maioria das vezes ele faz desenhos que tem tridentes riscados no chão, tridente é símbolo, tridente tem uma simbologia mágica, ao fazer símbolos com tridentes você está trabalhando com a magia do Orixá Exu por meio das entidades que fazem esse trabalho, o tridente tem esse simbolismo de vitalizar, desvitalizar e neutralizar.

O tridente de Exu, quando está com os três dentes para baixo, o dente da direita é o vitalizador, o da esquerda é o desvitalizador e o do meio é o neutralizador, esta é a ação de Exu.

No outro lado do tridente, se eu tenho um tridente riscado e ele está voltado para baixo, na ponta do tridente do outro lado, se eu tiver uma estrela de cinco pontas, esse tridente está trabalhando na força de Oxalá; se eu tiver um coração, esse tridente está trabalhando na força de Oxum; se eu tiver uma espada, esse tridente está trabalhando na força de Ogum; se eu tiver um machado, esse tridente está trabalhando na força de Xangô, isso é magia.

Quando Exu está trabalhando no campo de Oxalá, ele está vitalizando a fé, ele está desvitalizando a ilusão e ele está neutralizando toda a ação negativa no campo da fé, esse é o campo de Exu Guardião dos Mistérios de Oxalá que está dentro do campo de Exu Guardião dos Cristais, ou seja, Exu Guardião
da fé que está abaixo do Orixá Exu Maior.

Se eu tenho o “Orixá Exu” e abaixo dele eu tenho sete Orixás Exu que é “Exu Guardião dos Mistérios da Fé”, “Exu Guardião dos Mistérios do Amor / Conhecimento / Justiça / Lei / Evolução e Geração”, o primeiro que é “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Fé” rege os mistérios, ele trabalha no campo dos mistérios de Oxalá e Logunan.

No campo de Oxalá, ele se individualiza como “Exu Guardião dos Mistérios de Oxalá” fazendo par com “Exu Guardião dos Mistérios de Logunan”, são dois.

 Oxalá trabalha no campo da “fé universal”, Logunan no campo da fé que é o “cósmico”, Oxalá atua amparando a fé na vida do ser humano, sustentando a fé, o contrário da fé é o “fanatismo”, a “ilusão” – o “fanatismo” é o vício no campo da fé, “Exu Guardião dos Mistérios da Fé” tem a condição de vitalizar a fé no ser humano, ele tem condição de desvitalizar a ilusão do ser humano, ele tem condição de neutralizar a ação negativa no campo da fé e assim são todos os Exus entidades que trabalham na força de Oxalá porque estão sob amparo do “Exu Guardião dos Mistérios dos Cristais”.

Temos Exu nos mistérios de todos os Orixás porque é Exu quem vai vitalizar e desvitalizar a “fé”, vitalizar e desvitalizar o “amor”, vitalizar e desvitalizar o “conhecimento”, vitalizar e desvitalizar a “justiça”, vitalizar e desvitalizar a “lei”, vitalizar e desvitalizar a “evolução”, vitalizar e desvitalizar a “geração”.

No campo da “fé” nós temos Oxalá e temos Logunan, quando Exu trabalha no campo de Oxalá, ele está vitalizando a fé, está desvitalizando a ilusão. O campo de Logunan é o campo cósmico, Exu vitaliza a religiosidade e desvitaliza o fanatismo.

 “Exus de Oxalá” trabalham no campo de atuação de Oxalá com os mistérios de Oxalá.

 “Exus de Logunan” trabalham no campo dela, por exemplo, “Exu do Tempo”, se o campo de Logunan é o campo “cósmico”, campo que lida com a religiosidade do ser, ela é retificadora – Oxalá é amparador, Logunan é retificadora no campo da fé, os Exus que trabalham no campo de Logunan são aqueles que vão lidar de forma direta com o fanatismo religioso, por exemplo, que entra nesse desvio, nesse desequilíbrio do campo da fé.

A partir daí surgem as hierarquias de Exu: “Orixá Exu”, os “sete Tronos”, “quatorze Exus Guardiões dos Mistérios dos Orixás”.

 Somos influenciados pelo que vem de fora e nós temos qualidades, vícios e virtudes que vem de dento pra fora, Exu atua a partir do lado externo da criação, mas ele também trabalha os nossos sentidos, os nossos sentimentos.

Quando fazemos mal uso a um sentido da vida, o mistério Exu atua fazendo com que aquele sentido passe a ser desvitalizado, então você vai perdendo a vitalidade num sentido da vida que foi dado mal uso, isso é uma ação de Exu.

Da mesma forma, nós pedimos para desvitalizar toda ação negativa que está atentando contra um dos sete sentidos da vida em nós.

Se você está passando por dificuldades no campo da fé, isso pode ter duas razões: você pode estar passando uma dificuldade no campo da fé por algo que vem de dentro para fora, ou seja, uma dificuldade interior sua; você pode estar passando uma dificuldade no campo da fé por uma ação externa, por um ataque, por uma agressão, por um desequilíbrio do meio.

De qualquer forma, se isso é algo que vem de “dentro pra fora” ou de “fora pra dentro” tem uma lição, tem algo a ser aprendido a lidar ou com seus desequilíbrios internos ou com a ação externa que veio para lhe agredir, para lhe desequilibrar, aí entra Exu.

O primeiro “Exu Guardião Planetário” como aquele que vitaliza ou desvitaliza a Fé, ele tanto “vitaliza a fé”, quanto “desvitaliza a fé” e também atua na ilusão e no fanatismo.

Se eu estou passando por um momento de dificuldades no campo da fé, eu posso fazer um agrado ao “Exu Guardião dos Cristais”, se eu estou passando por uma demanda no campo da fé, ou seja, se existe um ataque espiritual no campo da fé, isso se dá no campo de um dos Exus que atuam na força de Oxalá.

 Assim como, se eu tenho uma dificuldade no campo da religiosidade, isso se dá por um dos Exus que atuam no campo de Logunan. No dia-a-dia de Terreiro muitas vezes isso aparece como demanda de Exu Sete Coroas, por exemplo, é um Exu que trabalha no campo de Oxalá, demanda de Exu Sete Cabeças é um Exu que trabalha no campo de Oxalá , demanda de Exu Maioral é um Exu que trabalha no campo de Oxalá, demanda de Exu Sete Encruzilhadas é um Exu que trabalha no campo de Oxalá, demanda de Exu do Tempo é um Exu que trabalha no campo de Logunan, demanda de Exu Sete Capas é um Exu que trabalha no campo de Logunan, demanda de Exu Sombra, que trabalha no campo de Oxalá também.

Isso chega pra você como se fosse uma entidade demandando contra você, mas o que existe de fato é: primeira coisa a entender, nenhuma entidade pode ter algo pessoal contra você porque não é seu amigo, não é seu conhecido, não vive com você, não tem relação com você, não pode ter nenhum problema pessoal com você.

Quando alguém diz que você tem uma demanda de um Exu em cima de você, primeira coisa a se pensar: aquela entidade não pode ter nada pessoal contra você, então, ou teve um trabalho feito, ou alguém fez um trabalho para lhe prejudicar ou tem algum desequilíbrio interno seu que atraiu essa ação negativa pra você.

Quando nós agimos de má fé, quando nós erramos, a Lei Maior e a Justiça Divina já encaminham uma entidade pra desvitalizar aquele sentido da vida em nós, já encaminham uma entidade que vai atuar naquele campo da vida e muitas vezes isso aparece como se fosse uma demanda.

Se for externo, se for uma demanda, uma magia negra feita no campo da fé, então não importa como foi feito, pode ter uma magia negra feita dentro da cultura africana, uma magia negra feita a partir de técnicas da cultura europeia, uma magia negra feita a partir de técnicas e conhecimento do Catolicismo – como antigamente se fazia: missa invertida – se usa elementos daquela cultura, invertem-se aqueles elementos pra atingir alguém, então se chega ao campo da fé, chega ao campo de algum Exu que atua na força de Oxalá.

 Na hora de identificar isso, pode ser que seja atuação de “Exu Sete Cabeças”, se entra no campo de Ogum pode ser identificado como “Exu Tranca Ruas” porque está no campo de Ogum, se entra no campo de Xangô é “Exu do Fogo” porque está no campo de Xangô, então é identificar a demanda.

Quando se identifica quer dizer que você está com problema naquele sentido da vida, o sentido da fé. Isso é interior ou exterior, se é interior é um desequilíbrio seu, se é do exterior é alguém do exterior demandando contra você.

A tripolaridade de Exu no “campo da fé” diz assim: “Exu dos Cristais” vai vitalizar a sua fé e vai desvitalizar a ilusão, desvitalizar o fanatismo e neutralizar toda ação negativa no campo da fé, então essa é a função de “Exu Guardião dos Cristais”.

Se você está passando uma dificuldade no campo da fé seja ela interna ou externa você pode fazer um agrado para o “Exu dos Cristais”.

Se for por uma dificuldade interna, eu estou em desequilíbrio ou eu estou vivenciando um vício no campo da fé, pra eu sair dessa condição eu peço ajuda a um “Exu de Oxalá” ou um “Exu de Logunan” ou ao “Senhor Exu Guardião dos Cristais”.

Se for externa, ele vai neutralizar a ação negativa que vem de fora como uma demanda para me atacar, se houver uma demanda e isso aparecer como demanda de “Sete Cabeças” ou “Sete Coroas” ou “Sete Encruzilhadas”, tem dois caminhos: como ele não tem nada de pessoal contra mim, impossível ele ter algo pessoal contra mim porque ele não faz parte do meu convívio, então ele veio por uma ação mágica, por uma determinação, por um trabalho firmado, por uma entrega, por um despacho, por alguém que trabalhou em cima da força dele, do nome dele ou alguém que fez uma magia que não tem nada a
ver com Exu, mas se criou no campo dele e ele aparece dizendo: “Tem uma demanda no campo de Sete Encruzilhadas”, por exemplo, basta eu fazer uma oferenda pra ele porque isso é magia, fazer uma oferenda, um agrado pra ele e ele será encaminhado.

E eu não tenho que oferendar com princípios de magia negra mesmo que isso tenha sido feito contra mim, eu faço um agrado, uma oferenda com os princípios da Umbanda que usa bebidas, velas, flores, frutas e elementos como: a garrafa de pinga, sete velas, um charuto, cravos vermelhos, um prato de farinha ou de farofa que pode estar com dendê, pode estar com pinga, ofereço isso para aquele Exu e peço a ele que corte que neutralize toda ação mágica no campo dele na minha vida e que leve de volta ou que apenas recolha o que foi colocado e isso sempre funciona porque é magia e peço que seja feito em nome da Lei Maior e da Justiça Divina.

 Agora, se eu estou sofrendo uma demanda no campo da fé e eu não sei no campo de qual Exu está - eu não tenho nome “Sete Encruzilhadas”, “Marabo” “Tiriri”, eu não tenho nome, “Sete Cabeças”, “Sete Coroas”, eu não tenho nome do Exu – mas, eu sei que estou sendo atacado no campo da fé que pode ser por um problema interno ou externo, então basta eu fazer uma oferenda ao “Exu Guardião dos Cristais” e pedir a ele que se for uma dificuldade interna que ele desvitalize os meus vícios no campo da fé, os meus desequilíbrios no campo da fé, que ele vitalize as minhas virtudes e as minhas qualidades no campo da fé e que ele neutralize toda ação mágica, externa que está atentando contra a minha fé, fazendo um agrado, uma pequena oferenda em campo aberto.

Esse mistério da criação se sustenta a partir do Orixá Exu que é um vitalizador, desvitalizador e neutralizador de tudo na criação. A partir do Orixá Exu, o seu primeiro Exu Guardião, que é o Guardião da Fé – se eu colocar em ordem: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo – sete Guardiões Maiores, o primeiro vai atuar nesse sentido, se tiver algum outro Exu atuando de forma negativa ele vai encaminhar.

Este é apenas um olhar pra gente começar a entender um pouco sobre o que é o “Orixá Exu”, o que são os “Exus Guardiões de Mistério”, quais são os “sete Exus Planetários” e os “quatorze Exus Guardiões de Mistério” e abaixo deles estão os “Exus espíritos” - entidades que trabalham na Umbanda - e os “Exus naturais.

Annapon

Texto baseado no curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino -

Orixá Exu Mirim (Um novo olhar – Uma possibilidade)

É um tema controverso, são questões ainda pouco conhecidas e pouco trabalhadas na Umbanda.

Exige abertura da mente, de horizontes nessa imensa diversidade Umbandista.

Tudo é uma questão de flexibilidade, deixando o “novo” entrar, uma questão de raciocinar friamente e concluir depois.

Estas são questões novas, são informações novas, esse é um novo conhecimento, é uma nova abordagem dentro da religião de Umbanda e que exige “esvaziar o copo” do conhecimento até aqui adquirido abrindo espaço às novas possibilidades.

Essas informações foram psicografadas e estão presentes num livro chamado “Orixá Exu Mirim”, é um livro pequeno da editora Madras de autoria (psicografia), de Rubens Saraceni.

O conceito de que Exu Mirim possa se identificar como um Orixá é algo novo, inusitado para alguns, porém, vale refletir, assim como sobre Orixá Pomba Gira.

Existe uma divindade regente de um mistério que se manifesta por meio das entidades exu Mirim, entidades, ou seja, aqueles que incorporam no Terreiro e se identificam como Exu Mirim, na Umbanda nós temos uma linha de crianças chamada de Êres, de Ibeji, de Cosmes, de Doun ou simplesmente de criança, como às vezes se fala “as crianças da Direita”.

Exu Mirim seria a criança da Esquerda, crianças arrelientas, irrequietas, crianças de pouca doutrina, crianças que bebem, crianças que fumam, crianças
irreverentes, crianças as quais a gente não entende muito bem como é que uma criança se comporta daquele jeito, muito menos porque é que se manifesta na Umbanda assim, crianças que não revelam muito sobre o que é que elas são, faz parte do mistério Exu Mirim ocultar as coisas.

Essas crianças não explicam muito bem o que elas são, nós carecemos de entender ao ponto de que muitos dirigentes espirituais dizem que Exu Mirim não existe, aí já é uma postura radical. Como é que você vai dizer que não existe aquilo que está manifestado, incorporado, aquilo que se apresenta por meio de um médium. Aquele médium incorpora um Caboclo, incorpora Baiano, incorpora Preto Velho, aquele médium incorpora Exu, Pombagira e aí quando ele incorpora um Exu Mirim, isso não existe?

O que está acontecendo se todas as outras entidades estão dando o aval, a credibilidade dizendo Exu Mirim vem aí. Então, Exu Mirim existir é um fato, Exu Mirim se manifestar é um fato. Quem é Exu Mirim?

O mistério ele é manifesto, irradiado, sustentado, tem por base, por fundamento uma divindade, esta divindade desconhecida que vamos chamar de: Orixá Exu Mirim, simples assim.

A divindade regente daqueles mistérios que se fazem presentes na entidade Exu Mirim que incorpora no Terreiro.

Existe um Orixá chamado Orixá Exu Mirim, ou se preferir nomeado Exu Mirim ou ainda um Orixá, uma divindade a qual nós adotamos o nome Exu Mirim para identificá-lo.

Mesmo que você não saiba quem ele é, ele sabe quem é você e entende que você está adotando esse nome para identificá-lo. Isso para nós deve bastar.

 Por onde começar? Tudo tem início por meio de uma palavra chamada gênese, então falar de Exu Mirim é falar algo que está remetido e relacionado à Esquerda, ali onde está Exu e Pombagira - “Esquerda” na Umbanda, aquilo que é relativo às nossas trevas, as nossas sombras, ao nosso negativo.

Esquerda trabalha com o nosso emocional, com o nosso inconsciente, enquanto a Direita trabalha com a nossa luz, com as nossas virtudes, trabalha com o nosso consciente, com o nosso racional.

Isto não quer dizer que uma entidade de Esquerda seja ruim, não quer dizer que uma entidade de Esquerda é o mal ou que ela é as trevas, mas que ela lida com o nosso negativismo, ela lida com os nossos vícios, com as nossas dificuldades, com a nossa sombra - inclusive, fica aqui a dica para procurar no Youtube (http://www.youtube.com) um vídeo chamado “Efeito Sombra - O filme” procure isso no Youtube e assista a esse vídeo.

Faz parte das questões pertinentes a Esquerda entender o que é a nossa sombra porque as entidades de Esquerda trabalham com a nossa sombra, na gênese, ou seja, na origem de todas as coisas há um momento em que se pontua a presença do Orixá Exu Mirim na Criação de tudo e de todos, esse momento é realmente o primeiro momento da Criação, vamos agora nesse instante voltar à gênese.

No momento em que nada existia, mesmo que nada exista, ainda assim Deus já existe, então, nada existe, a única coisa que existe é Olorum. No entanto, Olorum não é ainda manifesto.

Nesse momento em que nada existe, Olorum não está manifestado. Isso quer dizer que ele ainda não se exteriorizou, Olorum está no lado interno da Criação. Nesse primeiro momento precisamos lembrar: Olorum é Deus, portanto é Criador de tudo e de todos.

O momento antes da Criação, a primeira coisa que surge em Olorum é a intenção de criar, nesse momento surge o Orixá Exu Mirim. Exu Mirim é a divindade regente do mistério do nada e das intenções.

No momento em que você tem a intenção de fazer alguma coisa ai está presente o mistério de Exu Mirim e como isso é apenas uma intenção você ainda não fez nada, você só tem a intenção, este ponto na gênese é o ponto onde se identifica e localiza o Orixá Exu Mirim.

Primeiro Olorum tem a intenção de criar no momento em que nada existe, no momento seguinte por conta dessa intenção de criar os mundos ou o universo, então surge o vazio – o “nada” mistério de Exu Mirim, o “vazio” de Exu – e no vazio o Criador cria o espaço, o infinito, o espaço pleno e a plenitude – mistério de Oxalá.

O Criador começa a se exteriorizar, Ele que está no lado interno da Criação vai se exteriorizar. E no momento que o Criador se exterioriza, ele passa a manifestar a partir de si por meio de seus vórtices, a partir de si Ele exterioriza as divindades e são criados os mundos, as realidades paralelas, os universos, as galáxias, os planetas, a vida, os seres, as criaturas, tudo é criado por meio de uma vontade de Deus, a vontade de Olorum.

Em primeiro lugar vem a intenção e depois a concretização, a realização, a construção, a criação e naquele primeiro momento, da intenção surge Exu Mirim no lado interno da criação, ele está em Deus. Exu Mirim não se exterioriza, por isso ele não é o primeiro Orixá a sair do lado interno para o lado externa da criação. O lado externo da criação é o mundo tal qual nós o conhecemos.

Tudo isso é mitologia, são lendas, não é um fato histórico, mas é uma maneira de explicar, de apresentar a qualidade das divindades perante a criação, perante a gênese, essa é a ideia.

 Exu Mirim é a intenção de Olorum. Como assim? Ele é a intenção de Olorum, exatamente - Xangô é a justiça de Olorum, Ogum é a lei de Olorum, Oxum é o amor de Olorum, Yemanjá é a geração de Olorum - Exu Mirim é a intenção, a intenção de Olorum em criar as coisas.

Exu Mirim não se exteriorizou, permanece no lado interno da criação em Olorum, por isso ele não é o primeiro. Depois da intenção surge o vazio que é a exteriorização de Exu, que é anterior ainda da Criação, por isso Exu é anterior às sete linhas, às sete vibrações, à coroa Planetária, ao assentamento.

Exu é um Orixá a parte, Pombagira é um Orixá a parte porque ela é o lado interno de todas as coisas, Exu Mirim é um Orixá a parte porque ele é a intenção de Olorum.

Quando falamos em Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim estamos falando de outros Orixás além dos quatorze Orixás. Onde estão eles nos sete sentidos da vida? Em todos os sete sentidos da vida, tanto Exu, quanto Pombagira, quanto Exu Mirim.

Enquanto Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim atuam nos sete sentidos da vida: Exu a partir do vazio, da vitalidade e do vigor / Pombagira a partir do estímulo e dos desejos / Exu Mirim a partir das intenções nos sete sentidos da vida, ele rege um mistério chamado: o Mistério do Nada.

Segundo Pai Benedito de Aruanda, segundo Rubens Saraceni, em sua obra Orixá Exu Mirim, nós temos uma afirmação antiga e aceita na religião de Umbanda que é: “Na Umbanda sem Exu não se faz nada”, a nova afirmação é: “Sem Exu Mirim nem o nada é possível fazer”, são jogos de palavras, são trocadilhos, são afirmações apenas pra que a gente possa lembrar da qualidade daquele Orixá, não é pra “Ah você está desafiando a minha inteligência? Que conversa essa de que nem o nada é possível fazer?”, não.

Exu Mirim está relacionado, associado ao nada, Exu Mirim está relacionado, associado às intenções, ele é divindade das intenções, ele é o Trono das Intenções, ele rege uma tela Planetária, vibratória relacionada às intenções. O que é que isso quer dizer? Isso quer dizer que todas as intenções de todas as pessoas vibram na tela de Exu Mirim. Da mesma forma, que o sentido de justiça de todas as pessoas e todas as suas atitudes com relação à justiça refletem na tela de Xangô.

Todas as intenções, todos os sentimentos, todas as palavras, tudo que é relativo à lei de todas as pessoas refletem na tela de Ogum. Todos os sentimentos, todas as vibrações, todas as intenções, todas as atitudes relacionadas à fé refletem na tela de Oxalá. Agora, todas as intenções em todos os sentidos da vida refletem na tela de Exu Mirim: a divindade Exu Mirim, o Orixá Exu Mirim, ele capta todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida.

Quando a gente fala em justiça, Xangô capta os sentimentos, as palavras, as ações, as atitudes no campo da justiça em todos os sentidos da vida, ou seja, a justiça com relação à fé, o amor, o conhecimento, a evolução, a geração.

Yemanjá capta todas as ações de geração, de criação, de criatividade nos sete sentidos da vida. E Exu Mirim capta as intenções: as boas e as más intenções nos sete sentidos da vida.

Aqui entra o papel do Orixá Exu Mirim, aqui entra a função – uma das funções – do Orixá Exu Mirim na criação e aí começamos falando dele na gênese e agora estamos falando dele enquanto mistério, divindade na criação.

Sua função, seus atributos, suas atribuições do mistério do Orixá é: captar todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida, quando as intenções são positivas o mistério Exu Mirim, a divindade Exu Mirim as fortalece, as energiza, as incentiva, estimula – mesmo que o mistério estimulador seja de Pombagira – por meio de Exu Mirim as intenções positivas elas são fortalecidas, estimuladas, vibradas, impulsionadas e etc. E as intenções negativas, elas são desestimuladas, desfortalecidas, as intenções negativas são captadas pela tela do Orixá Exu Mirim e aí entram outras qualidades de Exu Mirim como, por exemplo, a qualidade complicar.

Exu Mirim trabalha a questão, a atribuição complicadora, está complicado? Peça ajuda a Exu Mirim, o mal intencionado se complicou? Tem dedo de Exu Mirim, Exu Mirim também faz regredir, onde entra esse fator “regredidor”, esse verbo regredir, a função de regredir, a atribuição de fazer regredir? Faz regredir o mal intencionado, Exu Mirim faz atrasar, Exu Mirim faz retroceder, Exu Mirim faz ocultar, Exu Mirim faz esconder e Exu Mirim é “Senhor das controvérsias”.
                                                              
Orixá Exu, Pombagira, Exu Mirim são divindades duais, não são nem Universais, nem Cósmicas - a gente só fala de Orixá Universal ou Cósmico, ou seja, que tem uma atitude universal ou uma atitude cósmica, a gente fala dessa forma de atuação quando estamos falando dos Orixás polarizados, daqueles que formam pares dentro das sete linhas de Umbanda.

Na primeira vibração que é da Fé eu tenho Oxalá com Trono Universal da Fé / Logunan como Trono Feminino e Cósmico da Fé, no Amor: Oxum é Trono Feminino e Universal do Amor / Oxumaré Trono Masculino e Cósmico do Amor, Oxóssi Trono Masculino e Universal do Conhecimento / Obá Trono Feminino e Cósmica do Conhecimento, na Justiça: Xangô Trono Masculino e Universal da Justiça / Egunitá Trono Feminino e Cósmica da Justiça, Ogum Trono Universal e Masculino da Lei / Yansã Trono Feminino e ela é Cósmica na Lei, Obaluayê é Universal Masculino da Evolução / Nanã Buroquê é Feminina e é Cósmica na Evolução, Yemanjá é Feminina e é Universal na Geração / Omulu é Masculino e é Cósmico na Geração – quatorze Tronos polarizados que formam pares: um Pai e uma Mãe para cada vibração, um é Universal, o outro é Cósmico.

 O Universal é amparador, o Cósmico é retificador ou reparador. O Universal ampara, o Cósmico conserta. Agora, quando a gente fala de Exu – Orixá Exu, Orixá Pombagira e Orixá Exu Mirim, eles são divindades duais e tripolares. O que isso quer dizer? Eles atuam a partir dos sete sentidos da vida também, tanto no sentido Universal, quanto no sentido Cósmico.

Exu Mirim capta as boas e as más intenções no campo da Fé, no campo do Amor, no campo do Conhecimento, do campo da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração. Exu – Orixá Exu vitaliza as virtudes, desvitaliza os vícios e neutraliza o que é negativo no campo da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução.

No campo Universal da Fé, a fé propriamente dita, o sentido da fé, o Cósmico está mais ligado a religiosidade e Exu atua nos dois campos. No campo do Amor, a gente tem o amor no sentido Universal e no sentido Cósmico e Exu atua nos dois campos.

A mesma coisa Exu Mirim, atua no campo dos quatorze Orixás captando as intenções das pessoas, uma boa intenção no campo da Fé é uma intenção que vai encontrar em Exu Mirim uma força para que seja trabalhada, seja concretizada, para que seja realizada.

No campo do Amor, uma boa intenção encontra em Exu Mirim força para ser realizada, para ser concretizada, agora uma intenção negativa encontra em Exu Mirim uma força pra fazer a pessoas regredirem, uma força que faz paralisar, uma força que vai criar confusão naquele que é mal intencionado.

Exu Mirim pode criar a controvérisa no caminho da pessoa mal intencionada, no entanto Exu Mirim também cria controvérsia em seu mistério, não enquanto entidade – Exu Mirim, a divindade, cria no universo, no nosso universo também para que as pessoas estimulem a sua capacidade de raciocinar, de dialogar, de encontrar alternativas para as situações.


Exu Mirim por meio da sua qualidade, da sua atribuição de ocultar, de esconder, também desenvolve nas pessoas a capacidade de procurar a força, ou seja, até onde você merece encontrar aquilo que você está procurando.

Da mesma forma que eu me relaciono com Orixá Oxalá, com Orixá Oxum, com Orixá Oxóssi, Xangô, eu posso me relacionar com Orixá Exu, posso me relacionar com Orixá Pombagira e posso me relacionar com Orixá Exu Mirim.

Esse é um ponto fundamental: a forma de eu me relacionar dentro da Umbanda com Exu não é apenas a forma tradicional em que eu só me relaciono com a entidade Exu incorporado. Quem são as entidades Exus? São aqueles que incorporam como: Seu Tranca-Rua, Seu Tiriri, Seu Caveira, Seu Quebra-Osso, Seu Sete Covas, Seu Gira Mundo, posso me relacionar com Exu Cascavel, Exu Cobra Coral, posso me relacionar com esses Exus com essas entidades, Seu Capa Preta, com Seu Veludo, estou me relacionando com Exu, mas posso me relacionar com o Orixá Exu na Umbanda.

Podemos nos relacionar com o Orixá Exu por meio de quê?

De uma vela, de uma bebida, de um charuto, de um elemento, de frutas, de farofa. A mesma coisa, eu posso me relacionar com o Orixá Pombagira, se eu conheço e eu trabalho e tenho a oportunidade de dentro do Terreiro me relacionar com Dona Maria Padilha, com Dona Maria Mulambo, com Dona Sete Saias, com Pombagira Menina, com Pombagira da Praia, com Dama da Noite, com Pombagira das Almas, com Pombagira da Sombra, com Pombagira Faceira, com Rosa Caveira, com Pombagira outras posso, mas posso me relacionar direto com o Orixá Pombagira, com a Mãe, com a divindade Pombagira com uma vela, um copo de champanhe e uma cigarrilha e esse é o ponto.

Eu posso me relacionar com o Orixá Exu Mirim, no Terreiro nós conhecemos as entidades Exu Mirim, Exu Mirim: Brasinha, Caveirinha, Pimentinha, Calunguinha, Quebra Ossinhos, Capinha Preta, Exu Mirim outros que na maioria tem os nomes dos Exus no diminutivo, assim são os Exus Mirins. Mas, eu posso me relacionar de forma direta com o Mistério Exu Mirim, com a divindade Exu Mirim.

Por que, como, quando e onde eu me relaciono com o Orixá Exu Mirim?

Em qualquer lugar, em qualquer ponto de força da natureza ou no lado externo da sua casa ou na entrada da casa, eu posso fazer uma firmeza de Exu Mirim para o Orixá e para a entidade Exu Mirim, eu posso fazer uma oferenda para Exu Mirim com o mínimo, qual é o mínimo? Uma vela, a bebida e o fumo para Exu Mirim: vela bicolor, metade vermelha, metade preta.

O que é que a gente serve para Exu Mirim? Bebidas alcóolicas e doce ao mesmo tempo, podem ser alguns licores ou simplesmente o que mais se oferece pra Exu Mirim: pinga com mel, uma vela e um copo de pinga com mel e uma cigarrilha é oferenda para Exu Mirim – oferenda no que diz respeito a um agrado - isso já serve para criar um agrado para o Orixá Exu Mirim, isso já serve pra criar uma ligação pra Exu Mirim e é uma firmeza de Exu Mirim: uma vela, um copinho do lado e uma cigarrilha, já servem de firmeza.

Para quê eu vou me relacionar com o Orixá Exu Mirim?

Nós podemos invocar e evocar os Orixás: evocar sua força - de fora para dentro é principalmente quando eu quero ajuda dos problemas externos a mim, externos ao meu ser. Invocar – de dentro pra fora é quando eu estou precisando de ajuda nas questões internas a mim. E clamar, clamar é a postura do religioso, de clamor, de chamada, de pedido, é a postura de humildade perante a divindade.

Eu posso evocar Exu Mirim, invocar Exu Mirim, eu posso clamar a Exu Mirim em nome de Deus, da Sua Lei Maior e da Sua Justiça Divina, para quê? Para me ajudar, mas em qual campo Exu Mirim vai me ajudar? Quando, meu filho, a vida estiver complicada, a gente diz assim: Complicou? Chama Exu Mirim.

Quando você perceber que as coisas não estão acontecendo, quando você se sentir retrocedendo e parece que tudo atrasa, que sempre surge uma controvérsia, que as coisas estão ocultas, escondidas, quando a vida está complicada, você chama o mistério de Exu Mirim, você evoca, invoca, você clama.

Eu elevo o meu pensamento a Deus Criador de tudo e de todos, Sua Lei Maior e Sua Justiça Divina, em nome de Deus eu clamo a presença do Orixá Exu Mirim, lhe ofereço esta vela, esse copo de pinga com mel, essa cigarrilha, clamo a sua presença e peço que receba esse agrado e me ajude a descomplicar a minha vida.

Uma oferenda, nos casos mais graves, pode ser montada assim: sete copos de pinga com mel, velas e peça a Exu Mirim que lhe ajude com um prato de farinha de mandioca com dendê, peça a ele que lhe ajude, sabendo que – segundo a minha visão, a minha palavra – embora, para Exu Mirim o que interessa é a intenção - a intenção é o que vale isso é uma afirmação de Exu Mirim – há momentos que por mais que o que vale é a intenção, em certos momentos é preciso do elemento para uma manipulação que é magia.

Umbanda é uma religião de magia, de manipulação de elemento, Exu Mirim não come, o Orixá Exu Mirim não come, não bebe, não fuma, mas o mistério, a divindade vai manipular esses elementos em seu favor.

Quem é que incorpora no Terreiro como Exu Mirim? O que é? O que são essas criancinhas que incorporam no Terreiro que se identificam como Exu Mirim?

Primeiro ponto importante: Exu Mirim é infantil, mas não é criança, há uma diferença entre ser criança e ser infantil. O que é ser criança? Criança é uma condição biológica. O que é uma criança? Uma criança é: um espírito que naquele momento está habitando um corpo que biologicamente tem em torno de três, quatro, cinco anos, até se tornar adolescente a gente se considera criança, abaixo disso a gente considera um bebê, ali é uma criança.

Pode ser um espírito velho, o espírito é velho, mas está criança por uma condição biológica, ser criança pra nós é uma condição biológica. Quando uma criança desencarna, no astral ela não tem mais um corpo carnal, então o mental dela vai voltar a uma condição de maturidade que é o normal daquele espírito que é velho, que já encarnou muitas vezes.

 Exu Mirim não é uma criança, ele é infantil. E aí chega num ponto em que nos chocamos com questões espíritas da leitura da obra de Kardec, então é um problema para um Umbandista entender questões que se chocam com a obra de Kardec porque muitos Umbandistas passaram pelo Espiritismo ou recorreram ao Espiritismo pra entender a sua relação com os espíritos.

A questão aqui é: Exu Mirim não é um espírito humano, esse é o ponto e é o ponto em que precisamos entender que não somos Espíritas – Espíritas são aqueles que seguem a doutrina de Kardec, aqueles que seguem a obra codificada por Kardec: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, são lindos, fundamentais, essenciais, importantíssimos, pra gente também; assim como é importante a obra de Chico Xavier, pra gente também, mas não é Umbanda.

Devemos ler com filtro, pra nós é tão importante quanto a bíblia Católica, é tão importante quanto Bhagavad Gita, tão importante quanto o Alcorão, mas tem uma importância maior, um peso maior porque está falando dos espíritos – mas, Exu Mirim não é um espírito humano e aí é o ponto. Ele é um ser na maioria das vezes encantado.

O que é um ser encantado?

Estamos no plano natural, um plano anterior ao natural é o plano encantado. Os seres do plano encantado são seres infantis em relação aqueles que já estão no plano natural, Exu Mirim é infantil, mas não é criança porque nunca encarnou e nunca vai encarnar.

Exu Mirim está numa dimensão paralela a nossa, é de uma realidade paralela, é de outro plano, mas ele consegue autorização pra entrar na nossa realidade por quê?

Porque isso acelera a evolução de Exu Mirim, o contato de Exu Mirim com a gente acelera a sua evolução. Ele vem da sétima dimensão a esquerda da nossa dimensão – informações da obra de Rubens Saraceni, do Orixá Exu Mirim.

 Acredite ou não, não importa. Isso faz sentido para você? Porque se Exu Mirim fosse uma criança humana, por que é que deixariam ele beber, fumar e se comportar da maneira como se comporta? É porque não é um espírito humano.

Mas, tem Exu Mirim que conta historinha de que quando foi encarnado ele era um trombadinha, quando ele era encarnado ele era uma criança de rua, quando ele era encarnado ele usava drogas ele fumava, ele cheirava.

 Não é verdade.

 O que acontece é: médiuns e consulentes que ficam pressionando Exu Mirim pra dizer: Conta-me a sua história? De onde você veio? Quem é você? Onde você morou? Como você viveu? E as pessoas que fazem essas perguntas não têm condição de entender quem ele é, não tem estrutura de cultura, de conhecimento pra entender que aquele “serzinho” não é humano.

Sendo assim, ele inventa uma história, ele conta uma história pra você parar de perguntar, pra você parar de questionar, ele diz: eu fui isso, eu fui aquilo, eu fui aquilo outro e para de me perturbar. Porque na verdade não importa quem é Exu Mirim, você não vai saber em profundidade quem é Exu Mirim porque ele é de outra realidade.

Na clarividência, Exu Mirim pode se apresentar como uma criança normal, como algo parecido com aquele “Smigol” – do Senhor dos Anéis – ele pode se apresentar como algo parecido com aquele “Gorpo” – do He-Man, que tem orelhas enormes, um chapelão - ele pode se apresentar um pouquinho animalizado, ele pode se apresentar como uma criança um pouquinho deformada ou uma criança normal ou ele pode se apresentar como ele quiser: ele é um Exu Mirim. Mas, ele não é humano, ele nunca encarnou e ele não tem os vícios humanos.

O que acontece às vezes é Exu Mirim exteriorizar os vícios, o mau comportamento, a sombra e os desequilíbrios do médium que ele está incorporando, quando Exu Mirim se apresenta muito mal educado, faltando com respeito e com atitude negativa, há de se olhar pra ver se isso é dele mesmo ou ele está exteriorizando algo do seu médium, que também não chega a ser uma mistificação – mistificar é (entenda a palavra), mistificar é você atravessar, é você de forma mal intencionada manipular, fingir ou imitar, ser um farsante em que faz de conta que está incorporado ou usa de uma incorporação pra enganar ou tirar proveito de alguém.

Animismo é a mistura de sentimentos e questões mal resolvidas do médium que de forma inconsciente se mistura na prática da manifestação mediúnica – então, há um animismo natural em que Exu Mirim às vezes exterioriza questões do seu médium que precisam ser trabalhadas, há de se doutrinar. Como se doutrina um Exu Mirim? Porque essas crianças são terríveis, são irrequietas, porque elas não param. Quem doutrina Exu Mirim? O Exu da casa.

Sempre no Terreiro o dirigente costuma ter um Exu de trabalho que é um cara bacana, conversador, doutrinador, um Exu que é um cara legal que sabe chegar junto pra conversar, pra falar das coisas do dia-a-dia, que são envolventes, alguns Exus são profundamente envolventes.

E os Exus Mirins adoram esses Exus, eles chamam de tio, pedem a benção, Exu Mirim se oferece pra ajudar Exu, inclusive porque, pelo fato de que Exu Mirim não é um humano, no trabalho prático, Exu Mirim entra em lugares que Exu não pode entrar, Exu Mirim faz coisas que Exu não pode fazer, Exu Mirim vai, resolve e volta, fez e ninguém viu, ninguém percebeu que ele passou por ali porque ele não é humano, ele entra em realidades paralelas, ele entra e sai de lugares fechados, trancados, hermeticamente fechados, Exu Mirim está lá dentro.

Exu Mirim é um mistério dentro da religião de Umbanda que não é uma criança mas, ele é infantil porque vem de uma realidade anterior, é alguém em evolução, em crescimento mas, que nunca será humano porque ele está numa paralela a esquerda da nossa realidade, ele não vai entrar na nossa realidade, mas ele se espelha nos Exus, ele aceita ser doutrinado por Exu desde que ninguém o obrigue a fazer as coisas, Exu Mirim não pode ser pressionado, ele não pode ser obrigado, não se deve bater de frente com ele, não se deve brigar com ele. Exu Mirim é conquistado, Exu Mirim é doutrinado com amor porque é assim que se deve tratar alguém que é infantil – por mais que ele não seja uma criança, ele é infantil em relação a nós, ele é um ser infantil em relação ao ser natural, ao ser humano.

Ele deve ser tratado com amor, deve ser tratado com respeito, deve ser compreendido, deve ter um Exu pra chegar nele e conversar. Porque se não houver conversa, entra o mistério de Logunan, não contra o Orixá Exu Mirim, mas o mistério de Logunan pra trabalhar um desequilíbrio religioso que tenha ali na mediação entre aquele médium e aquele Exu Mirim que está em desequilíbrio criando, complicando as coisas dentro do Terreiro, então se pede a mãe Logunan que dê um jeito nisso.

E o fato é: o modelo do dirigente, o perfil, o arquétipo do dirigente modela a prática dos demais médiuns, dentro de um Terreiro o Exu Mirim do dirigente comanda os outros Exus Mirins que trabalham na casa. Se o dirigente espiritual, o sacerdote daquela casa incorpora um Exu Mirim totalmente sem doutrina, os outros têm um modelo a seguir, esse modelo é espelhado. O dirigente espiritual numa Gira de Esquerda, se é feito uma Gira para Exu Mirim ou o dirigente está com o seu Exu Mirim incorporado ou ele está com seu Exu incorporado e aí ele coloca a doutrina na casa e ponto final. Exu Mirim é de grande ajuda dentro de um trabalho espiritual, mas o Terreiro deve ter doutrina, deve ter disciplina, deve ter ética, deve ter moral, deve ter métodos de trabalho.

 Existe Pombagira Mirim?

Existe, mas se sabe muito pouco sobre elas, possivelmente existe um Orixá Pombagira Mirim, mas é desconhecido, não há ainda informação suficiente.

Annapon
Junho/2015


(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino -)