quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Os Itans

O Candomblé. Cultura digna. Digna de um povo. Digna de uma fé. Cultura que traz a história de cada um através dos Ifás, através dos Caoris, através da metodologia adivinhatória variada, mas que com certeza buscam os caminhos, os horizontes e buscam principalmente enaltecer, enriquecer a vida de cada um, porque com o candomblé, foi inventado os itans, as histórias de cada orixá, histórias variadas, mas que na realidade são sinônimos de problemas que anos e anos vem acontecendo na vida de cada um, vem acontecendo na vida de cada ser humano, histórias que apesar de pertencer a Orixás, pertencem também aos caminhos de cada um de nós, com seus exemplos, ensinamentos e principalmente trazendo soluções para que sejam solucionados os problemas individuais ou até mesmo coletivos de cada pessoa, de cada grupo que procuram fazer parte da formação da estrutura básica de uma religião chamada Candomblé.



Conta-se que todo esse saber foi dado a um adivinho de nome Orumilá, também chamado Ifá, que o transmitiu aos seus seguidores, aos sacerdotes do oráculo de Ifá que são chamados Babalaôs ou os pais de santo do segredo. Durante a iniciação que é submetido para exercício da atividade oracular, o Babalaô aprende essas histórias primordiais que relatam fatos do passado que se repetem a cada dia dos homens e mulheres.
Para Os Iorubás antigos, nada é novidade. Tudo o que acontece hoje, já teria acontecido antes. Identificar no passado mítico o acontecimento que ocorre no presente é a chave da decifração oracular. Os mitos dessa tradição oral estão organizados em vários capítulos, vários itans organizados na mente de cada sacerdote, cada um subdivididos em partes, tudo paciente e meticulosamente decorado na memória do zelador, é que vem a experiência, é que vem a resposta.
Acredita-se, que nos caminhos dos itans, o zelador, o Babalaô, o conselheiro que seja, busca um exemplo do passado nas estórias do passado, estórias que com certeza remetem ao presente e sucessivamente ao futuro:
 
Se Obá cortou uma orelha por amor a Xangô, uma mulher corta os pulsos por amor a um homem.
 
Se Ogum decepou cabeças pelo silêncio e pela falta de respostas, muitos massacres podem acontecer muitas vezes por povos, por líderes de estado defendendo um ideal, um objetivo, defendendo principalmente uma posição.
 
Se Xangô, segundo os itans, abriu um buraco na terra e entrou por ele adentro, reis, rainhas, presidentes, renunciam, suicidam-se, são com certeza banido às vezes do seu poder.
 
Se Oyá experimentou através da curiosidade a força do fogo, quantas pessoas também pela força da curiosidade acabam morrendo queimadas e assim os itans revelam o cansaço das estórias de oxalá, revelam também os truques, a malícia, a irreverência nos itans de Exú, nos itans de Bara e que com certeza formam os itans da nossa cultura, as estórias que montam o caminho, que montam o convívio de cada sacerdote, que montam a verdade de cada um.
 
Muitas vezes, uma estória simples, uma estória comum, uma estória básica, se encontra a solução para livrar um cliente, livrar um filho de santo, livrar até futuros problemas que um filho de santo, que um cliente possa vir a ter no futuro, daí a demarcação dos ebós, onde se tira os ebós de caminho, os ebós de Odu, trata-se também com certeza, explicando para cada caminho que se é dado a um filho de santo, porque nos itans, nas estórias que são reveladas através do conhecimento da evolução espiritual de cada sacerdote, extrai-se também a solução para o futuro onde muitas vezes convivemos com a ganância, convivemos com a inveja, convivemos de várias formas diferentes com situações diferentes que levam um filho, um cliente, muitas vezes ao pantanal da tragédia, muitas vezes levam ao caminho da perda, ao caminho da discórdia, da desavença, da separação. 
Mas nada que se fale nada que se pregue nada que se professe nos caminhos dos Orixás através dos itans, não quer dizer, que seja novo, não quer dizer que seja novidade para cada um, pelo contrário, para os Orixás tudo é antigo, tudo já foi feito, tudo já foi visto, cabendo a cada um, cabendo a cada sacerdote buscar nos itans o caminho certo, buscar nos itans a esperança, a explicação, o exemplo que cada Orixá, que cada um itan revelou para a cultura, para a mente, e através dessa estória, da cultura, das lendas que muitas vezes são ignoradas por muitos, que muitas vezes são vítimas de chacotas até por muitos, mas delas são extraídas a solução para todos que com certeza buscam a prosperidade, buscam o caminho da felicidade através de nossos orixás e com certeza sem os itans, sem a verdade não seria possível descobrir como foi descoberta a inveja e foi detectado também o meio de acabar com ela, como também foi descoberta a ganância, até mesmo o castigo que nós buscamos nos caminhos de queimação, nos caminhos de ebós, do troco, da resposta. Dos itans que revelam a ambição que cobra de cada um o preço mais alto possível quando se deve aos Orixás.
 
A partir da próxima edição, estarei colocando vários exemplos de itans e seus significados na vida atual.

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