sábado, 8 de abril de 2017

Tranca Ruas das Almas


Espíritos que atuam na lei, justiça e ordem na linha do dinheiro e da satisfação.
Sua ligação com santo Antônio se torna lógica quando entendemos que existem estes três principais nome de santo Antônio:






Santo Antônio e Almas - Itabaiana -Sergipe













Santo Antônio do Embaré - Santos - SP.










Santo Antônio do Categeró











Exu Tranca Ruas das Almas


Guardiões intercessores pelas almas humanas encarnadas e desencarnadas.
Seus espíritos falangeiros normalmente médicos, advogados, doutores em direito, medicina ou padres. Os de formação pedem um anel de ouro, os médicos pedem uma caveira de gesso na sua representação, os advogados sempre com uma espada, os padres nem sempre se afinizam com capas e podem pedir um terço, ou seu ponto tem uma cruz ou cruzeiro.
Os médicos trabalham normalmente ligados ao cemitério e cruzeiro, ao exu Caveira e sua falange, e aos espíritos de cura (André Luiz, Dr. Bezerra de Menezes), pedem em suas representações caveiras de gesso, trazem este símbolo em seus pontos riscados acompanhados de cruzeiros.
Os advogados sempre ligados ao ouro às estradas e ao povo cigano. Pedem uma espada e facões em suas representações, sempre há uma espada em seus pontos riscados. Podem também colocar uma estrela de seis pontas.
Os Padres citam a bíblia, e gostam de magias ligadas à igrejas, e ligam se diretamente ao Sr. Lúcifer. Sempre há uma cruz ou um cruzeiro em seus pontos riscados, e podem ter estrelas de cinco pontas.

As representações de Tranca Ruas sempre pedem muito ouro, imã com muitas moedas, perfumes amadeirados, um terço (fundamento de Santo Antônio).

Suas bebidas sempre são bebidas finas: Batidas de coco, uísque, conhaque de gengibre, etc...

Uma oferenda ao Tranca Ruas para abrir caminhos para a riqueza e vitória

Em uma folha de mamona roxa colocar sete mangas espada picadas, enfeitar com folhas de louro, colocar por cima sálvia picada, um orobô ralado, regar mel e assoprar açafrão por cima. Acender um charuto e uma vela, passe pelo corpo 10 moedas de cobre e colocar por cima.Antes de arriar molhe a terra com um copo de água e uma dose de bebida, e depois dendê(para acalmar os espíritos ancestrais). Arriar embaixo de uma árvore frondosa que dê frutas (de preferência uma mangueira). Assopre o açafrão à sua frente, ao seu lado esquerdo, nas suas costas, do seu lado direito e para cima fazendo os seus pedidos. Se puder dê um abraço na árvore como se fosse o próprio exú e converse com ele afirmando os pedidos. Ao chegar em casa banhe-se com louro e açafrão (da cabeça aos pés, para o seu ori e seu anjo da guarda se fortalecerem).

Para lavar as ferramentas do seu Tranca Ruas pedindo riquezas, dinheiro e saúde:
Uma garrafa de gim colocar dentro um pedaço de ouro, cravo-da-ídia com cabeça, mel, açafrão, folhas de erva-tostão, uma manga espada picada, folhas de louro, folhas de anis, folhas de sândalo, um orobô ralado e um obi ralado.


Para pedir saúde: 
Passar essência de sândalo nas roupas, cartola, bengala, guia, e assentamento, tomar o banho de sândalo da cabeça aos pés pedindo ao anjo da guarda também.

Como descobrir o fundamento do seu Guia?

Muito se pergunta sobre o fundamento deste exu ou daquele, algumas observações devem ser feitas sobre o que seria este fundamento.

Quando a pessoas querem se aprofundar sobre estas questões de fundamentos, estão misturando FUNDAMENTOS que buscam no culto aos Òrìsà com os guias da lei de Umbanda.
Estes supostos fundamentos são o assentamento e preferências desta entidade.
Desde minha infância na Umbanda eu aprendi que a melhor forma de se obter o conhecimento sobre a origem do guia espiritual, suas oferendas favoritas, suas cores, talismãs, seus números, bebidas, fumos, roupas, ponto riscado, ponto cantado... é através da própria entidade. Somente o próprio TRANCA RUAS poderá dizer do que gosta realmente.
Estamos lidando com vários espíritos diferentes atuando sob o mesmo nome magístico. Para a roupa de entidade (que não precisa de roupa - segundo o Caboclo das sete encruzilhadas de Zélio Fernandino) num ritual onde o branco é o uniforme.
Mas acabamos por adicionar alguns elementos aqui e ali. Pois bem se o ritual não é puramente Umbandista que nos utilizemos das cores e roupas se forem necessárias, mas não é num artigo da internet que aprenderemos isto, e sim a própria entidade. 
O que temos é a visão da entidade através da vidência ou sonhos, e assim queremos presenteá-la com sua indumentária, para usar os dias de festa como presente por algo merecido.

O que está acontecendo no Brasil desde o candomblé até a Umbanda é uma busca de informações devida pela rapidez ocasionada pela globalização. O imediatismo. 

No culto tradicional africano era feito igual vovó fazia, desde o nascimento é sacado um odu para a criança para se saber o seu destino, para que pudesse saber as devidas oferendas e sacrifícios, se seria iniciado como sacerdote, babalawo, babalosoniyn, se faria oferendas de vez em quando ou se seria um eleègún òrìsà (iniciado no culto ao òrìsà Ogun, no culto à Sangó dentre os diversos cultos ex...).
Tudo começava no jogo do Babalawo, e daí o ori recebia os devidos sacrifícios, Orunmila respondia qual o caminho do filho neste mundo, o que ele se comprometeu com Olorun, como foi moldado o seu ori por Ajalá (moldador das cabeças e do destino). Posteriormente caso se fizesse nescessário iniciava-se no culto ao òrìsà designado por Ifá. Ou seja igual vovó falava: -Primeiro o seu anjo de guarda, meu filho!
Depois do odu do ori, é que se descobria através de Ifá o òrìsà do ori.
Hoje em dia primeiro a pessoa se senta na mesa de búzios e quer de cara saber o òrìsà que é pai e mãe, dali mesmo se pula para o odu, depois para o exú catiço, a roupa dele, a bebida, o nome todo e o endereço, o caboclo, o preto velho... 

IMAGINEM ZÉLIO FERNANDINO JOGANDO BÚZIOS E DIZENDO: -OLHA O SEU ODU É OWONRINLOGBE E VOCÊ DEVE FAZER O SEGUINTE EBO...

AGORA IMAGINEM ABIMBOLA WANDE DIZENDO NO JOGO: -ESTOU VENDO AQUI QUE O SEU CABOCLO É UBIRAJARA DA PEDREIRA, ELE GOSTA DE VINHOS E UVAS ROSADAS, ELE É IRMÃO DO CABOCLO UBIRATAN E CASADO COM A CABOCLA FULANA...

O que podemos é analisar o que aquela entidade nos trouxe, a cantiga, o ponto, o nome completo...

Tranca Rua 
O peso kabalístico deste nome é 859 = 8+5+9 = 22 = 2+2 =  4  = Elemento Fogo

Em vez de se fazer Kabalah para descobrir Òrìsà (que é africano e não tinha número e letra equivalente na língua yorubá), se faz Kabalah para a entidade de Umbanda que é brasileira, nosso alfabeto é arábico, descendente do hebraico dos judeus que praticavam a Kabalah.

Tranca Rua das Almas = 859 + 65 + 132 = 1056 = 1+0+5+6 = 12 = 1+2 = 3 Fogo e Ar

O Peso das letras na Kabalah

A = 1             Ar
B = 2              Terra
C = 3              Fogo e Ar
D = 4              Fogo
E = 5              Àse (Axé o quinto elemento, éter)
F ou TH = 400 Água
G = 7              Àse (Axé)
H = 8              Fogo
I = 10             Terra
J = 10             Água
K = 20            Fogo
L = 30              Ar
M = 40           Água
N = 50            Água
O = 6              Terra
P = 80             Terra
R = 200           Terra
S = 60              Fogo
T = 9                Fogo
U = 3                 Àse
V = 100             Água
X ou SH= 300  Fogo
W = 100           Água 
Z =  8                 Ar

T R A  N C A   R U A (S) = 400 + 200 + 1+ 50 + 3 + 1   +  200 + 3 + 1  =  859 = 22 = 4
No popular se diz tranca rua por isso tem mais equivalência o nome como era dito por nossos avós

O significado disto é 4 o número das encruzilhadas abertas, simboliza o caminho, os quatro cantos do mundo.
O fogo é o elemento da atividade, do impulso, da energia espiritual, dinamismo, aquilo que nos dá impulso para desbravar os cantos do mundo...

Pode se fazer uma oferenda para esta entidade sempre colocando este simbolismo como 22 moedas, ou 4 velas, quatro charutos... O que a intuição pedir ou o que o mesmo mandar.
Através dos números você estará deixando claro para quem é  a oferenda, o que você deseja obter e etc...

OBSERVAÇÕES:

  • Usar o nome na forma popular como se fala
  • Não utilizar o nome da linha: exu vira mundo, caboclo vira mundo... Pois estas particularidades estão contidas no ponto riscado
  • Não precisa utilizar Pomba gira Maria Padilha Rainha Das Sete Encruzilhadas, somente Maria Padilha Rainha Das Sete Encruzilhadas


Agora com o nome completo e o endereço podemos descobrir o CPF (o peso do por quê este espírito carrega este nome para trabalhar).

TRANCA RUAS DO CRUZEIRO DAS ALMAS DA KALUNGA é uma coisa particular e só quem tem vai descobrir através da conta.

Oferenda a Exu Caveira no cemitério para saúde

De dia no cemitério passe pelo corpo um mocotó cozido inteiro ou em rodelas (mas se for homem nove rodelas, se for mulher sete e um ovo de galinha da terra para passar pelo corpo e quebrar) passe frutas brancas que você goste e vá arrumando junto com o mocotó em volta de uma folha de mamona (evite usar alguidar), acenda um charuto e regue a oferenda com uma cachaça, olha para o sol e vá pedindo que assim como a luz do sol irradia o cemitério e cada habitante do planeta transformando a morte em vida das plantas e afastando as trevas que você possa sair dali transformada, inundada de saúde e positividade, irradiando saúde, cura e vida.
Ao chegar em casa tomar um banho de folhas de sândalo com um obi ralado da cabeça aos pés e acender uma vela ao Anjo da Guarda (Ori)

Com certeza os médiuns de Exu Caveira, a maioria que conheço, sente uma profunda busca para auxiliar as pessoas e curá-las ou libertá-las. São pessoas prontas para ajudar, mesmo que muitos de nós nos enfraqueçamos e às vezes nos sintamos sós, com certeza quem tem este guardião em momento algum estará sozinho pois este amigo o ajudará a fazer o desenlace, a transição para o outro plano... Assim devemos ter a coragem de levar em nossas missões um médico, que limpa, descarrega, nos deixa mais leve para que enfrentemos os fardos da vida e provações que recebemos do universo para que estejamos mais dignos da Luz e da ascensão às esferas superiores.. 

Pó de feitiço para Exu Caveira

Um Besouro seco torrado
Pó de cominho
Um pedaço de chumbo
Pedra de Vassourinha da bruxa (moída ou quebrar ela)
Enxofre

Este pó serve para afastar qualquer negatividade e se proteger, se fizer um patuá com ele coloque uma gota de azougue e uma pedra de sal grosso num saquinho e fique à vontade para entrar em giras pesadas, cemitérios, hospitais, aliás é ótimo para proteção espiritual de quem trabalha com mortos em I.M.L. E autópsia.
O pedaço de chumbo fica junto com o pó.
Caso sinta-se muito pesado assopre-o e passe em volta do corpo, não faz mal aos outros pois se assoprar em alguém esta pessoa ficará descarregada. Só fará mal ao oficiante se desejar o infortúnio do seu próximo, que com certeza é igual a você interiormente...

Feitiço no cemitério para Exu Caveira proteger contra malefícios

Numa árvore seca dentro do cemitério ou no cruzeiro ficar descalço acender uma vela preta na sua frente do lado direito e outra branca à sua frente no lado esquerdo, este é um portal para você passar algumas tiras de pano com seus problemas escritos, tudo o que não quiser mais, passe pelo corpo e atire nos pés da árvore seca ou cruzeiro dentro do portal que está à sua frente com as velas acesas, pegue uma chave e com ela nas mãos faça um sinal da cruz dizendo: Com esta chave em nome do pai, da mãe, do filho e do espírito santo, eu tranco tudo de mal, todas as doenças, todas as tristezas que me impedem de ser feliz, e entrego a chave a Exu Caveira para que tranque no seu reino as forças contrárias.
Pegue muito cominho em pó passe pelo corpo todo e assopre em direção ao portal, e as tiras de pano, passe cominho na sola dos pés... E se uder mande alguém colocar pólvora sobre as tiras de pano e dar um ponto de fogo para o Exu Caveira limpar.
Apague as velas sem assoprar, com algum objeto ou com a chave e deixe-as no mesmo lugar
Dê um pulo em direção à saída do cemitério com a chave na mão e não olha para o portal das velas...
Guarde a chave a sua casa de exu com uma fita vermelha amarrada nela (tem que ser vermelha ara afastar a morte e as doenças) e sempre que possível converse com o Exu Caveira com ela na mão. Ou ande sempre com ela em algum cordão, bolso ou patuá.

Falange de Exu Caveira e magias

A falange de Exu Caveira trabalha com muitos espíritos cada um ligado a uma fase do desenvolvimento humano. Muitos afirmam ser 21 caveiras, outros dizem ser sete.. Acredito ue devemos estudar as formações das egrégoras para então deduzir algo que não esteja em histórias...
Por isto nada melhor que conversar com vários espíritos desta falange, em cabeças diferentes de médiuns dignos e sérios com a espiritualidade.


João Caveira – Atua em desmanche de feitiços e na cura em hospitais

Exu Caveira – Trabalha no desenlace carnal em cemitérios e curando e auxiliando na transição

Tata Caveira – Trabalha com a parte da cura física e mental em hospícios, asilos, idosos

Sete Caveiras – Atua no comando das linhas de Caveira, pouco incorpora

Maria Caveira – Muito ligada a Exu Caveira trabalha com ele na cura e nos cemitérios

Rosa Caveira – Ligada a João Caveira trabalha junto com ele em hospitais e na cura

Exu Caveira da Porteira – Atua na proteção dos terreiros e seus médiuns, é um grande amigo e guardião, além de proteger quando outro caveira atua em locais etremamente densos

Quebra-ossos – Exu que cura, desfaz doenças e feitiços muito rapidamente

Tata Mulambo – Atua junto com Tata Caveira

Tata Veludo – Um exu que raramente incorpora é muito velho e atua tanto como caveira como Veludo, quase não anda ou deixa os médiuns meio que sem firmeza na perna

Alguns feitiços para a falange de Exu caveira:

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tentando Explicar o Trabalho de Exu na Umbanda



Há que se entender de uma vez por todas que Umbanda e Candomblé são religiões absolutamente distintas, que guardam muito mais diferenças do que semelhanças.
        É como querer comparar a religião Católica com a Evangélica. Existem semelhanças? Sim como, por exemplo, os nomes de alguns Orixás, mas a forma de entendimento do que seja Orixá e principalmente a forma de culto a esses Orixás é absolutamente diferente.
        Com Exu não poderia ser diferente. O Candomblé o entende como sendo Orixá ou ainda nas palavras de Pierre Verger:
         "Exu é a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano. Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos (eguns)."
        Como a nossa discussão não diz respeito as interpretações do Candomblé, visto se tratar de outra religião, nos ateremos a Umbanda onde Exu não é Orixá. Não é Orixá porque Orixá é energia emanada de Zambi (Deus), representada na terra através das Forças da Natureza. Orixá é potencia de Luz.
           Na Umbanda a origem de Exu está em função da necessidade de existirem guardiões, encaminhadores e combatentes das forças trevosas. Trabalho básico da Umbanda. Por isso se diz que "Sem Exu não se faz nada". Isso não porque Exu não deixa, porque é vingador, traíra ou voluntarioso como querem fazer pensar algumas lendas sobre Exu, mas sim porque não há como combater forças trevosas sem defesa e proteção.
           Então pode vir a pergunta: "Então nossos guias (caboclos e pretos velhos) não nos protegem e defendem?"Claro que protegem e defendem, entretanto cabe a Exu o primeiro combate, o combate direto contra as energias que circulam no Astral Inferior. Esta é a especialidade de Exu, pois conhece profundamente os caminhos e trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira, assim como a dos Caboclos e Pretos Velhos é a de nos orientar e aconselhar.
           Tudo na Umbanda é organizado, coerente e lógico.
           Tendo isso em mente, um segundo mito a ser desfeito diz respeito a confiabilidade de Exu. Como disse anteriormente, Exu não é traíra! Qual a lógica de Orixá e entidades de luz o colocarem como guardião, defensor se ele fosse "subornável", se ele não fosse confiável?
            Seguindo o mesmo raciocínio outro mito que não tem base alguma é "Exu tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem pede. Nós é que somos os maus na história". Não existe "defesa" pior para Exu do que esta, pois trata-se de outra incoerência! Se uma criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exu, conhecedor de segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o bem e do mal e o que é pior trair a confiança de Caboclo e Pretos Velhos? E ainda por cima não ter nenhum tipo de aspiração evolutiva, ou seja, ficar sempre entregue a mercê de nossa vontade nunca aspirando evoluir?
            Aí vem outra pergunta: "Mas eu fui num terreiro e disseram que o trabalho contra mim foi feito por um Tranca Ruas". Resposta: o trabalho foi feito por um obsessor se passando por Tranca Ruas. Aliás, obsessor se passa por tudo, inclusive por enviado de Orixá, como Caboclo e Preto Velho.
            E por que isso acontece? Por causa de médiuns invigilantes. Médiuns pouco compromissados com o Astral Superior, médiuns e dirigentes ignorantes. Médiuns e dirigentes que buscam os terreiros de Umbanda para satisfazer as suas baixas aspirações, como válvulas de escape para fazerem "incorporados" o que não tem coragem de fazer de "cara limpa"! Médiuns de moral duvidosa que gritam, xingam, bebem, dançam de maneira grotesca para uma casa religiosa e imputam a Exu esses desvarios. Caso estejam realmente incorporados estão na realidade é sofrendo a incorporação de kiumbas (que são espíritos moralmente atrofiados ou que buscam apenas tumultuar o ambiente). Nunca um Exu ou Pomba Gira de verdade irá se prestar a um papel desses.
            Outro ponto que gera muita confusão diz respeito a incorporação de Exu, pois já ouvi a pergunta: "Se ele é guardião, quando está incorporado não está "guardando" nada." Novamente a lógica e a coerência devem falar mais alto do que a ignorância e a incredibilidade.
O Exu Guardião não é o que incorpora nos terreiros. Os que incorporam são Exus de Trabalho (como eu costumo chamar), de defesa pessoal do médium. Esses Exus também participam dos trabalhos junto aos Exus Guardiões e Amparadores no combate as forças do Astral Inferior, mas os Exus de Trabalho tem um outro tipo de compromisso que é com a Banda do médium e para com a Casa a qual o médium está. Por isso respeitam o templo religioso e não induzem o médium a embriagues, algazarra ou a comportamentos chulos e deselegantes.
            São espíritos de luz em busca de evolução. Que estão altamente compromissados com as esferas superiores, com os guias e protetores do médium e com toda a egrégora de luz da Casa na qual o médium está inserido. Trabalhando diretamente com esta egrégora eles auxiliam no combate e encaminhamento dos espíritos que são atraídos pela corrente de desobsessão do terreiro que fazem parte. A exemplo de Nossa Casa os Exus de Trabalho de cada médium participam diretamente dos trabalhos realizados pela Corrente de Desobsessão e Cura de Caboclo Pena Branca.
            Entretanto, cabe lembrar, que o estágio evolutivo de Exu de Trabalho está abaixo de Caboclo e Pretos Velhos. Isso não significa que não sejam evoluídos apenas encontram-se num estágio abaixo. Sua energia é mais densa. Conseqüentemente a sua vibração ou energia de incorporação está mais próxima (ou mais similar) a vibração de terra, exigindo do médium um nível de elevação diferenciado do que quando vai incorporar um Caboclo ou Preto Velho ou até mesmo outro enviado de Orixá. Ou seja, quando o médium se prepara para a incorporação, ele tem que se concentrar e elevar a sua própria vibração, enquanto a entidade incorporante baixa a sua. Quanto mais evoluída for a entidade incorporante, mais sutil é a sua energia e mais exigirá do médium concentração e elevação para a incorporação.
            Outro aspecto a ressaltar é que esse estágio evolutivo não impede Exu de trabalhar conjunta e harmoniosamente com entidades mais evoluídas, até porque além de trabalharem sob as suas ordens, ou seja, sob as ordens de enviados de Orixá, a questão "hierarquia" é muito bem resolvida no Astral Superior. Lá não existem "disputas" pelo "poder" ou se questiona quem "manda". Todos estão conscientes de seus papéis e do trabalho que precisa ser realizado, além de trabalharem com um mesmo objetivo, a Caridade!
            A palavra de ordem de Exu é "compromisso"! Por tudo isso ele não é e nem nunca foi traidor ou do "mal".

Sobre a Incorporação de Exu

             Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo na alegria não há desrespeito ou comportamentos inadequados a um templo religioso. 
            E ainda vou mais longe, e o que vou dizer agora visa justamente desmistificar outro mito ligado a Exu. Quando o Exu é deselegante o médium também o é, só que disfarça quando não está "incorporado".
            Esse médium invigilante e portador de moral duvidosa ao receber a energia de incorporação de Exu (que começa a se dar através da aproximação do mesmo), por ser uma energia bastante similar a nossa e justamente por estar mais próxima a crosta terrestre, onde o combate com o Astral Inferior se dá, passa a dar vazão aos seus sentimentos menores, influenciando e interferindo diretamente na incorporação do Exu, que assiste a tudo desconsoladamente. Transferindo para Exu sentimentos e comportamentos que são seus.
            Isso não chega a ser mistificação, ou seja, fingimento, porque existe a energia de Exu ao lado ou perto do médium. A mistificação envolve o fingimento puro e simples, sem envolvimento de energia ou proximidade de entidade alguma. Mas trata-se de animismo.
            A incorporação de Exu e Pomba Gira envolve a manipulação energética de chacras inferiores, e o que acontece no caso descrito acima é que o médium deliberadamente utiliza mal essa energia. Digo deliberadamente, porque isso envolve intenção, moral e mal aproveitamento da energia de Exu.
            Com a continuidade da insistência do médium em se utilizar dessa energia para a manifestação de seus desejos e aspectos menores, em pouco tempo há a queda do médium... O Exu se arranca e fica o que? Kiumba que assume o nome do Exu e aumenta os desvarios... E o médium não percebe porque no fundo usa a influência do kiumba (aliás, um usa o outro) para brigar com a mulher, encher a cara de cachaça, falar palavrão, fazer pedidos de oferendas nas encruzilhadas da vida, matança de animais e outras aberrações.
            Cabe a direção da Casa coibir veementemente esses comportamentos no seu nascedouro, ou seja, no médium e assim que começam acontecer. Chamando-o a realidade, orientando e desestimulando atitudes desse tipo. Tentando recuperar o médium. Mas se for o caso não deve pestanejar em tomar medidas drásticas para a solução do problema.

Sobre a capacidade de manipulação energética de Exu

             Voltando a questão energética de Exu, já falamos que ele é um grande manipulador de energias, transfigurando-se em formas diferenciadas de acordo com o ambiente em que está. 
            A exemplo disso vemos Exu se apresentando aos obsessores que irão combater em configuração que desperte medo e/ou respeito. Ele não poderia se apresentar a um "inimigo" como se fosse uma linda Cinderela... Isso não assustaria ninguém, então ele assume sim formas rudes, entretanto ele o faz por estratégia e não por serem deformados, e muito menos eles tem chifres, rabos e pés de bode como são tão mal retratados nessas imagens que encontramos em casas de artigos religiosos.
            Como Exu manipula energias para assumir outra configuração "física"? Em primeiro lugar há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos como nós, muitos são contemporâneos inclusive.
            Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim... Assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões.
            Bem, em primeiro lugar em função do trabalho que irá executar ou da "batalha" que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar, em seguida vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus "adversários", suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc.
            Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de Orixá.
            Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de energia.
            E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de sacrifícios de animais e despachos em encruzilhadas, porque quem "recebe" tudo isso é kiumba! Lembrando ainda que isso dentro do Ritual de Umbanda!

Um Exemplo de Trabalho de Exu

OBS: Essa história foi contada pela Pomba Gira Maria Padilha da 7 Encruzilhadas que trabalha na Egrégora do CECP, visando explicar algumas dinâmicas de trabalho. Os personagens dessa história receberam nomes fictícios.
        Carlos se dirige a um Centro de Umbanda aconselhado por um amigo, pois a sua vida está bastante complicada. Sua mãe vive doente, já tendo ido a diversos médicos sem sucesso na cura. O seu pai foi demitido da empresa que trabalhava há mais de 25 anos e vive deprimido e chorando pelos cantos. Ele mesmo desempregado há três anos, vê o seu filho adoecer sem condições de comprar o medicamento. A sua esposa, única ainda empregada, apresenta sérios indícios de fadiga mental e física.
        Ao chegar no centro descobre que é dia de consulta com Preto Velho. O seu amigo Cláudio, vai explicando a rotina da casa e como ele deve agir e pedir na hora da consulta.
        Chega finalmente a sua vez de se consultar, o seu pensamento está coberto de dúvidas, achando que estava chegando ao fundo do poço ao se dirigir a um terreiro de macumba, falar com uma pessoa que nunca viu antes na vida e abrir o seu coração, suas dúvidas e temores. Num primeiro momento acha graça da posição do médium todo curvado e do jeito de falar, não consegue se aquietar, mas o Preto Velho vai aos pouquinhos ministrando alguns passes e por fim Carlos começa a se abrir.
        O Preto Velho a tudo ouve, manifestando de tempos em tempos palavras encorajadoras para o aflito Carlos.
        Carlos não entende o por que, mas enquanto ele fala, o Preto Velho vai estalando os dedos em volta dele, olha discretamente para o copo d'água ao lado da vela, joga para cima a fumaça de seu cachimbo, e assim vai firmando e passando as informações para os guardiões que pertencem a egrégora da Casa, que através dos Exus de trabalho partem com a velocidade do pensamento para a casa de Carlos.
        Em dado momento, o Preto Velho que está "preso" ao corpo carnal do médium e conseqüentemente com sua visão limitada, utiliza alguns elementos magísticos e ritualísticos para proporcionar alívio ao Carlos. 
        Diz no final da consulta que irá trabalhar para ele e toda a sua família, dá algumas recomendações sobre como rezar e elevar o pensamento a Deus e se despedem.
        Carlos tem alguma sensação de alívio, sente-se mais leve e confiante, mas ao mesmo tempo não acredita que meia dúzia de estalar de dedos vão "resolver" o seu problema... Incrédulo, mas não tão fraco retorna a sua casa sem nem imaginar que a batalha está apenas começando.
        O Preto Velho ao ver Carlos se levantar e ir embora sabe que a essa altura toda a egrégora da Casa já está se preparando para a batalha, e, apesar de ainda estar preso ao corpo do médium pelo processo de incorporação, pôde perceber que será grande.
        Mas ainda há o que ser feito em terra... Precisa descarregar o seu aparelho e o terreiro. Terminado o saravá ele parte indo se unir com os outros membros da egrégora.
        Com o término dos trabalhos, os médiuns começam a ir embora e no Terreiro de Umbanda se faz silêncio. Mas um silêncio apenas aos ouvidos humanos, pois os sons ali emitidos estão numa freqüência diferente dos sons conhecidos nessa Terra.
        E os médiuns pensam: "A gira terminou."
        Não meus caros, a "gira" está apenas começando.
        A egrégora da Casa está reunida dentro do terreiro aguardando o retorno dos Exus de Trabalhos com as informações reais de cada consulta que foi realizada.
        Os Exus vão retornando, um a um.
        O Mentor da Casa assiste e faz intervenções quanto às deliberações do Alto, e os Chefes de Linha estabelecem o famoso "quem vai fazer o que". Tudo isso ocorre em ambiente absolutamente harmônico e organizado.
        Exus, Caboclos e Pretos Velhos trocam impressões a respeito dos problemas apresentados e deliberam.
        Mas, voltando ao nosso amigo Carlos. (Nesse momento vou dar nomes fictícios também as entidades envolvidas nesse trabalho. Digamos que o Preto Velho que atendeu Carlos chama-se Pai Benedito e o Exu de Trabalho chamado por ele foi Exu Marabô). 
Quando Exu Marabô retorna com as informações a respeito do que encontrou na casa de Carlos, o diálogo que se dá é o seguinte:
Marabô: É, Pai Benedito, a situação lá está bem complicada.
Pai Benedito: Eu já suspeitava. O que você viu?
Marabô: A casa do moço Carlos foi totalmente absorvida por uma rede de energia que tem seres bem grotescos mantendo-a firme. Segui buscando a origem dessa rede e me deparei com uma construção logo acima da casa. 
        Adentrando ao recinto vi uma inteligência poderosa por trás disso, mas sem nenhuma relação direta com nenhum dos envolvidos. Buscando entender a "trama" continuei procurando o porque daquilo e encontrei uma mulher bastante dementada, com um aparelho acoplado em sua nuca e pude "ler" seus pensamentos e "sentir" seus desejos que eram de vingança para com o pai carnal do moço Carlos. Vi também que eles ainda não sabem que o moço Carlos veio aqui no terreiro.
        Bem, em resumo: A inteligência envolveu essa pobre infeliz e prometendo-lhe "devolver" o pai do moço Carlos pra ela e suga suas energias que é retro-alimentada pelo sentimento de culpa que o pai do moço Carlos tem. Parece que foi uma aventura dele na juventude, só não me preocupei em saber se desta ou de outra vida, pois achei que os dados que tinha já eram suficientes para podermos trabalhar.
Pai Benedito: Sim, sim... Mais do que suficientes! Não estamos aqui para julgar ninguém. Isso cabe ao Pai. 
        Bem, nesse caso teremos que destruir essa construção, mas precisamos primeiro recuperar a moça, e já que o pai de Carlos está involuntariamente retro-alimentando a construção, precisaremos de recursos para auxiliar os familiares também.
         Assim, Pai Benedito se dirige ao Caboclo Flecha Dourada, responsável pela corrente de desobsessão daquele terreiro e expõe a situação. 
          Imediatamente o Caboclo determina que a Pomba Gira Figueira irá utilizar os seus elementos magísticos para que a equipe de resgate da Casa recupere a moça e quem mais tenha condições de tratamento e a "equipe de força" destrua a construção e todos os equipamentos dentro dela. 
           Tarefas distribuídas, eles partem para a construção.
            Caboclos, Pretos Velhos e Exus guardam uma certa distância da construção e observam a Pomba Gira Figueira assumir uma configuração praticamente transparente. 
            Ao chegar perto da construção percebe-se sair de sua boca uma espécie de fumaça enegrecida que começa a tomar conta do ambiente. Logo atrás dela, homens empurram uma espécie de carrinho, que lembram os carrinhos usados em minas de escavação de carvão.
            Conforme a Sra. Figueira vai entrando no ambiente tomado por essa fumaça negra, os seres que lá estão caem em profundo sono, sendo resgatados pelos homens e colocados dentro dos carrinhos. A ação dela é rápida. Ninguém percebe a sua presença.
            Quando todos são resgatados, a Sra. Figueira começa a manipular a energia dos instrumentos dentro da construção mudando sua forma, plasmando outras energias e transformando os instrumentos em bombas auto-destrutivas.
            Finalmente sai da construção e os Exus que compõe a "tropa de choque" ou "equipe de força" passam a detonar a bomba e a destruir a construção e a malha que envolve a construção material na Terra e a prender os seres grotescos que dão sustentação a malha no ponto da construção material.
            Caboclos e Pretos Velhos começam a tratar ali mesmo as inteligências retiradas da construção, colocando-os em macas e direcionando aos locais adequados aos tratamentos que irão receber, sob os olhos atentos dos Exus Guardiões, Amparadores e de Trabalho.
            Outros partem para a construção material e começam o trabalho individualizado entre os membros da família. Exus fazem o trabalho de limpeza e descarga, resgatando os "perdidos", para serem encaminhados para os trabalhos de desobsessão da Casa de Umbanda, abrindo espaço e dando condições vibratórias para o trabalho dos Caboclos e Pretos Velhos que é o de inspirar pensamentos de perdão ao pai de Carlos, de esperança no próprio Carlos, saúde e bons eflúvios na esposa e mãe de Carlos. Através de passes magnéticos Caboclos e Pretos Velhos transformam o campo vibratório da casa e cuidam de seus moradores.
         Enquanto tudo isso ocorre a casa dorme, e todos são tratados em espírito.
         Enquanto isso os médiuns daquele terreiro também dormem em suas casas, mas alguns estão doando ectoplasma, auxiliando nos trabalhos de transmutação energética. Uns participando ativamente e outros observando e aprendendo, através do processo de desdobramento, assistem a boa parte dos trabalhos.
         Após o trabalho realizado o Mentor da Casa sorri.

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        É claro que todos sabem que de agora em diante é de acordo com o merecimento de cada um, de cada membro dessa família, tudo dependerá do quanto cada um irá lutar para melhorar, mas agora sem as "amarras" ou interferência do Astral Inferior.
        A Umbanda através de uma ação conjunta dos componentes da egrégora de uma Casa de Umbanda pôde proporcionar alívio, conforto e libertação aos membros da família e auxílio aos irmãos perdidos nas trevas da ignorância, do ódio, do rancor, do remorso e da culpa.
        Mesmo que Carlos nunca mais volte ao terreiro para agradecer a melhora, ou que nunca desperte para a ajuda que recebeu, mesmo que o pai de Carlos nunca se perdoe, a Umbanda se fez presente em Caridade e Amor!
         Agora diga com sinceridade, após ler tudo isso você ainda acha que Exu é o Diabo?
        Você acha que importa ficarmos discutindo se Exu, a Umbanda e seus Orixás vieram da Atlântida, da África ou do quintal da sua casa?

         Se ainda lhe resta alguma dúvida eu afirmo a minha certeza: a Umbanda nasceu do Coração de Zambi em Sua Infinita Misericórdia por nós! Porque só a Umbanda tem quem nos defenda e proteja independentemente da nossa ignorância nos impedir de reconhecê-los como bons e amigos!

        Obrigada Exu pela proteção, defesa e principalmente por ter tanta paciência com a nossa ignorância!
        Salve os nossos amigos, defensores e compadres! Saravá Exu e Pomba Gira!
Laroyê Exu!
Mãe Luzia Nascimento
Sacerdotisa de Umbanda

Dirigente do Centro Espiritualista Luz de Aruanda - CELA

Aprendam que quem tem poder é Tupã, quem tem força é Entidade, que médium não faz caridade coisa nenhuma, médium é só um veículo, e como é só um instrumento simplesmente resgata carma... Pai Sete Flechas